Por Jean Carlos Vieira Santos
Entre serras que contam histórias está a Cidade de Goiás, antiga capital goiana confortada na encosta da Serra Dourada como um destino que guarda séculos de memórias em cada beco, seja no mercado público, nos museus e/ou nas igrejas. Nas suas ruelas de rochas e em duas margens do Rio Vermelho, há histórias de poetisas e poetas, bem como a igreja de Santa Bárbara que vigiava horizontes. Esse destino impele o viajante à deriva por seus logradouros, nos quais a cronologia se manifesta com uma parcimônia quase estática.
Em um tempo de pouca velocidade, é possível parar nas igrejas e apreciar a musicalidade do lugar. Entretanto, falar sobre músicas não cristãs em espaços religiosos não é uma tarefa elementar, pois sempre faltará algo com outras interpretações; logo, não iremos aportar em contradições sobre o tema, mas em eventos que ocorrem em cenários de fé, nos quais cada artista revela um novo encanto.
O projeto “Música e Fé”, realizado na cidade brasileira, tem ocorrido nas diferentes igrejas históricas do destino turístico, a exemplo dos espaços religiosos de Santa Bárbara, Nossa Senhora do Rosário, Sant’Ana e Nossa Senhora da Abadia. Em Goiás, as apresentações são de artistas vilaboenses, ou seja, da própria cidade, e de outros lugares urbanos do estado.
As igrejas históricas do destino turístico às margens do Rio Vermelho são territórios arquitetônicos e culturais que representam a identidade e a memória do lugar. Alguns desses prédios religiosos da antiga capital fica de portas fechadas na maior parte do ano, mesmo localizadas no centro histórico, região com maior fluxo de visitantes.
Tal proposta existente no Cerrado brasileiro se assemelha à de outros destinos turísticos internacionalmente consolidados, como a cidade de Faro na região Algarve, abraçada pela Ria Formosa, sistema lagunar rico em biodiversidade, em Portugal. No país europeu, o evento é promovido pela Associação de Fado do Algarve (AFA), ao abarcar uma nova forma de ouvir fado em um espaço pouco habitual e intitulado “Fado na Igreja”, cujo cenário principal é a Igreja da Misericórdia.
Dessa maneira, depreende-se que as manifestações musicais nos templos das referidas cidades congregam tanto residentes quanto turistas, exercendo uma função basilar na historiografia musical desses destinos.
Jean Carlos Vieira Santos
Professor e Pesquisador da Universidade Estadual de Goiás (UEG/TECCER-PPGEO). Pós-doutorado em Turismo pela Universidade do Algarve (UALg/Portugal) e Doutorado em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (IGUFU/MG).




