Autoridades de saúde alertam para riscos de onda de calor até dia 13 em Portugal

Crianças brincam numa fonte na Expo em Lisboa, durante onda de calor com temperaturas acima dos 40°C. 3 de agosto de 2025. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Neste dia 05, as autoridades de saúde emitiram recomendações para a população por causa da onda de calor que atinge Portugal continental e deverá prolongar-se até dia 13, alertando para os riscos nos mais idosos, crianças, grávidas e doentes crónicos.

Numa nota conjunta, a Direção-Geral da Saúde (DGS), a Direção Executiva do SNS (DE-SNS) e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) alertam para os impactos da manutenção de temperaturas elevadas na saúde da população e chamam a atenção para a necessidade de as pessoas se manterem hidratadas, bebendo pelo menos o equivalente a oito copos de água por dia.

Alertam igualmente para a importância de se evitarem bebidas alcoólicas e com cafeína e avisam a população que deve permanecer em ambientes frescos ou climatizados, com sombras e circulação de ar, pelo menos duas a três horas por dia, mantendo janelas, persianas e estores fechados nos períodos de maior calor, ou em zonas com risco de poeiras dos incêndios.

Aconselham igualmente a população a evitar a exposição direta ao sol, principalmente entre as 11:00 e as 17:00, usar sempre protetor solar com fator igual ou superior a 30, renovando a aplicação a cada duas horas, inclusive após banhos na praia ou em piscinas.

As autoridades de saúde lembram ainda a importância de se usar roupas claras, leves e largas, que cubram a maior parte do corpo, chapéu e óculos de sol com proteção ultravioleta, assim como de evitar atividades no exterior que exijam grandes esforços físicos.

Aconselham a que se viaje nas horas de menor calor, lembrando que estão previstas temperaturas acima dos 40ºC na região do Alentejo e no interior das regiões Norte e Centro e que as temperaturas mínimas também vão permanecer elevadas, mantendo-se acima dos 20º no interior do país.

A nota recorda a importância de dar especial atenção aos grupos mais vulneráveis ao calor, como as crianças, pessoas idosas, doentes crónicos, grávidas e trabalhadores com atividades no exterior, acompanhando as pessoas que vivam isoladas.

Em caso de emergência, e se apresentar sinais de alerta como suores intensos, febre, vómitos/náuseas ou pulsação acelerada/fraca, as autoridades aconselham a população a contactar a linha SNS 24, através do número 808 24 24 24, ou a ligar para o número europeu de emergência 112.

A DGS, DE-SNS e INSA dizem ainda estão a acompanhar em permanência a situação meteorológica e o seu impacto na saúde, reforçando as medidas do Plano de Contingência para a Resposta Sazonal em Saúde, em articulação com as estruturas regionais e locais.

Portugal continental está desde domingo em situação de alerta devido ao elevado risco de incêndio, uma situação que se manterá, pelo menos, até quinta-feira.

Os distritos mais a norte de Portugal continental, Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real e Bragança, estão hoje, pelo segundo dia consecutivo, sob aviso vermelho devido ao calor, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Braga e Évora deverão, segundo o IPMA, chegar hoje aos 41ºC (graus celsius). Na quarta-feira há previsão de uma pequena descida da temperatura em todo o continente.

Os arquipélagos da Madeira e dos Açores não apresentam hoje avisos.

Qualidade do ar

O especialista em qualidade do ar Francisco Ferreira alertou hoje para uma potencial má qualidade do ar nos próximos dias, devido ao calor, aos incêndios e a partículas transportadas do norte de África.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador do Centro de Investigação para o Ambiente e Sustentabilidade (CENSE) da Universidade NOVA FCT considerou que, perante as previsões, deve haver um aumento de partículas no ar, de concentração de ozono, como já aconteceu no domingo em alguns locais do continente, e de compostos perigosos para a saúde devido aos incêndios.

Os incêndios rurais emitem uma “mistura de compostos perigosos para a saúde”, que podem ir de partículas respiráveis (PM10) a partículas finas (PM2,5), de óxidos de azoto a hidrocarbonetos aromáticos, entre outros.

“As partículas finas emitidas pelos incêndios rurais são o poluente atmosférico de maior preocupação para a saúde pública, porque podem viajar profundamente para os pulmões e até mesmo entrar na corrente sanguínea. Estão associadas a mortes prematuras na população em geral e podem causar e agravar doenças respiratórias e cardiovasculares”, disse.

Citando a página QualAr, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Francisco Ferreira, também presidente da associação ambientalista Zero, apontou as “concentrações extremamente elevadas e preocupantes” de domingo e de hoje em Paços de Ferreira, provavelmente relacionadas com os incêndios recentes.

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