Aposentadoria no exterior: Brasil aprova nova regra para países da CPLP

Foto UN News/Alexandre Soares

Da Redação com Agência Senado

Brasileiros que exercerem atividades profissionais em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Portugal poderão somar períodos de contribuição para acesso a benefícios previdenciários. É o que prevê a Convenção Multilateral de Segurança Social da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), assinada pelos países em 2015 e cujo texto foi aprovado nesta terça-feira (11) pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) no Senado Federal. O projeto (PDL 461/2022) segue para votação no Plenário. 

Para o relator, senador Carlos Viana (PSD-MG), a Convenção protege trabalhadores brasileiros que atuam em outros países da CPLP. O acordo também reduz custos para o Brasil, pois o país pagará apenas a parte do benefício correspondente ao tempo de contribuição cumprido em seu território. Além disso, Angola, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial e Timor-Leste sinalizaram que poderão aderir no futuro. 

A Convenção prevê Aposentadoria por idade; por invalidez; por morte. Fica de fora cuidados de saúde; assistência social; benefícios pagos a quem nunca contribuiu.

Tem direito os trabalhadores que contribuem ou já contribuíram para a previdência de qualquer um dos países participantes; Familiares e dependentes do trabalhador, mesmo que tenham outra nacionalidade. Todos os beneficiários têm os mesmos direitos, e o pagamento não pode ser reduzido ou suspenso apenas porque a pessoa passou a morar em outro país do grupo. 

Soma de tempos e cálculo do pagamento
Se o tempo trabalhado em um único país não for suficiente para dar direito ao benefício, o trabalhador poderá somar os períodos cumpridos nos outros países até atingir o tempo mínimo exigido; Cada país pagará apenas o valor correspondente ao tempo em que o trabalhador contribuiu em seu território, seguindo sua própria lei; Caso já exista outro acordo previdenciário entre os países, valerão as regras mais favoráveis ao cidadão. 

Como regra geral, valem as leis previdenciárias do local onde o trabalhador atua. Porém, há exceções: Trabalhadores enviados ao exterior: Se a mudança for temporária, a pessoa pode continuar vinculada à previdência do país de origem por até 24 meses (prorrogáveis por igual período se o outro país concordar). 

Marítimos, tripulações aéreas, diplomatas, servidores públicos e missões de cooperação possuem regras específicas. 

A Convenção prevê que autoridades e instituições atuem de forma integrada para facilitar a apresentação de requerimento e de recursos, dispensando exigências burocráticas em alguns casos. Além disso, o texto trata das regras de pagamento dos benefícios e cria uma Comissão Técnica para acompanhar a aplicação das regras e para resolver dúvidas administrativas ou de interpretação.

Períodos anteriores à entrada em vigor da Convenção poderão ser considerados para verificar o direito aos benefícios, mas aqueles já concedidos não serão revistos, informa a Agência Senado.

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