Da Agencia Lusa
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Os presidentes dos bancos centrais dos países africanos lusófonos e Timor Leste confiam na capacidade dos seus países para enfrentarem a crise financeira internacional, mas temem uma redução de investimento e ajuda, e "esquecimento" da "outra crise", a da inflação. No 18° Encontro de Lisboa das delegações dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop) e Timor Leste na assembléia anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (BM), Miguens Oliveira, vice-presidente do Banco Nacional de Angola, afirmou que a situação atual do país "permite encarar com otimismo a situação". "Como todos vão sofrer, poderemos ir sofrendo" os efeitos da crise internacional – que está para já a implicar uma descida do preço do principal produto de exportação angolano, o petróleo – mas "não nos sentindo excessivamente afetados por ela", disse Miguens no encontro que teve o Banco de Portugal como anfitrião. Oliveira elogiou a política governamental de aplicar as receitas petrolíferas "na diversificação da infra-estrutura econômica", em vez de seguir o conselho de entesourá-las, que "teria significado colocar [o dinheiro] nos bancos que estão a falir e nas aplicações financeiras que não eram tão seguras quanto isso". "É mais seguro investir num agricultor moçambicano do que num especulador de bolsa norte-americano", afirmou. Preocupado com o investimento está o presidente do Banco de Cabo Verde, Carlos Burgo, que afirmou já se sentir uma redução no imobiliário turístico e na dificuldade de obter financiamento. "Não sentimos efeito direto da crise, mas sim indiretamente, nos fluxos financeiros e de financiamento", afirmou. Apesar disso, afirmou, "a economia será capaz de absorver o impacto da crise sem recorrer ao financiamento externo" disponível, principalmente de Portugal e do FMI. Também o presidente do Banco Central de São Tomé e Príncipe, Luís de Sousa, manifestou preocupação quanto a uma possível remarcação de grandes projetos de investimento, como o porto de águas profundas e porto logístico, devido a problemas na obtenção de financiamento por parte dos investidores. Mesmo antes desta crise, que afeta o arquipélago de forma indireta, vivia-se uma "situação de desequilíbrio", tratando-se de uma economia "muito aberta ao exterior" e "dependente de donativos e empréstimos para a balança de pagamentos", que tem vindo a sofrer "preocupantes" impactos ao nível dos preços ao consumidor. João Fadiá, diretor do Banco Central dos Estados da África Ocidental para a Guiné-Bissau salientou que "a grande preocupação" para os países da região é o nível de preços ao consumidor, hoje próximo dos 10%. Ernesto Gove, do Banco de Moçambique, deixou em Lisboa "um apelo" às autoridades internacionais para que "não desviem a atenção da outra crise", a da escalada da inflação nos bens essenciais para a população, que já causou conflitos civis de pequena dimensão. "Apesar de algum abrandamento, estão num patamar elevado, não estamos ainda refeitos da primeira crise, dos bens alimentares e combustíveis, o que torna difícil a gestão das políticas macroeconômicos", afirmou. Raquel Gonçalves Costa, diretora da Autoridade Bancária de Pagamentos do Timor Leste, salientou que os ativos do sistema bancário têm aumentado sobretudo graças a uma subida dos depósitos, deixando os bancos timorenses em boas condições para lidar com a situação de aperto financeiro. "As reservas atuais são mais do que suficientes para fazer face à situação", afirmou.
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