Pelo menos 28 portugueses e lusodescendentes morreram devido aos sismos que atingiram a Venezuela, na quarta-feira, revelou hoje, em Beja, o secretário de Estado das Comunidades. Emídio Sousa acrescentou que, além dos mortos, estão 85 pessoas desaparecidas.
O secretário de Estado falava aos jornalistas, na base aérea de Beja, antes da partida – prevista entre as 19:30 e as 20:00 – de dois aviões KC-390 da Força Aérea Portuguesa que transportam um total de 64 pessoas.
Fazem parte da força conjunta elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS) da Guarda Nacional Republicana, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que reúnem “capacidades especializadas em operações de busca e salvamento, recuperação de vítimas, resposta a catástrofes e apoio médico de emergência”, segundo o MNE.
Seguem ainda a bordo cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária, destinada a apoiar as operações de socorro e assistência às populações afetadas, referiu o governante.
O ministro da Administração Interna disse que hoje que existe a possibilidade de Portugal enviar um terceiro avião com uma equipa de busca e salvamento para a Venezuela, onde ocorreram dois grandes sismos que fizeram quase 1.000 mortos.
Após ser questionado pelos jornalistas sobre a Madeira querer enviar um outro avião de busca e salvamento, além dos dois que estão previstos partirem hoje às 19:30 e às 20:00, Luís Neves respondeu que existe a possibilidade de Portugal enviar um terceiro avião.
“Há [essa possibilidade], provavelmente sim, portanto tem que se encontrar esse espaço, os Açores também querem, têm gente disponível para ir, mas nós temos que articular tudo isto com as autoridades da Venezuela”, explicou Luís Neves, no final de uma visita conjunta às instalações da sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Lisboa, com a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.
Luís Neves afirmou ainda que às vezes é preferível ter meios organizados que se possam substituir uns aos outros ou que vão sendo enviados de acordo com as necessidades do que enviar meios sem condições para trabalhar.
A missão portuguesa está integrada no Mecanismo Europeu de Proteção Civil, apesar de partir de Portugal num voo exclusivo e de alguns países da União Europeia terem já chegado à Venezuela.
Os dois grandes sismos que foram registados na Venezuela, na quarta-feira, causaram pelo menos 929 mortos e 3.360 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Portugal e outros sete países da União Europeia vão enviar equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.
Comunidade local
Empresários, empresas portuguesas, e membros da comunidade lusa local criaram centros de recolha de produtos para apoiar vítimas dos sismos que abalaram quarta-feira a Venezuela, deixando milhares de pessoas afetadas.
“No Santuário de Nossa Senhora de Fátima, de Carrizal, habilitamos um centro de recolha de alimentos não perecedouros, artigos de higiene pessoal, roupa, sapatos, e inclusive medicamentos e materiais de primeiros auxílios”, explicou um dos responsáveis à agência Lusa.
Aquilino de Gois de Viveiros explicou que várias pessoas fizeram doações, que vão ser enviadas para centros médicos e para La Guaira, um dos estados mais afetados pelos sismos.
“Já temos algo de água [potável], roupa para crianças, farinha de milho, açúcar e latas de atum. De La Guaira nos estão pedindo também martelos, enxadas e pás, para romper escombros e já estamos comprando alguns materiais”, disse.
Por outro lado, vários portugueses disseram à Lusa que foram criados também centros de recolha de produtos no Centro Luso Larense, no Centro Social Madeirense, na Casa Portuguesa Venezuelana de Carabobo, no Centro Luso-venezuelano de Araure e no Centro Português de Guayana.
O Centro Português de Caracas está temporariamente encerrado, uma vez que os sismos provocaram gretas no chão do terceiro andar e em algumas paredes, havendo também uma fissura no chão na área das piscinas.
Várias empresas de portugueses estão também a recolher produtos para afetados, entre elas o Banco Plaza e as redes de supermercados Gama, Plazas e Páramo.
Na Venezuela vive uma das mais importantes comunidades portuguesas no mundo e a segunda maior da América Latina. É maioritariamente oriunda do arquipélago da Madeira, mas também da região centro (Aveiro) e norte (Porto) do país, segundo dados oficiais.
Estima-se que vivam na Venezuela 1,2 milhões de portugueses e lusodescendentes.




