“Interior não é um fardo” e precisa de oportunidade – Seguro

Presidente da República, António José Seguro (C-D), ladeado pelo presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro (C-E), e pelo presidente do Conselho Nacional de Juventude, Francisco Garcia (E), à chegada aos Paços do Concelho para assinalar o Dia Internacional da Juventude (12 agosto), na Covilhã, 11 de agosto de 2026. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Neste dia 11, o Presidente António José Seguro considerou que “o interior não é um fardo” e que “precisa de uma oportunidade” para o seu potencial, pedindo uma visão estratégica e “investimento público que potencie o investimento privado”.

O chefe de Estado dedica o dia de hoje à Covilhã e fez questão de assinalar que esta é a sua primeira visita oficial à Beira Baixa, de onde é natural, um momento que disse que “ficará gravado no coração e na memória”.

“Eu considero que o interior não é um fardo. O interior é um potencial de oportunidades”, enfatizou, numas breves palavras na Câmara da Covilhã, antes de uma reunião com líderes das juventudes partidárias e representantes jovens dos partidos com representação parlamentar.

Na véspera do Dia Internacional da Juventude, António José Seguro pretendeu “projetar o futuro com jovens que não desistem do interior e que sabem que o interior precisa de uma oportunidade”, defendendo que “não há territórios dispensáveis” em Portugal.

“Precisamos de fazer um equilíbrio entre competitividade e coesão que existe mais nas regiões do litoral e qualidade ambiental que existe mais nas regiões do interior”, defendeu.

O Presidente da República defendeu a necessidade de “uma visão estratégica” e de “investimento público que potencie o investimento privado”, considerando que assim haverá ”condições para que os jovens depois façam as suas opções”.

“E possam ficar, se quiserem, possam ir em mobilidade para outras zonas de Portugal ou do mundo e regressar. O que não podemos aceitar é que, passados 60 anos, se volte a emigrar ou a migrar dentro de Portugal por necessidade”, apontou.

Seguro referiu que estava neste encontro essencialmente para ouvir as juventudes partidárias e o Conselho Nacional de Juventude, considerando que o trabalho destes intervenientes é de “muita qualidade”. 

“Nós precisávamos ter mais jovens a participar no associativismo, mas isso não é uma forma de criticar aqueles que se disponibilizam para trabalhar no associativismo por serem poucos. Pelo contrário, é de vos homenagear pela vossa resiliência, pelo vosso empenhamento e pelas vossas causas”, elogiou.

Para o Presidente da República, que foi presidente do Conselho Nacional de Juventude, o associativismo “é uma forma de os jovens intervirem de uma forma mais organizada e mais estruturada”. 

Na Guarda

Já no dia 10 em Vila Nova de Foz Côa, Seguro assinalou que o Parque Arqueológico do Côa, que celebra 30 anos, é um trabalho em construção e que olhar para aquele vale é um “exercício de contemplação da humanidade”.

“Começo por dizer-vos que as causas em que acreditamos valem a pena. Há trinta anos, eram poucos os que, olhando para este vale, imaginavam que hoje estaríamos aqui. É evidente que foi preciso mais do que acreditar. Porém, se não acreditássemos que isto era possível, então nada mais seria possível”, afirmou António José Seguro, num discurso no Museu do Côa, onde se celebrou o 30.º aniversário do Parque Arqueológico do Vale do Côa.

Seguro acrescentou que “olhar para este vale não é um pormenor, é um exercício de contemplação da humanidade, como o é toda a cultura e todo o nosso trabalho com o património, seja imaterial ou edificado”.

Segundo o Presidente da República, o museu do Côa e o auditório António Guterres são uma realidade, o parque já recebeu mais de 400 mil visitantes desde a sua abertura e Vila Nova de Foz Côa “entrou no mapa das referências culturais”.

Por isso, frisou que falar deste parque é “referir um trabalho em construção permanente”, porque acredita “no papel da cultura como cimento das comunidades e dos territórios”.

“Ou seja, para falarmos claro, não basta falarmos dos 30 anos de vida do parque arqueológico, nem dos 20 mil anos que contemplamos e nos contemplam, se não tivermos uma visão integrada do território e da coesão territorial”, salientou.

A criação deste parque, desta fundação e deste Museu é a prova, para António José Seguro, “de que é possível, fora dos circuitos dominantes, manter instituições importantes e memoráveis”.

“Este investimento tem sentido e terá resultados. Faz parte de um desígnio nacional de combate ao isolamento e ao envelhecimento do território e das populações. Faz parte de uma missão de que estamos investidos: a de respeitar um monumento milenar e de o legar às gerações futuras. E faz parte, finalmente, desse futuro. Um futuro que não existe sem memória, sem lugares que a preservem e sem pessoas”, afirmou.

O Côa e o seu conjunto de gravuras rupestres são património da UNESCO, um selo que Seguro disse que “não é inamovível”:

“Exige que a mereçamos e que façamos dessa responsabilidade uma causa (…) Isso implica pensar não apenas na sua dimensão museológica, mas também humana e material, na mobilidade, na reabilitação e reanimação da ferrovia. No turismo do nosso tempo, cada vez mais atento à cultura e à natureza, na rede escolar, nos cuidados aos mais velhos, no futuro dos mais novos”, frisou.

Realçando que é necessário “pensar também na ligação entre as duas classificações de Património Mundial que ligam o parque arqueológico do Vale do Côa ao Douro Vinhateiro”.

“Os seus destinos estão ligados desde há muito, quando ainda não havia classificação de Património Mundial. Mas em comum havia dimensões elementares, como geografia, orografia, clima, botânica, agricultura, comércio e economia local, circulação de pessoas e bens. Muitas dessas condições mantêm-se e devem cimentar a relação que enriquecerá ambos os mapas”, defendeu.

Seguro repetiu o apelo já deixado durante a manhã, durante uma viagem de comboio na Linha do Douro: “deem uma oportunidade ao interior”.

“Há 30 anos, preservámos o Côa. Agora temos de preservar e criar futuro para as pessoas que fazem do interior de Portugal a sua casa. Não pode haver um país do litoral e um país do interior. Há só um Portugal”, frisou.

Já a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, defendeu que o património arqueológico do Vale do Côa, ocupa um lugar «verdadeiramente singular» na história da humanidade e na identidade cultural do país.

«Esta é a celebração dos 30 anos do Parque Arqueológico do Vale do Côa [PAVC] em que muitos que recordam o elemento fundador, que serve para reconhecer um percurso desenvolvido ao longo de três décadas de estudo e valorização de um património que ocupa um lugar, verdadeiramente singular, na história da humanidade e na identidade cultural do nosso país», disse a governante nas cerimônias.

À chegado ao Museu do Côa, Seguro falou com um homem que trazia um cartaz preso às costas onde se lia: “Promessas… comboio tás a vê-lo?”, referindo já conhecer a causa da reativação da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca d´Alva.

Antes tinha passado pela Pousada da Juventude de Vila Nova de Foz Côa, cuja obra lançou enquanto secretário de Estado da Juventude, durante o Governo de António Guterres.

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