Feira de São Mateus reforça ligação entre Viseu e a diáspora portuguesa

Foto Agência Incomparáveis

Por Ígor Lopes

A Feira de São Mateus voltou a colocar Viseu no centro da agenda cultural e turística de Portugal. A 634.ª edição decorre entre 6 de agosto e 6 de setembro de 2026, na zona do Campo de Viriato, com um programa que cruza música, gastronomia, comércio, cultura, artesanato, literatura, diversões e iniciativas dirigidas a diferentes gerações. Tradicionalmente, portugueses residentes na Suíça marcam presença na festividade.

A Agência Incomparáveis acompanhou a programação do dia 8 de agosto, marcada pela estreia de Maiara & Maraisa no “Palco Visit Viseu”. A dupla brasileira levou ao recinto milhares de pessoas, num concerto acompanhado por público português e luso-brasileiro, além de visitantes de outras nacionalidades, bem como membros da diáspora lusa. Viseu é hoje uma cidade onde vivem cidadãos provenientes de diferentes países e onde as comunidades estrangeiras participam na atividade económica, social e cultural do concelho.

A edição de 2026 foi oficialmente inaugurada no dia 6 de agosto, numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República portuguesa, António José Seguro, do secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, e do presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo. Organizada pela “Viseu Marca”, com o Município de Viseu entre os parceiros institucionais, a Feira funciona como “instrumento de promoção territorial, projetando o nome da cidade através da cultura, da gastronomia, do turismo e da programação musical”.

Durante o mês de agosto, esta função ganha maior expressão com a visita dos emigrantes portugueses. Milhares de pessoas que vivem e trabalham em países como a Suíça, França, Luxemburgo, Alemanha, Reino Unido, Bélgica, Canadá, Brasil e Estados Unidos, entre outros, escolhem o período das férias para voltar às suas localidades de origem. Para muitas famílias, a deslocação representa o reencontro com pais, filhos, avós, irmãos e amigos, após meses de distância.

Nascimento Cleóbulo, natural do Rio de Janeiro, Brasil, avaliou a Feira como “integrativa, pois visualizei pessoas de várias partes de Portugal, num ambiente organizado, com uma limpeza de chamar a atenção, sem falar no próprio facto de ver muitos brasileiros no recinto, o que me deixou particularmente feliz”.

Outra visitante, Estela Vasconcelos, disse à nossa reportagem que “a noite musical foi muito boa, e foi uma surpresa, pois não conhecia o cartaz e gostei de ver em palco artistas famosas no Brasil. Estela, natural de São Paulo, no Brasil, comentou ainda que gostou da organização do espaço de restauração e de ver os stands com artesanato local e regional.

“O horário da Feira é compatível com o da população e o comportamento do público, que sabia acolher quem desconhecia a festa. Foi bom também ver as crianças e os portadores de necessidades especiais terem um espaço específico dentro do recinto, bem como a sensação de segurança permanente”, reforçou.

Maria Pereira, nascida no Rio de Janeiro, e com raízes no Douro, frisou a componente de a Festa ser tradicional.

“Acompanho esta festa com a minha família e amigos há muitos anos. Hoje, vivo na Covilhã, mas não deixo de vir pelo menos um dia e foi espetacular reviver memórias de família nesta noite. Em Viseu a festa está cada vez melhor”, comentou.

O recinto torna-se um lugar de encontro entre quem permanece no território e quem mantém uma ligação familiar, afetiva ou patrimonial à região. Para os mais novos, sobretudo para os lusodescendentes nascidos fora de Portugal, a visita permite um contacto direto com a cultura, a gastronomia e as tradições da terra de origem das suas famílias.

A Feira de São Mateus é apresentada pela organização como a “feira popular mais antiga do país”.

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