Seguro disse ao Papa que em Portugal há muitas pessoas “cujo dinheiro não estica até ao final do mês”

Papa Leão XIV (E) é cumprimentado pelo Presidente da República de Portugal, António José Seguro (D), à chegada para uma audiência no Vaticano, 24 de setembro de 2026. VATICAN MEDIA/FOTOGRAFIA CEDIDA

 O Presidente da República relatou hoje ter dito ao Papa Leão XIV, sobre a situação em Portugal no atual contexto de aumento de preços, que há muitas pessoas cujo “dinheiro não estica até ao final do mês”.

O chefe de Estado, que falava aos jornalistas na Embaixada de Portugal junto da Santa Sé, escusou-se depois, nesta ocasião, a responder se considera que está a ser feito o suficiente em Portugal para ajudar quem passa dificuldades: “Vamos ter oportunidade de falar sobre esse tema, mas não aqui, nem hoje”.

Antes, António José Seguro referiu que no encontro que teve hoje com o Papa ambos defenderam “o cessar imediato das guerras” e, questionado sobre a guerra desencadeada por Estados Unidos da América e Israel contra o Irão, apelou à procura de uma solução “que permita a livre circulação de todos os navios no Estreito de Ormuz”.

“Porque essa é uma das razões pelas quais o preço do petróleo está elevadíssimo, que leva e conduz a uma pressão inflacionista, e que as pessoas, com o mesmo dinheiro, não consigam comprar tantos medicamentos”, salientou.

“Eu, aliás, tive oportunidade hoje de dizer ao Papa que em Portugal há muitas pessoas que não chegam, que o dinheiro não estica até ao final do mês”, relatou, em seguida, o Presidente da República.

António José Seguro reiterou que é preciso “encontrar soluções e uma delas é cessar com as armas”, no Irão, como na Ucrânia.

“Não se justifica absolutamente estas guerras, é necessário que os líderes se sentem, dialoguem, encontrem soluções para os seus problemas. Não há nenhum problema que a mente humana não consiga avaliar e que a boa vontade não consiga resolver”, acrescentou.

Seguro esteve reunido a sós com o Papa durante 40 minutos. A seguir, houve um momento alargado à comitiva do chefe de Estado português, com a habitual troca de presentes.

O Presidente ofereceu a Leão XIV uma escultura em porcelana de Cristo crucificado, da Vista Alegre, da autoria do arquiteto português Álvaro Siza Vieira, e o Papa ofereceu-lhe uma peça intitulada “Cornucopia”, reprodução da decoração do pavimento da Capela do Santíssimo Sacramento da Basílica de São Pedro, adiantou a mesma fonte.

A comunicação social não pôde entrar no Palácio Apostólico, apenas registar a chegada do chefe de Estado, acompanhado pela sua mulher, Margarida Maldonado Freitas, ao Pátio de São Dâmaso, perante um destacamento honorífico da Guarda Suíça Pontifícia, cerca das 08:45 locais (07:45 em Lisboa).

A comitiva do Presidente da República incluiu a embaixadora de Portugal junto da Santa Sé, Maria Amélia Paiva, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Inês Domingos, a chefe da sua Casa Civil, Cláudia Ribeiro, e o chefe do Protocolo do Estado, Francisco Vaz Patto.

Após a audiência papal, que teve lugar na biblioteca privada do Papa, António José Seguro teve um encontro com o secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais da Santa Sé, arcebispo Paul Richard Gallagher, na Sala dos Tratados, e visitou ainda a Capela Sistina e a Basílica de São Pedro, sem comunicação social.

O Presidente da República chegou a Roma na quarta-feira à tarde e visitou na capital italiana a Igreja de Santo António dos Portugueses, lugar histórico de acolhimento de peregrinos nacionais.

Em declarações aos jornalistas, António José Seguro manifestou “enorme expectativa” em conhecer e ouvir o Papa Leão XIV num tempo em que tantos líderes mundiais “parecem ter esquecido a importância da diplomacia e do diálogo”.

O chefe de Estado referiu que iria transmitir ao Papa “a amizade dos portugueses” e renovar o convite que lhe dirigiu formalmente em maio para uma visita a Portugal em 2027 – ano em que se assinala 500 anos de representação diplomática permanente da Santa Sé no país e em que a Igreja Católica comemora o 110.º aniversário de Fátima.

“E espero falar, e sobretudo também escutar, porque é importante nós escutarmos a voz do Papa, sobre aquilo que são as preocupações das pessoas: acabar com as guerras, para acabar com o sofrimento das pessoas, quer aqueles que estão diretamente atingidos pelas balas e pelas armas, quer aqueles que sofrem diretamente com o aumento do preço do petróleo e com as consequências que isso tem no aumento do preço da carestia da vida”, afirmou.

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