
Neste 2017, a história registrou que Temer, denunciado por corrupção passiva pela PGR – Procuradoria Geral da República, tornou-se o primeiro a responder por crime durante o mandato e foi inocentado pelo plenário da Câmara, mesmo com todo o conjunto de provas apresentados pela PGR, especialmente pautadas pelos detalhes, papéis e áudios oferecidos por Joesley Batista, do grupo JBS. Delatado na Lava Jato pelos favores recebidos junto aos políticos, o conjunto de provas do empresário levou a revista Época a dar capa em junho dizendo “Temer, líder da maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil”. Eram necessários que dois terços – 342 parlamentares – votassem a favor da aceitação para a abertura do processo. Wladimir Costa (SD-PA), símbolo dos defensores de Temer, afirmou “a base do governo tem moral para derrubar os incompetentes […] Ele é ético, transparente e tem preparo”. Se fé, família e anticorrupção estiveram nos discursos da queda de Dilma, economia e tranqüilidade política foram lembradas para a permanência de Temer. Resultado: a Casa desprezou a investigação e, simplesmente, o absolveu.
Pesquisa da ONG Contas Abertas mostrou que, de janeiro a junho, o total aprovado de emendas parlamentares por Temer foi de R$ 2,12 bilhões e, nas três primeiras semanas de julho, R$ 2,11 bilhões. A liberação é obrigatória, mas, acabou saindo de forma ostensiva. E não foi só. Nos bastidores, na véspera da votação, Temer almoçou com representantes do agronegócio e foi acertado refinanciamento de dívidas do setor na ordem de R$ 900 bi. Metade dos votos que carecia foi garantida neste grupo. Vale lembrar também que, uma semana antes, PSDB e DEM, importantes sustentáculos deste governo, em jantar em São Paulo entre lideranças, avaliaram que ‘apesar de tudo’ – leia-se, 5% aprovação (CNI/Ibope), histórico recorde negativo – era preciso valorizar que Temer: passou a ‘mover-se mais’ entre os congressistas agradando-os com verbas e cargos; reanimou o ‘Centrão’ na Câmara dos Deputados e, atenção para este item, mesmo revelados áudios vergonhosos vários e vídeos de assessor puxando malas com dinheiro, enigmaticamente as massas não saíram às ruas. Daí, na soma, os riscos com a opinião pública atualmente pareceram ser pouco danosos a eles.
De fato, a classe média com camisa verde-amarela, batendo panelas e andando em massa pelas avenidas sumiu. Isto, mesmo com o aumento de impostos, o parcelamento de dívidas de contribuintes empresariais, o aumento de cargos comissionados, entre outros benefícios, o que aponta para um rombo na propalada ‘meta fiscal’ de austeridade. E, claro, o desemprego bravo reinante. Assim, permanece tudo como dantes.
O País escreveu desta forma mais uma página triste para o mês de agosto. Violentou-se o espírito republicano e a democracia, em meio a letargia popular. E fez valer a velha máxima: cada povo tem o governo que merece. São Paulo, 10 de agosto de 2017.
Prof. José de Almeida Amaral Júnior
Professor universitário em Ciências Sociais; Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação; Colunista do Jornal Mundo Lusíada On Line, do Jornal Cantareira e da Rádio 9 de Julho AM 1600 Khz de São Paulo




