O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu hoje ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que apoia a ONU a “100%”, apesar das duras críticas que fez minutos antes perante a Assembleia-Geral.
“O nosso país apoia as Nações Unidas a 100%. Acho o potencial das Nações Unidas incrível. Verdadeiramente incrível. Podem fazer tanto, eu apoio-as. Posso discordar [das Nações Unidas] às vezes, mas apoio-as totalmente”, declarou Trump no início de uma reunião bilateral com Guterres.
A afirmação de Trump surgiu após reiterar que o teleponto da Assembleia-Geral da ONU falhou durante o seu discurso e que as escadas rolantes usadas na sede das Nações Unidas também estavam avariadas.
Já Guterres afirmou que os Estados Unidos são “essenciais” para a ONU e elogiou Trump por trabalhar pela “paz”: “Estamos completamente à sua disposição para trabalharmos juntos por uma paz justa”.
Esta foi a primeira reunião que Trump e Guterres tiveram desde que o republicano voltou ao poder em janeiro passado.
Durante o discurso de hoje no debate de alto nível da Assembleia-Geral da ONU, Trump atacou duramente a organização, acusando-a de não “ajudar” a acabar com as guerras ao redor do mundo.
“Se for esse o caso, qual é o objetivo das Nações Unidas?”, questionou o Presidente, denunciando a ineficiência da organização porque “tudo o que parecem fazer é escrever cartas muito fortes e depois não cumpri-las”.
Trump também acusou a ONU de promover a imigração ilegal e mentir sobre a crise climática.
Trump disse ter “parado completamente” a entrada irregular no país, insistindo que cada nação tem o direito de proteger as suas fronteiras. Sublinhou que quem entrar ilegalmente no país, vai para a prisão ou regressa ao seu país de origem.
Trump apelou ainda para que outros países adotem políticas semelhantes, alertando que fluxos migratórios em larga escala, como na Europa, “estão a destruir comunidades e a ameaçar a estabilidade social”.
Aviões russos
Trump defendeu hoje que os países da NATO devem abater os aviões russos que violam o seu espaço aéreo, na sequência das recentes incursões na Polónia, Roménia, Estónia, e Dinamarca.
“Sim”, respondeu o republicano quando questionado pela imprensa sobre se os países da Aliança Atlântica deviam abater os aviões russos, no início de um encontro bilateral com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, à margem da Assembleia-Geral.
O Presidente norte-americano acusou a China e a Índia de serem os principais apoiantes de Moscou no conflito, através da compra de petróleo.
Trump pediu também aos países europeus que deixem imediatamente de comprar petróleo russo.
O líder republicano ameaçou ainda impor duras sanções à Rússia se o conflito continuar, embora não seja a primeira vez que faz uma ameaça deste género e tem adiado sempre a aplicação dessas sanções.
Brasil
Trump, anunciou hoje que vai reunir-se na próxima semana com o seu homólogo brasileiro, Lula da Silva, com quem mantém uma disputa diplomática.
“Combinamos encontrar-nos na semana que vem” disse o chefe de Estado norte-americano, durante a sua intervenção no debate de alto-nível da 80.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, que hoje arrancou em Nova Iorque.
Donald Trump, que discursou logo a seguir a Lula da Silva, disse ter encontrado o chefe de Estado brasileiro nos corredores das Nações Unidas, entre os discursos, e que tiveram uma “excelente química”.
“Vimo-nos, ele viu-me, e abraçámo-nos”, revelou Donald Trump, perante os representantes dos países membros da ONU, entre os quais se encontrava Lula da Silva, acompanhado da delegação brasileira.
“Eu só faço negócios com gente que gosto. Quando eu não gosto, não gosto. Mas, por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química e isso é um bom sinal”, frisou.
Ainda assim, antes dos elogios, Trump disse que “o Brasil enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades”, através da “censura, repressão, armamento, corrupção judicial e perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos”.
Já Lula da Silva, que discursou antes do Presidente norte-americano, disse que a “agressão contra o poder judiciário é inaceitável”, numa referência à atuação de Washington para com o Brasil.
“Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia reconquistada há 40 anos pelo seu povo depois de duas décadas de governos ditatoriais”, disse, Lula da Silva, numa referência à condenação a 27 anos e três meses de prisão do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, no dia 11 de setembro, por atentar contra o Estado Democrático de Direito.
Numa alusão direta ao comportamento dos Estados Unidos durante o julgamento, Lula da Silva sublinhou ainda que “não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra” as instituições e economia brasileira.




