Temos capacidade para acolher mais pessoas, mais talento e, sobretudo, mais empresas – PM

O primeiro-ministro, Luís Montenegro (2D), acompanhado pelo vice-Presidente da República Federativa do Brasil, Geraldo Alckmin (2E), e pelo ministro da Economia, Pedro Reis (D), durante o Forum Empresarial Brasil-Portugal, que decorreu em São Paulo, 20 de fevereiro de 2025. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Em São Paulo, neste dia 20, o primeiro-ministro Luís Montenegro afirmou que Portugal precisa de mais mão de obra para concretizar o programa de investimento público em habitação, referindo que está a haver dificuldade em acorrer às solicitações.

“Precisamos, efetivamente, de mais capacidade, de mais capacidade empresarial, de mais capacidade de mão de obra, tal é o investimento que, eu não me importo aqui de confessar, estamos a ter dificuldade, com a nossa capacidade na indústria da construção, de poder aceder e acorrer a tantas solicitações”, afirmou o primeiro-ministro, no Fórum Empresarial Brasil-Portugal, em São Paulo.

Neste discurso, Luís Montenegro considerou que os resultados econômicos de Portugal só são possíveis graças ao “esforço de muitos estrangeiros, à cabeça dos quais estão os brasileiros” – que representam mais de metade dos imigrantes no país – “a trabalhar em Portugal, e também de muito investimento empresarial brasileiro”.

“Mas nós não devemos olhar para isto de forma contemplativa. Eu acho que isto ainda é pouco. Acho que ainda podemos fazer muito mais. Acho que ainda temos capacidade para acolher mais pessoas, mais talento e, sobretudo, mais empresas e mais investimento”, acrescentou.

Perante uma plateia de empresários, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Luís Montenegro descreveu Portugal como “um país de oportunidades”, com um Governo com “vontade férrea” em investir e que tem em curso “um dos maiores programas de investimento público de que há memória”, com apoio dos fundos europeus do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

De acordo com o primeiro-ministro, trata-se de uma mudança, depois de “um período, nos últimos anos, de suspensão de muitos dos investimentos que estavam projetados”, e “aquilo que não se fez até aqui tem que ser feito agora”.

Como exemplos de investimentos em curso, apontou: “Nós temos já em curso o processo de construção de um novo aeroporto de Lisboa, uma infraestrutura crucial para a economia, nas suas mais diversas áreas de atividade. Temos também já em curso o projeto de alta velocidade ferroviária para o transporte de passageiros e de mercadorias. Temos em curso a valorização dos nossos portos e, portanto, de todo o ecossistema portuário”.

Como tinha feito antes o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, Montenegro convidou “as empresas brasileiras a olharem para esta oportunidade de investimento nas infraestruturas em Portugal”.

Neste ponto, destacou o investimento na habitação: “Um investimento que não tem paralelo nos últimos 50 anos de vida do país, houve apenas um programa que se aproximou. E para o qual nós precisamos, efetivamente, de mais capacidade, de mais capacidade empresarial, de mais capacidade de mão de obra”.

“Precisamos mesmo de mais empresas, de mais mão de obra, ainda por cima temos um calendário que não podemos ultrapassar, para nos próximos anos podermos construir, no caso concreto, só no perímetro do Estado, 59 mil novas habitações, num investimento que é superior a 4 mil milhões de euros”, reforçou.

O primeiro-ministro – que na sexta-feira, às 15:00, irá comparecer no parlamento para o debate da moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega por causa da empresa da sua família – antecipou o seu discurso neste fórum em São Paulo, para regressar mais cedo a Portugal.

O Fórum Empresarial Brasil-Portugal é uma iniciativa da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil, da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, da FIESP e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.

Mercosul

 O primeiro-ministro português declarou-se “o maior defensor” do Acordo com o Mercosul entre os 27 chefes de Estado e de Governo da União Europeia, e insistiu que o bloco europeu tem de aproveitar esta oportunidade.

Na sua intervenção, o chefe do Governo PSD/CDS-PP considerou que deve haver no comércio externo “regras mais expeditas, maior facilidade, menos burocracia, menos complexidade, uma boa reciprocidade, nomeadamente nas taxas alfandegárias”.

“Nós queremos ter essa reciprocidade. Mas é por causa disso que eu sou, efetivamente, talvez, perdoem-me aqui a imodéstia, o maior defensor, dos 27 chefes de Estado e de Governo que se reúnem no Conselho Europeu, da implementação do Acordo do Mercosul”, afirmou, em seguida.

Segundo o primeiro-ministro, “se a Europa não for capaz de agarrar” esta oportunidade, “vai mostrar fraqueza, fragilidade, incapacidade de se afirmar como um grande ‘player’ comercial e político no mundo”.

“E eu, que sou europeu, sou uma 27.ª parte do Conselho Europeu, digo isto aqui da mesma forma e com a mesma frontalidade que digo à mesa com os outros 26 quando estou em Bruxelas”, acrescentou.

Luís Montenegro argumentou que defesa do Acordo UE/Mercosul não corresponde apenas ao interesse de Portugal e do Brasil, mas também das “regras de comércio livre, mas justo, de regras de reciprocidade, de regras em que a capacidade produtiva das economias assenta na mesma base, assenta nos mesmos pressupostos”.

“Nós todos devemos produzir preferencialmente com energia que não seja ofensiva do meio ambiente. Nós devemos preferencialmente ter métodos produtivos que garantam a saúde pública. Nós não podemos ter no comércio internacional uma concorrência desleal entre aqueles que têm custos de produção porque são onerados com as exigências sanitárias e ambientais e aqueles que não têm esse ónus e que, portanto, têm uma vantagem comercial maior”, exemplificou.

O primeiro-ministro referiu “este Acordo do Mercosul é a expressão de uma aliança entre mais de 720 milhões de pessoas, entre economias pujantes, entre um espaço comercial transatlântico”.

“[Constitui] uma oportunidade de as nossas economias estarem menos dependentes de outros blocos comerciais que muitas vezes criam, na base dessa dependência, constrangimento ao nosso crescimento, é uma oportunidade que nós temos que agarrar”, sustentou. 

Luís Montenegro advertiu os parceiros europeus de que, “se não for implementado” este acordo, o Mercosul – de que fazem parte o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai – “é um espaço que fica aberto a outros blocos comerciais”. 

“Os europeus, se não tiverem a capacidade de o implementar, depois não se podem queixar de ver outros blocos comerciais invadir de forma não regulada, de forma não leal do ponto de vista da concorrência, do comércio internacional o espaço que não tiveram a capacidade de ocupar”, acrescentou.

Luís Montenegro chegou hoje a São Paulo, vindo de Brasília, onde na quarta-feira participou, com o Presidente do Brasil, Lula da Silva, na 14.ª Cimeira Luso-Brasileira, à qual levou 11 dos 17 ministros do Governo PSD/CDS-PP.

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