O saldo de viagens e turismo cresceu 1,1 mil milhões de euros em 2025, atingindo os 22 mil milhões de euros, o valor nominal mais elevado da série, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
No ano passado, as despesas de turistas estrangeiros em Portugal cresceram 5%, acima das de turistas portugueses em outros países, que aumentaram 4,5%, em termos homólogos.
As receitas turísticas em Portugal atingiram 29.131 milhões de euros, enquanto as despesas dos portugueses no estrangeiro foram de 7.155 milhões de euros, em 2025.
O saldo atingiu assim os 22 mil milhões de euros, um valor recorde na série estatística iniciada em 1948, que representa 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo o destaque do BdP, “os responsáveis pelas maiores receitas turísticas de Portugal foram os turistas residentes no Reino Unido (4,3 mil milhões de euros), na Alemanha (3,4 mil milhões de euros) e em França (3,2 mil milhões de euros)”.
Os dados hoje divulgados pelo BdP são valores para a taxa de variação homóloga, tanto para as despesas de turistas estrangeiros em Portugal (também designadas por exportações ou créditos), como para as despesas de residentes em Portugal quando se deslocam a outros países (também designadas por importações ou débitos).
PIB
A economia portuguesa registou um excedente externo de 8.300 milhões de euros em 2025, menos 1.200 milhões de euros do que em 2024 e o equivalente a 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), anunciou hoje o BdP.
Em 2024, o excedente externo (excedente das balanças corrente e de capital) tinha representado 3,3% do PIB, o que, segundo dados do Banco de Portugal (BdP), correspondeu ao rácio “mais elevado da série, com início em 1953”.
Em 2025, a balança de bens e serviços teve um saldo positivo de 3.700 milhões de euros (1,2% do PIB), com o excedente da balança de serviços a superar o défice da balança de bens.
No ano anterior, a balança de bens e serviços registou um excedente de 6.400 milhões de euros (2,2% do PIB).
Em termos absolutos, o défice da balança de bens aumentou 4.000 milhões de euros, enquanto em percentagem do PIB passou de -8,8%, em 2024 para -9,6% em 2025.
Segundo o BdP, esta evolução reflete simultaneamente o aumento das importações (+2.700 milhões de euros) e a queda das exportações (-1.200 milhões de euros).
Se a variação das importações se deveu, sobretudo, ao aumento das importações de produtos alimentares, bebidas e tabaco e de material de transporte, a redução das exportações concentrou-se principalmente nos produtos petrolíferos refinados.
“Os produtos químicos, os produtos alimentares, bebidas e tabaco e os produtos das indústrias extrativas foram os que mais contribuíram, em 2025, para o défice de 29.400 milhões de euros da balança de bens, com um valor conjunto de 14.000 milhões de euros”, detalha.
Entre os produtos com contributo positivo para o saldo da balança de bens, destaque para os produtos de madeira e papel, artigos de borracha e matérias plásticas e os produtos têxteis e afins, totalizando 4.800 milhões de euros.
Na balança de serviços, o excedente aumentou 1.300 milhões de euros face a 2024, para 33.100 milhões, numa variação que o BdP atribuiu “a um crescimento mais acentuado das exportações do que das importações (2.500 milhões de euros e 1.300 milhões de euros, respetivamente).
Em 2025, o saldo da balança de serviços em percentagem do PIB foi de 10,8%.
Para o crescimento das exportações de serviços contribuiu sobretudo a componente das viagens e turismo, enquanto nas importações é de assinalar o aumento da rubrica dos outros serviços fornecidos por empresas.
Quanto às exportações e importações de viagens e turismo, aumentaram 5,0% e 4,5% em 2025, respetivamente, tendo o respetivo saldo crescido 1.100 milhões de euros, para o valor nominal mais elevado da série (22.000 milhões de euros ou 7,2% do PIB).
Os responsáveis pelas maiores receitas turísticas de Portugal foram os turistas residentes no Reino Unido (4.300 milhões de euros), na Alemanha (3.400l milhões de euros) e em França (3.200 milhões de euros).
O défice da balança de rendimento primário “praticamente não se alterou” em 2025, tendo diminuído 37 milhões de euros.
Em sentido negativo, o BdP destaca a redução do saldo dos rendimentos de propriedade (-300 milhões de euros) e, em sentido positivo, a maior atribuição aos beneficiários finais de fundos europeus na forma de subsídios (+200 milhões de euros).
Por sua vez, o excedente da balança de rendimento secundário diminuiu ligeiramente (-44 milhões de euros), em parte devido à maior contribuição financeira paga por Portugal para o orçamento da União Europeia.
Já o saldo das remessas entre emigrantes e imigrantes aumentou, mantendo-se como a rubrica que mais contribui para o excedente da balança de rendimento secundário, destacando-se os emigrantes residentes em França, na Suíça e no Reino Unido ao responderem por mais de dois terços das remessas recebidas pelas famílias portuguesas.
Já o excedente da balança de capital subiu 1.500 milhões de euros face a 2024.
No fim de 2025, o excedente externo da economia portuguesa refletiu-se num saldo positivo da balança financeira de praticamente 9.000 milhões de euros, abaixo dos mais de 10.200 milhões de 2024.




