Da Redação com Lusa
O PSD apresenta nesta sexta-feira a sua proposta de reforma do sistema eleitoral, embora o presidente do partido, Rui Rio, já se tenha manifestado descrente na possibilidade de alcançar um acordo com o PS nesta e noutras matérias.
A apresentação está marcada para as 15:30, no Centro Cultural de Pedrógão Grande (distrito de Leiria), e será feita por Rui Rio.
Na quinta-feira, no encerramento do debate do estado da nação – em que o líder do PSD não participou devido à morte de um familiar -, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros manifestou-se contra a revisão constitucional e do sistema eleitoral propostas pelo PSD.
“O maior partido da oposição mostra-se coerente em dois pontos críticos do equilíbrio constitucional: Um é o desejo de reduzir perdas eleitorais através da mudança ‘ad hoc’ do sistema eleitoral e à custa da representação dos pequenos partidos e das regiões de baixa densidade; o outro é a permanente fixação em pôr em causa a independência do nosso poder judicial”, declarou Augusto Santos Silva.
O governante acrescentou que “o tempo não é de questionar a Constituição, mas de cumprir a Constituição”.
Depois de o PSD ter apresentado, em 09 de julho, as linhas gerais do que virá a ser o seu projeto de revisão constitucional – que só será entregue no parlamento depois das eleições autárquicas de 26 de setembro -, Rio anunciou num almoço-debate na semana passada que o partido iria também avançar desde já com a sua proposta de revisão do sistema eleitoral.
No entanto, na mesma ocasião referiu que “isto dificilmente alguma vez se consegue com este PS”, liderado por António Costa, “apoiado pelo BE e pelo PCP”, mas resta ao PSD apresentar as suas propostas, e depois os socialistas “votam ou não votam, ou aceitam ou não aceitam”.
No programa eleitoral com que o PSD se apresentou às eleições legislativas de 06 de outubro de 2019, defende-se “a introdução de uma urgente reforma da lei eleitoral para a Assembleia da República”, que “potencie a aproximação entre eleitos e eleitores”, com “redução do número de deputados”, mas “sem, contudo, colocar em causa a proporcionalidade do sistema constitucionalmente imposta”.
No documento, lê-se que para o PSD “a base de partida para a reforma do sistema eleitoral para a Assembleia da República” inclui, entre outros pontos, “alterar a forma de eleição de deputados pela reconfiguração dos círculos eleitorais”, uma “uniformização dos mandatos legislativos e autárquicos com os do Presidente da República e do Parlamento Europeu, passando de 4 para 5 anos”, a “limitação dos mandatos dos deputados” e uma “estratégia de reforço da participação do cidadão e de combate à abstenção com possibilidade de valorização dos votos brancos”.
Algumas destas propostas exigem a revisão da Constituição e já constam das linhas gerais apresentadas em 09 de julho: a redução do número de deputados para um mínimo de 181 e um máximo de 215; o aumento da duração da legislatura para cinco anos (com a ideia de o fazer também nos mandatos autárquicos, cujas propostas concretas só serão apresentadas depois das eleições) ou o alargamento do mandato do Presidente da República para dois mandatos de seis anos.
Nas jornadas parlamentares do PSD, a meio de junho, o presidente do PSD referiu ainda que o partido iria incluir na sua reforma do sistema eleitoral “uma discriminação positiva” para o interior que permita a estes distritos eleger mais deputados.
“O que é justo, na nossa opinião, é que eventualmente o primeiro e o segundo deputados de cada distrito possam ser dados por igual e depois fazer correções de forma técnica para que o sistema continue a ser proporcional”, explicou.
Outra proposta do PSD, acrescentou, passará por “não permitir que haja círculos eleitorais muito grandes”, dividindo os maiores, como os de Lisboa e Porto.
Na sua intervenção, Augusto Santos Silva procurou traçar uma linha de demarcação entre o PS e a oposição à sua direita, partindo das respostas que foram dadas na crise financeira de há dez anos e agora perante a pandemia da covid-19.
“Bem sei que isto causa estranheza aos devotos das soluções de austeridade, que só imaginam como solução para crises a destruição de valor, os cortes de rendimentos e a degradação dos serviços. Mas o nível de emprego, o aumento do investimento e das exportações, a melhoria dos indicadores de qualificação e as baixas taxas de juro da dívida pública estão aí para mostrar que a nossa política é que é correta, pois abre o caminho para o crescimento económico com inovação, riqueza e trabalho digno” começou por dizer.
Depois, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros falou sobre “duas lições da pandemia.
“Face a crises, o Estado social é a nossa melhor proteção e as políticas anti austeritárias são a nossa melhor resposta”, sustentou.
Ainda de acordo com Augusto Santos Silva, “há uma terceira lição tão ou mais importante do que as anteriores”.
“A recuperação da crise é tanto mais rápida e forte quanto mais integrar a transformação da estrutura económica e social, de modo a torná-la mais resiliente. Esta é precisamente a linha de conduta do Governo: agir reformando, agir intervindo nos pontos críticos, agir para mudar”, defendeu.
A seguir, o membro do executivo atacou globalmente a atuação da oposição à direita do PS neste debate sobre o estado da nação.
“A oposição mostrou hoje não ter mais nada a contrapor do que uma ladainha repetitiva ao velho estilo dos casos do dia. A oposição revelou ser preguiçosa, porque não estuda os problemas de fundo e não apresenta propostas alternativas”, atacou.




