[Atualizado 18h]
O Presidente de Portugal chegou hoje ao Palácio do Eliseu, em Paris, onde foi recebido pelo seu homólogo francês, Emmanuel Macron, para um almoço de trabalho que terá como tema as relações bilaterais, política europeia e as “crises internacionais”.
António José Seguro chegou de carro ao Palácio do Eliseu às 13:18 locais (12:18 de Lisboa), tendo percorrido a pé o pátio interior, ao som de uma marcha militar tocada pela Guarda Republicana francesa, enquanto Emmanuel Macron o aguardava no topo da escadaria do palácio.
A meio do percurso, Macron desceu a escadaria e ambos cumprimentaram-se com um aperto de mão, sorrisos e uma breve troca de palavras, antes de pararem à frente das câmaras para a fotografia protocolar.
Os dois chefes de Estado se reuniram para um almoço de trabalho, não estando previstas quaisquer declarações à imprensa.
Numa nota divulgada antes do encontro, a Presidência francesa refere que o almoço de trabalho “mostra a vontade dos dois países de continuarem a desenvolver a sua parceria em todas as áreas”.
A Presidência francesa acrescenta ainda que, durante o encontro, Seguro e Macron deverão falar sobre os “grandes dossiês europeus, designadamente a competitividade e a soberania da UE”, assim como o seu próximo orçamento comunitário, entre 2028 e 2034.
“Também abordarão as principais crises internacionais, em particular a situação no Médio Oriente e o apoio à Ucrânia”, indica o Eliseu.
A Presidência francesa destaca ainda que este encontro se realiza apenas “alguns meses” depois de António José Seguro ter sido eleito e no seguimento da entrada em vigor, em 12 de abril de 2026, do Tratado de Amizade e Cooperação entre Portugal e França, assinado em fevereiro de 2025.
António José Seguro também se reuniu, à tarde, com cerca de duas dezenas de empresários portugueses, na residência da embaixada de Portugal em Paris.
O Presidente da República está acompanhado nesta visita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Esta será a sétima visita de António José Seguro ao estrangeiro enquanto chefe de Estado.
Antes de se deslocar a Paris, o Presidente da República já visitou Espanha, por duas vezes, a Itália, igualmente por duas vezes, o Luxemburgo e os Estados Unidos, onde assistiu este fim de semana ao jogo da seleção portuguesa de futebol contra a Colômbia no Campeonato do Mundo de 2026.
Momento positivo
As relações bilaterais com a França estão num momento “muito positivo”, inclusive a nível económico, e apelou ao aumento das exportações nacionais para o país.
Em declarações aos jornalistas no final de uma breve visita a Paris, José Seguro considerou que o dia de hoje foi “muito positivo para as relações entre Portugal e a França e também para a economia portuguesa”.
“A reunião de trabalho [com Macron] não podia ter corrido melhor. Este é um bom momento das relações entre Portugal e França e isso ficou reforçado durante e no final da reunião”, afirmou.
O Presidente da República salientou que passou em revista com Emmanuel Macron os “vários setores da cooperação” entre Portugal e a França, “designadamente em termos económicos, culturais, e energéticos”.
“E ficou claramente assumida, por parte do Presidente francês, a vontade de realizar, desejavelmente até ao final do ano, a primeira cimeira entre Portugal e a França, como decorre do tratado de amizade que foi assinado o ano passado, dando já prioridade ao ensino da língua portuguesa e francesa”, anunciou.
A nível de política externa, Seguro indicou que Portugal partilha com França “valores comuns”, designadamente no que se refere à defesa do multilateralismo, “à resolução pacífica dos conflitos, ao respeito pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas”.
O chefe de Estado português referiu que essa convergência foi visível quando se discutiram as atuais “crises mundiais”, designadamente a guerra na Ucrânia, a necessidade de livre circulação no Estreito de Ormuz ou de se “encontrar soluções de paz no Médio Oriente”.
“Naturalmente isso passa por haver um acordo entre os Estados Unidos e o Irão, passa por haver paz também no Líbano, e também passa por haver um olhar mais atento com soluções de paz e de respeito pelos direitos humanos em Gaza”, defendeu.
No que se refere à coordenação ao nível da União Europeia (UE), Seguro disse haver igualmente uma “grande convergência de pontos de vista” quanto à necessidade de o bloco aprofundar a sua autonomia estratégica.
O Presidente da República considerou assim que a reunião com Macron foi “muito, muito produtiva e isso também se transfere depois para um bom ambiente de investimento”.
Antes destas declarações aos jornalistas, num encontro com empresários portugueses na Embaixada de Portugal em Paris, António José Seguro reiterou que as relações entre Portugal e França estão “num bom momento, muito positivo”.
Dirigindo-se aos empresários, António José Seguro disse ter “orgulho no que estão a fazer” e defendeu que o país precisa de aumentar as exportações para França.
“É muito importante que nós aumentemos as nossas exportações para França, esse é um propósito muito claro”, insistiu nas declarações aos jornalistas.
Questionado se, na sua reunião com Macron, também discutiu as relações com os países africanos, Seguro disse que esse foi um tema presente na reunião e também há “uma afinidade e convergência quanto ao que deve ser feito” nessa vertente.
“Eu próprio receberei ainda neste mês de julho em Lisboa o Presidente de Moçambique, que vem participar numa reunião muito importante de cooperação com África, e farei a minha primeira visita a África, começando precisamente por Cabo Verde, no final deste mês”, indicou.
Sobre se essa discussão também incluiu um pedido para que Macron tentasse interceder para aliviar as tensões entre Portugal e a Guiné-Bissau, Seguro respondeu que as questões africanas, incluindo a Guiné-Bissau, foram abordadas na reunião.




