O presidente da Universidade Politécnica de Bragança (UPB) afirmou ver com “alegria e surpresa” o anúncio do primeiro-ministro sobre transformar a instituição na Universidade de Bragança e do Norte Interior, acreditando que vai atrair investimento e alunos.
“Nós tínhamos a garantia do senhor ministro de que o nosso processo estava em análise e em andamento e teria um desfecho durante o segundo semestre deste ano, ou seja, até ao final do ano e, portanto, eu imaginava que acontecesse um pouco mais tarde”, afirmou, à Lusa o presidente do UPB, Orlando Rodrigues.
A instituição já tinha solicitado a transformação de politécnico para universidade há vários meses, no seguimento de também o Governo ter transformado os politécnicos do Porto e de Leiria em universidades.
Segundo Orlando Rodrigues, o politécnico de Bragança sempre se “destacou entre as instituições politécnicas”, pela “capacidade científica”, mas esta mudança vai permitir “uma afirmação muito diferente da instituição”, mas também angariação de financiamento internacional e de atração de estudantes.
“O que muda é o estatuto, isso dá-nos outras capacidades, outras ferramentas de nos afirmarmos, de atrairmos alunos, de atrairmos talento internacionalmente. Nós somos uma universidade muito internacionalizada e precisávamos claramente desta transformação”, vincou.
Os cursos terão de ser todos “reapreciados” para se enquadrarem no estatuto de universidade, que o presidente da instituição acredita que estará concluído até ao final deste ano letivo, 2026/2027.
O politécnico de Bragança, no início do mês de agosto, passou de Instituto Politécnico de Bragança, para Universidade Politécnica.
No entanto, em breve deixará de ser politécnico e passará a Universidade de Bragança e do Interior Norte, anunciou dia 30 o primeiro-ministro, Luís Montenegro, durante o seu discurso na 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide.
A Universidade Politécnica de Bragança é composta por seis escolas: a Escola de Saúde, a Escola de Educação, a Escola Agrária e a Escola de Tecnologia e Gestão, em Bragança, a Escola de Comunicação, em Mirandela, e a Escola de Hotelaria e Bem-estar, em Chaves. Acolhe cerca de 10 mil estudantes, dos quais 30% são estrangeiros.
Região
Para o presidente da Comunidade Intermunicipal, o anúncio é a “cerejinha no topo do bolo” de uma série de investimentos na região, disse à Lusa.
“É um dia feliz. (…) Haver a visão de criar uma universidade que não será só do distrito de Bragança, mas é mais que isso. Ao ter a nomenclatura do interior, terá abrangência muito maior. Agregar e consolidar um centro de conhecimento necessário para desenvolvimento efetivo e sustentável do nosso interior, incluindo o distrito de Bragança e a sub-região transmontana”, destaca o também presidente da Câmara de Vila Flor, eleito pelo PSD.
O social-democrata nota que o esforço de criação de uma universidade, alicerçada no Instituto Politécnico de Bragança, agora designado Universidade Politécnica de Bragança, deve-se a esta instituição de ensino superior, elogiando o Governo por não ter deixado “para trás” a região, depois das mudanças no Porto e Leiria, entretanto alargadas a outros institutos.
O presidente da CIM transmontana destacou outros avanços no interior do país, das “zonas brancas de cobertura de rede digital” à ponte do rio Maçãs, e diz que o anúncio de hoje é “muito positivo”, por ajudar a capacitar a região em termos de conhecimento, inovação e tecnologia, a partir do “bom trabalho” que já é feito ali.
“Sem conhecimento não há desenvolvimento. (…) Vislumbramos um futuro com estas ferramentas, que poderá ser o que nós realmente quisermos, o que merecemos, como transmontanos, como distrito, como interior. É uma visão muito correta do Governo. Isto, sim, é coesão territorial, não só distribuição litoralizada dos recursos”, defendeu.
Para a presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira (PS), “fez-se justiça” e foram ouvidas as “pretensões do nosso território”.
“A partir do momento em que o politécnico de Leiria e o politécnico do Porto também passaram a universidade, tendo o politécnico de Bragança indicadores científicos e académicos ao mesmo nível e superiores, não se entendia por que razão tinha ficado para trás. Lamento que não tenha sido logo na fase inicial, mas fico naturalmente muito satisfeita por se ter corrigido esse erro”, afirmou.
A autarca é investigadora no Politécnico de Bragança, onde também já foi vice-presidente.
“Lutámos muito para isso. Trouxemos esta dignidade institucional, trouxemos reconhecimento nacional e internacional, nomeadamente em termos científicos e estamos a falar, hoje, de uma instituição que é das poucas politécnicas que tem um quadro de investigadores, foi das primeiras a nível nacional a apostar no quadro de investigadores científicos, tem centros de investigação com classificação de excelência, tem uma diversidade de oferta formativa a vários níveis”.



