Na cidade do Vaticano, neste 18 maio, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ofereceu um rosário ao Papa Leão XIV e disse que Portugal espera pela visita do líder da Igreja Católica.
“Portugal está consigo e espera por si”, disse Marcelo Rebelo de Sousa ao Papa Leão XIV, durante uma sessão de cumprimentos, depois da missa de início do Pontificado, na Cidade do Vaticano.
O Presidente da República também ofereceu um rosário da Nossa Senhora de Fátima ao líder da Igreja Católica.
Nascido nos Estados Unidos e com carreira eclesiástica no Peru, o cardeal Robert Prevost foi eleito Papa em menos de 24 horas pelos cardeais, num momento em que persistem tensões internas na Igreja Católica sobre as mudanças a introduzir na relação com a sociedade, com diferentes ritmos conforme os territórios.
“Amor e unidade: estas são as duas dimensões da missão que Jesus confiou a Pedro”, fundador da Igreja, disse o Papa durante a homília.
“No nosso tempo, ainda vemos demasiada discórdia, demasiadas feridas causadas pelo ódio, a violência, os preconceitos, o medo do diferente, por um paradigma económico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres”, sustentou o sucessor do argentino Francisco.
Futuro
Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que Leão XIV é “um Papa virado para o futuro e não para o passado” e destacou a disponibilidade do líder católico para mediar conflitos, nomeadamente na Ucrânia.
O chefe de Estado português, que assistiu à missa de início do Pontificado de Leão XIV, neste domingo, elogiou “esta posição que é de estar atento ao mundo, aos problemas do mundo, aos problemas econômicos e sociais, problemas que se levantam hoje e que são em muitos casos mais graves e mais urgentes do que eram há uns anos”.
Em declarações à RTP ao final do dia, junto ao Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “não é por acaso que o Papa acaba por receber em audiência privada, específica, o Presidente ucraniano [Volodymyr Zelensky]”.
Com este gesto, o Papa “está a dar um sinal de que, se for necessário, está disponível e tem disponibilidade física e mental para ajudar a construir a paz que não há meio de dar passos positivos, como vimos nas últimas semanas e nos últimos dias”, considerou o Presidente.
Sobre a missa, Marcelo Rebelo de Sousa disse ter ficado “impressionado” por o novo pontífice ter “separado aquilo que é a homília religiosa da alocução mais virada para a realidade atual”, já no final da cerimônia, em que abordou “a guerra, a paz, a disponibilidade para mediar na paz”, mostrando “como está preocupado com essa matéria, que preocupava o Papa Francisco”.
“[Leão XIV] falou muitas vezes no Papa Francisco, como que para dizer ‘eu estou na linha do Papa Francisco’”, comentou ainda.
O Presidente destacou ainda o fato de, nesta cerimônia, ter havido “mais representações ainda do que na missa de exéquias do Papa Francisco”, com a presença de 25 a 30 chefes de Estado e muitos chefes de Governo, presidentes de parlamento ou ministros responsáveis por pastas fundamentais.
“O mais importante é que estavam presentes todos os continentes e também personalidades cimeiras”, nomeadamente o Presidente ucraniano e o vice-presidente norte-americano, JD Vance, assinalou.
O chefe de Estado salientou ainda “a forma simpática como o Papa reagiu aos cumprimentos do povo português e do Estado português”.
“Falei-lhe como Portugal acolheria, quando entendesse oportuno no meio de tanta coisa que tem como missão fundamental, uma vinda a Fátima ou a Portugal, em geral”, acrescentou.
Leão XIV foi eleito como o 267.º Papa da História, sucedendo a Francisco (2013-2025), que morreu em abril.
Robert Francis Prevost, o novo pontífice, de 69 anos, também tem a cidadania peruana depois de ter vivido a maior parte da vida no país andino.
Igreja unida

Leão XIV propôs uma Igreja católica unida e missionária contra as “feridas causadas pelo ódio” e “por um paradigma econômico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres”.
“No nosso tempo, ainda vemos demasiada discórdia, demasiadas feridas causadas pelo ódio, a violência, os preconceitos, o medo do diferente, por um paradigma económico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres”, afirmou Leão XIV, na sua homilia da missa de início do Pontificado para que foi eleito há semana e meia pelos cardeais, sucedendo a Francisco.
Nascido nos EUA e com carreira eclesiástica no Peru, o cardeal Robert Prevost foi eleito Papa em menos de 24 horas pelos cardeais, num momento em que persistem tensões internas na Igreja Católica sobre as mudanças a introduzir na relação com a sociedade, com diferentes ritmos conforme os territórios.
“Amor e unidade: estas são as duas dimensões da missão que Jesus confiou a Pedro”, fundador da Igreja, começou por dizer o novo Papa.
“Gostaria que fosse este o nosso primeiro grande desejo: uma Igreja unida, sinal de unidade e comunhão, que se torne fermento para um mundo reconciliado”, disse Leão XIV aos milhares de fiéis presentes e perante vários chefes de Estado e governantes, entre os quais o Presidente português.
Depois de um percurso de papamóvel na Praça de São Pedro, cumprimentando os milhares de peregrinos que se juntaram para participar na missa de início de Pontificado, Leão XIV pediu uma “Igreja missionária, que abre os braços ao mundo, que anuncia a palavra, que se deixa inquietar pela história e que se torna fermento de concórdia para a humanidade”.
“Queremos ser, dentro desta massa, um pequeno fermento de unidade, comunhão e fraternidade”, afirmou, prometendo uma Igreja evangelizadora, um “caminho a percorrer também com as Igrejas cristãs irmãs, com aqueles que percorrem outros caminhos religiosos, com quem cultiva a inquietação da busca de Deus, com todas as mulheres e todos os homens de boa vontade para construirmos um mundo novo onde reine a paz”, disse o Papa.
No seu primeiro discurso público, imediatamente após a sua eleição, Leão XIV já tinha pedido uma “paz desarmada e desarmante”
Missionário agostiniano, Leão XIV pediu um “espírito missionário” para a Igreja que agora lidera.
“Sem nos fecharmos no nosso pequeno grupo nem nos sentirmos superiores ao mundo; somos chamados a oferecer a todos o amor de Deus, para que se realize aquela unidade que não anula as diferenças, mas valoriza a história pessoal de cada um e a cultura social e religiosa de cada povo”, disse o sucessor de Francisco, que o nomeou cardeal e Prefeito do Dicastério dos Bispos.
“A morte do Papa Francisco encheu os nossos corações de tristeza e, naquelas horas difíceis, sentimo-nos como as multidões que o Evangelho diz serem ‘como ovelhas sem pastor’”, recordou.
Sobre o Conclave, o novo Papa salientou que os cardeais que compõem o colégio eleitoral chegaram a Roma “com histórias diferentes e a partir de caminhos diversos” e procuraram eleger “um pastor capaz de guardar o rico património da fé cristã e, ao mesmo tempo, de olhar para longe, para ir ao encontro das interrogações, das inquietações e dos desafios de hoje”.
“Fui escolhido sem qualquer mérito e, com temor e tremor, venho até vós como um irmão que deseja fazer-se servo da vossa fé e da vossa alegria, percorrendo convosco o caminho do amor de Deus, que nos quer a todos unidos numa única família”, disse o Papa.




