O chefe de Estado português, António José Seguro, felicitou hoje Lula da Silva pela reeleição como Presidente do Brasil e expressou otimismo quanto ao reforço da colaboração bilateral pela paz e direitos humanos.
Numa mensagem publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, António José Seguro “apresenta as suas felicitações a Luiz Inácio Lula da Silva pela sua reeleição como Presidente da República Federativa do Brasil” na segunda volta das eleições presidenciais, no domingo.
O Presidente português “expressa a vontade de continuar a colaborar com o seu homólogo brasileiro no aprofundamento do relacionamento entre Portugal e o Brasil, que não se esgota na vertente bilateral, mas se estende também ao domínio multilateral, nomeadamente na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e no quadro da cooperação entre os Estados ibero-americanos”.
“Num mundo que permanece marcado por desafios que nenhum país pode enfrentar sozinho, o Presidente da República expressa ainda o seu otimismo quanto à possibilidade de Portugal e o Brasil estreitarem a sua colaboração em prol de causas globais, como o reforço da paz e da segurança, a defesa do direito internacional e dos direitos humanos, bem como a promoção do desenvolvimento sustentável, em particular no âmbito da Organização das Nações Unidas”, lê-se na nota.
António José Seguro refere que Portugal mantém com o Brasil “uma longa e estreita relação bilateral, assente numa língua comum, numa história partilhada e em fortes laços, não apenas políticos, económicos e culturais, mas também pessoais e familiares” e salienta “as significativas comunidades de cada país que integram a sociedade do outro”.
Também o primeiro-ministro português felicitou Lula, dizendo querer continuar a aprofundar a parceria entre dois países “unidos na resposta aos desafios internacionais” pela paz e diálogo.
“Felicito Lula da Silva pela sua vitória nas eleições presidenciais brasileiras. Países irmãos, unidos pela História, por uma língua que tanto nos aproxima e afirma internacionalmente e por profundos laços humanos que se fortalecem diariamente, Portugal e o Brasil, importantes parceiros económicos, estão também unidos na resposta aos desafios internacionais pela via da paz e do diálogo”, refere Luís Montenegro, numa publicação na rede social X.
O primeiro-ministro acrescentou que é essa parceria entre Portugal e Brasil que quer “continuar a aprofundar”: “Pela prosperidade e o desenvolvimento de todos”, conclui.
No segundo turno disputada no domingo, o antigo operário e sindicalista, do Partido dos Trabalhadores (PT), conseguiu reverter, de forma inédita, a desvantagem da primeira volta, em que ficou em segundo lugar, atrás do filho de Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), disse que não reconhecia a derrota e que iria pedir a anulação das eleições, criticando a prorrogação do prazo de fecho das urnas por duas horas, decidida na sequência da denúncia de problemas nos transportes públicos que prejudicaram a mobilidade de eleitores.
“Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diferentes estados. Eu nunca vou saber em estados que as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, disse Flávio Bolsonaro.
Lula da Silva, que fará 81 anos na terça-feira, está a terminar o seu terceiro mandato presidencial, para o qual foi eleito em 2022, quando derrotou o então Presidente em exercício Jair Bolsonaro – que atualmente cumpre prisão domiciliária por tentativa de golpe de Estado.
Os dois mandatos primeiros mandatos de Lula como Presidente da República do Brasil foram entre 2003 e 2011.
Após fazer um discurso de agradecimento, Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a reeleição para um quarto mandato, prometendo que será o melhor da história do Brasil, rodeado por milhares de apoiantes na Avenida Paulista, em São Paulo. “Esse meu quarto mandato será o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país”, prometeu o líder histórico brasileiro.
Lula da Silva, agradeceu ao povo brasileiro e, em particular, aos jovens que foram “para a rua defender a democracia”. “Agradecer à generosidade da juventude brasileira que foi para rua defender a democracia”, disse o chefe de Estado brasileiro.
Ao celebrar a mobilização eleitoral, Lula declarou que a votação registou “o menor número de abstenções da história” e “o menor número de votos nulos”.
A percentagem de abstenção, 19,2%, foi a mais baixa registrada numa segunda volta das eleições presidenciais desde as eleições de 2006, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito pela primeira vez frente a Geraldo Alckmin, atual vice-presidente de Lula.
De acordo com os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral do Brasil, com 99,99% dos votos apurados, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 52% dos votos, contra 48% obtidos por Flavio Bolsonaro, candidato que anunciou a intenção de anular a votação.



