Ronaldo diz que ouviu de Jesus “expressões e uma agressividade” que não merecia

Foto reprodução/CR7

 O craque Cristiano Ronaldo afirmou neste dia 06 que ouviu do treinador português de futebol “expressões e uma agressividade” que não merecia, salientando que Jorge Jesus lhe faltou à palavra mais do que uma vez.

Ronaldo começou por referir que tinha preparado uma carta de despedida após o Mundial2026 e explicou que no voo de regresso dos Estados Unidos o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, lhe pediu para continuar e solicitou a sua opinião sobre o nome de Jorge Jesus para substituir Roberto Martínez no cargo.

“Respondi ao presidente da FPF que, em minha opinião, seria a escolha certa”, escreveu Ronaldo, numa carta divulgada.

O avançado, que abandonou o estágio, por iniciativa própria, antes do duelo com a Dinamarca, da terceira jornada do Grupo A4 da Liga das Nações, refere que se encontrou com Jorge Jesus, que lhe disse que a sua “presença era fundamental para o seu projeto”.

O avançado referiu que o encontro decorreu na Cidade do Futebol, em Oeiras, na presença do diretor desportivo do Al Nassr, Simão Coutinho, com Ronaldo a lembrar que era a pessoa a quem Jesus “reportava na época passada” ao serviço da formação saudita e que foi uma dos responsáveis pela sua contratação em 2025.

“Disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo. Nessa altura, colocou-me a hipótese de eu não viajar com a Seleção para Noruega e Dinamarca (…). Recusei de imediato esta proposta. Parecia-me evidente que não a poderia aceitar. Não seria por não jogar os jogos no estrangeiro que deixaria de capitanear a nossa equipa. Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo”, explicou.

Sem nunca utilizar o nome de Jesus, Ronaldo referiu que aconteceu novo encontro em Lisboa, na véspera do início do estágio, em que foi mantido o que estava acordado, até que foi informado da intenção do selecionador em o utilizar na partida com a Noruega, pela hora de almoço do dia da partida.

“Obviamente disse que sim. Respondeu-me que então estivesse preparado porque jogaria 30 minutos. O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado. O selecionador tinha-me falhado com a sua palavra. No fim do jogo só queria que tudo acabasse com a vitória e ficar sozinho. Não fui cumprimentar os adeptos. Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido”, recordou.

Passados dois dias, o avançado revelou nova conversa com Jesus, cujo nome nunca utilizou no esclarecimento hoje divulgado, e Simão Coutinho num “momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro”, sendo acordado, segundo Ronaldo: “O selecionador repetisse o que acabara de me dizer ali em privado, na presença do Simão Coutinho, mas na sala de imprensa”.

“Acabámos essa reunião com o selecionador a pedir-me um abraço, a prometer-me que ia dizer na conferência o que acabara de me dizer a mim e que o assunto se ultrapassava. Eu não jogaria na Dinamarca e jogaria o jogo do Dragão (…). A pedido do selecionador, decorreu depois uma reunião entre ele mesmo, o Simão Coutinho e o Tiago Craveiro em videoconferência, em que se resumiu aquilo que falámos”, explicou.

Ronaldo afirmou que foi produzido um “pequeno documento” que o próprio validou, com oito pontos, sendo o mesmo entregue ao selecionador “tal como ele havia solicitado”.

“A conferência foi o que se conhece: a postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera”, lamentou, assegurando que nunca exigiu que o técnico lhe pedisse desculpa.

Os oito pontos do documento passavam por revelar que o plano de utilização foi proposto por Jesus e aceite por Ronaldo, reconhecer que o avançado não questionou as suas escolhas e que errou ao colocar o dianteiro a aquecer na Noruega para depois não o utilizar.

Outro dos tópicos passava por afirmar que pretendia Ronaldo na seleção e o último por explicar a reação do avançado sem cumprimentar os adeptos, frisando que foi “um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma”.

O capitão da seleção portuguesa diz que foi a “segunda vez” que o selecionador lhe faltou à palavra e que, então, decidiu abandonar o estágio “sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra”.

Cristiano Ronaldo, de 41 anos, é o recordista de jogos (com 234), e golos pela seleção portuguesa (146), tendo capitaneado a equipa das ‘quinas’ nos triunfos no Campeonato da Europa de 2016 e nas edições de 2019 e 2025 da Liga das Nações.

Jesus

Jorge Jesus reconheceu na Dinamarca que não devia ter colocado o avançado Cristiano Ronaldo a aquecer tanto tempo no jogo na Noruega, um dos oito pontos defendidos pelo futebolista.

Na sala de imprensa, Jesus acabou por assumir que tinha elaborado um plano de utilização do capitão, que passava por não jogar na Noruega e na Dinamarca, mas pensou que o avançado podia ser útil durante alguns minutos, com Ronaldo a “não se negar a nada”.

Jesus acabou por dizer que o jogo ditou pela não utilização do capitão, referindo que, como selecionador, ninguém vai mudar as suas ideias.

O documento revelado por Ronaldo tinha outro ponto que passava por assumir que o selecionador errou ao colocar o dianteiro a aquecer na Noruega para depois não o utilizar.

“Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria”, lê-se no ponto seis revelado por Ronaldo.

Na conferência, Jesus acabou por também falar sobre o tema e recorreu mesmo às antigas estrelas brasileira e argentina.

“Qualquer jogador que está a aquecer 20 ou 30 minutos e depois não entra, não fica contente. Quanto mais o Cristiano Ronaldo, tem estatuto, quanto mais fosse o Pele ou o Maradona. Isso é o estatuto”, disse Jesus, que depois acabou por dizer que tinha feito mal em colocar Ronaldo a aquecer cedo demais.

Outro dos tópicos no documento assinado pelo dianteiro passava por afirmar que pretendia Ronaldo na seleção e o último por explicar a reação do avançado sem cumprimentar os adeptos, frisando que foi “um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma”.

Jesus não abordou de forma direta alguns dos oito pontos, numa conferência em que apenas pretendia responder a duas perguntas sobre o caso, mas depois permitiu mais algumas, rejeitando a existência de um caso com Ronaldo.

Já Ronaldo, que acusou o selecionador de lhe faltar à palavra, considerou a postura do selecionador na conferência “não teve nada a ver” com a reunião, revelando que ouviu “expressões e uma agressividade” que não merecia e uma atitude de “quero, posso e mando que nunca me manifestou”.

Cristiano Ronaldo, de 41 anos, é o recordista de jogos (com 234), e golos pela seleção portuguesa (146), tendo capitaneado a equipa das ‘quinas’ nos triunfos no Campeonato da Europa de 2016 e nas edições de 2019 e 2025 da Liga das Nações.

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