A FIFA deixou hoje nas redes sociais um agradecimento ao futebolista Cristiano Ronaldo, que abandonou a seleção portuguesa, e assinalou os seis Campeonatos do Mundos em que o madeirense participou e marcou ao serviço de Portugal.
“Obrigado, Cristiano”, lê-se na rede social X, na página oficial da FIFA para os Mundiais, numa publicação em que aparece uma imagem com dois Ronaldos, um ainda com a camisola ’17’ de Portugal, referente à participação no seu primeiro Campeonato do Mundo, em 2006, na Alemanha, e outro já com o ‘7’ e a braçadeira de capitão, que aconteceu recentemente no Mundial2026, nos Estados Unidos, México e Canadá.
Também o presidente da Liga Portuguesa de Futebol profissional (LPFP), Reinaldo Teixeira, considerou hoje que a retirada de Cristiano Ronaldo da seleção nacional “impacta com o sentir de muita gente e à escala planetária”.
“Tenho poucas dúvidas quando afirmo que se trata de uma personalidade transversal aos países e às culturas, algo de que nos podemos orgulhar, como portugueses, sempre pelo modo como se afirmou: nosso”, refere Reinaldo Teixeira no sítio oficial do organismo na internet.
O dirigente destaca “o percurso de Cristiano Ronaldo, enquanto pessoa e futebolista”, que “há muito se confunde com o nome de Portugal”.
“Ele é – e continuará a ser por muitos anos – um símbolo da nossa identidade cultural e do valor incomensurável que empresta a esta paixão comum a muitos milhões de cidadãos pelo mundo fora: o futebol”, adianta.
Reinaldo Teixeira refere que o legado de Cristiano por Portugal “não cabe em meia dúzia de linhas ou de comentários”.
“E continuará a dar. É minha convicção de que apesar de ter despido, em definitivo, a camisola da seleção, o sentir-se e saber-se português será veste que permanecerá na sua pele e nas suas emoções”, considera.
Para o presidente da LPFP, “Cristiano Ronaldo saberá entrelaçar o seu ocaso enquanto jogador com a indústria e a arte que marcou desde que o seu nome começou a espelhar sensações de espanto”.
“A sua história será eterna, tal como a nossa gratidão, pelo que nos deu e continuará a dar. Em nome da Liga Portugal, e em meu nome pessoal, muito obrigado. Será sempre Portugal, Cristiano Ronaldo”, afirma ainda Reinaldo Teixeira.
O presidente do Sindicato dos Jogadores enalteceu hoje o legado de Cristiano para o futebol português, considerando que o legado do capitão da seleção nacional “será eterno”, após o anúncio da retirada da equipa das ‘quinas’.
O dirigente sublinhou que o percurso do avançado ao serviço de Portugal representou as aspirações do país durante décadas. E considera que Ronaldo criou “um impacto de dimensão mundial, que não tem comparação na nossa história”, sublinhando que o seu legado “é muito mais do que futebolístico”, apesar de estar associado aos recordes e às maiores conquistas da seleção portuguesa.
Evangelista destaca ainda a influência do internacional português nas gerações mais novas, que cresceram a olhar para os seus feitos como “o mais elevado padrão de profissionalismo e excelência”.
“A palavra que o Sindicato dos Jogadores tem é da maior gratidão.”, afirma o presidente do organismo, que agradece a Ronaldo “a entrega, a paixão e o orgulho” com que defendeu as cores nacionais. “A tua história na Seleção termina, mas o legado que construíste será eterno. Obrigado, capitão. Obrigado, Cristiano Ronaldo”, conclui Joaquim Evangelista.
O Manchester United, clube no qual Cristiano Ronaldo se notabilizou na elite do futebol, agradeceu hoje ao avançado pela “fantástica carreira internacional”. “Tudo de melhor, Cristiano – e parabéns pela fantástica pela carreira internacional, na qual fizeste o teu país orgulhoso”, escreveu o clube na sua página oficial.
Cristiano Ronaldo cresceu para o futebol mundial ao serviço dos ‘red devils’, emblema ao qual chegou em agosto de 2023, depois de entusiasmar o treinador Alex Ferguson num particular que a equipa inglesa disputou com o Sporting.
O brasileiro Luiz Felipe Scolari, técnico que lançou Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa, considerou hoje que o avançado, “um dos melhores futebolistas” que treinou, tomou a decisão correta ao concluir a carreira pela equipa das ‘quinas’.
“Fico feliz que ele tenha tomado essa decisão. Estará sempre comigo e no meu coração, que é por Portugal, por ele, pelas pessoas que lá conheci e convivi. Fez bem, está tranquilo, tomou a decisão correta e foi um dos atletas que Portugal jamais esquecerá”, afirmou Scolari, através de mensagem de vídeo divulgada pelo departamento de comunicação do Grêmio, clube no qual é coordenador técnico.
“Foi um dos grandes jogadores que tive a honra de dirigir, não só como futebolista, mas como ser humano. Ele fez tudo o que queríamos que fizesse, conseguiu tudo o que desejava, pois esforçava-se para isso. Sempre teve uma capacidade acima da média”, elogiou Luiz Felipe Scolari, selecionador português entre 2003 e 2008.
O primeiro a convocar Cristiano Ronaldo, de apenas 18 anos, à seleção principal, num duelo particular frente ao Cazaquistão, em 2003, em Chaves, agradeceu ao madeirense, com quem partilhou a final de má memória do Euro2004, em Lisboa.
“Como amigo e admirador, jamais esquecerei tudo o que fez comigo e com todos os seus colegas. Não era só eu que falava bem, foi através do Flávio Murtosa [ex-adjunto de Scolari] que fomos ver o Ronaldo e tratava-se dessa pessoa e jogador espetacular e maravilhoso que foi. Desejo sempre o melhor para ele”, expressou.
Já o treinador português de futebol, Jorge Jesus, afirmou hoje que o fim da carreira de Cristiano Ronaldo na seleção é uma decisão do jogador, que tem de aceitar, salientando que o avançado vai ser sempre uma referência.
“É uma decisão dele, nós falámos antes da primeira convocatória sobre isto, eu pedi-lhe para continuar comigo porque precisava que ele estivesse ao pé de mim, mas tenho de aceitar a decisão dele”, disse, em declarações ao Canal 11.
“Vai ser sempre uma referência da nossa seleção, do nosso povo e da nossa história. No auditório, mandei colocar uma grande imagem dele para que todos os jovens e colegas tenham lá presente a referência dele”, revelou. “Vai sempre estar no coração dos portugueses, da seleção e ele será sempre uma referencia do futebol português”, concluiu.
CR7
Recordista mundial de jogos por seleções, com 234 internacionalizações ‘AA’, e de gols, com 146, Cristiano Ronaldo tem como pontos altos da carreira na seleção a conquista do Euro2016, em França, bem como duas edições da Liga das Nações, em 2019 e 2025, depois da final de má memória do Euro2004, em casa.
Ronaldo é o único jogador da história da competição a marcar em seis edições da Copa do Mundo da Fifa e partilha com Lionel Messi, que também disse adeus recentemente à Argentina, o recorde de mais presenças.
O madeirense esteve em 27 jogos de Campeonatos do Mundo e, no Mundial2026, chegou aos 11 gols, ultrapassando o recorde de Eusébio, que era de nove já desde 1966.
O avançado Cristiano Ronaldo, de 41 anos, anunciou hoje a retirada da seleção portuguesa de futebol, através de um vídeo divulgado nas suas redes sociais, na véspera de serem conhecidos os convocados para os últimos dois jogos da fase de qualificação da Liga das Nações.
No dia 30 de setembro, o avançado abandonou o estágio da seleção portuguesa na véspera da partida frente à Dinamarca, da Liga das Nações, em Copenhaga, no início do ciclo de Jorge Jesus no comando técnico da seleção.
Ronaldo, que foi titular com o País de Gales e suplente não utilizado com a Noruega, revelou que Jesus lhe faltou à palavra mais do que uma vez e que por isso decidiu abandonar o estágio por iniciativa própria, decisão que lhe custou um castigo de 30 dias, já cumprido, e uma multa de 255 euros.
O último jogo pela equipe das ‘quinas’ acabou por ser o triunfo frente ao País de Gales (1-0) disputado no dia 24 de setembro, na primeira jornada do Grupo A4 da Liga das Nações, no Estádio José Alvalade, em Lisboa, mais de 23 anos depois da estreia no dia 23 de agosto de 2003, em Chaves, num particular frente ao Cazaquistão.
Já o último gol com a camisa lusa foi marcado no triunfo frente à Croácia (2-1), nos 16 avos de final do Mundial2026, em 03 de julho, em Toronto, no Canadá, ao converter uma grande penalidade.



