Presidenciais: Ventura diz na Suíça que emigrantes “vão ser decisivos” na segunda volta

RUI MINDERICO/LUSA

O candidato presidencial apoiado pelo Chega, André Ventura, apelou dia 22, na Suíça, à participação dos emigrantes portugueses na segunda volta das eleições, dizendo-lhes que, pela primeira vez na história democrática, o seu voto “será decisivo”.

Num jantar-comício na localidade de Volketswil, no cantão de Zurique, que juntou perto de 250 emigrantes, o líder do Chega, que, à chegada, já acusara PSD, mas também CDS e Iniciativa Liberal, de se juntarem ao “tacho de interesses” por manifestações de apoio ao candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, apelou a uma participação em massa dos emigrantes na segunda volta para “mudar o sistema”, em que estão “todos contra um”.   

“Eles não queriam que vocês votassem e vocês votaram. Não queriam que passássemos à segunda volta, mas passámos. Agora estão todos contra nós. Mas quero dizer isto, e não só para esta sala e para os que estão aqui, mas para todos os emigrantes no mundo inteiro: é a primeira vez na nossa história democrática em que os emigrantes vão ser decisivos”, declarou.

“Se 80% dos nossos emigrantes fora votarem, nós teremos um Presidente da República Portuguesa que quer cortar com o sistema. Se não votarem, teremos mais do mesmo com António José Seguro, e nós não podemos ter mais 10 anos de mais do mesmo”, disse.

Sob gritos de “A 8 de fevereiro, Ventura é primeiro”, o candidato apoiado pelo Chega insistiu que os partidos do “sistema” estão a dificultar o voto dos emigrantes, ao exigir voto presencial, e disse que o fazem porque sabem que os votos de quem se viu forçado a sair de Portugal “não são no sistema”.

Afirmando por diversas vezes durante a sua intervenção que os emigrantes são “tratados como portugueses de segunda” e “descartáveis”, enquanto os imigrantes que chegam a Portugal “têm tudo de mão beijada”, reiterou que a sua “principal missão” é levar os emigrantes portugueses “de volta”, mas para que tal aconteça é necessário que votem a 8 de fevereiro.

“Não podemos continuar a importar o terceiro mundo para Portugal e gente que não acaba e deixar os melhores partir”, disse.

Insurgindo-se contra o debate sobre se Portugal deve ou não um pedido de desculpas pelo seu passado colonial, André Ventura disse que “a única desculpa” que o país deve “é a todas as famílias que tiveram de sair para Portugal em busca de uma vida melhor”.

Seguro

O candidato presidencial António José Seguro alertou hoje que “sondagens não elegem presidentes” e apelou ao voto, sublinhando que lidera uma candidatura que já não é só sua, “é uma candidatura de Portugal, uma candidatura dos portugueses”.

No Porto, ao lado do presidente da Câmara, Pedro Duarte, eleito pela coligação PSD/CDS/IL, António José Seguro mostrou-se otimista com um bom resultado na corrida a Belém, mas advertiu: “As sondagens não elegem presidentes Ainda ontem ouvi pessoas dizerem-me que isto está a ganho. Não, não está a ganho”.

“É preciso que cada portuguesa e cada português vote. E o maior número de votos é importante para que o próximo Presidente da República, que espero que seja eu, saia com uma legitimidade eleitoral reforçada”, referiu.

Questionado sobre os apoios que tem vindo a receber de vários quadrantes políticos, o candidato mostrou-se feliz, mas reforçou que no dia das eleições é preciso ir votar.

“Tenho sentido que esta candidatura já não é uma candidatura só minha, é uma candidatura de Portugal, é uma candidatura dos portugueses, é uma candidatura de todos os democratas, dos progressistas, dos humanistas”, disse

António José Seguro visitou esta manhã o Regimento de Bombeiros Sapadores do Porto e aproveitou para “expressar a solidariedade e também lamentar as ocorrências que houve em determinadas zonas do país” a propósito da depressão “Ingrid”.

“Sei que há vítimas humanas, não no sentido de haver mortos, felizmente, mas desalojados e que houve também consequências em termos de bens patrimoniais. Espero que a situação esteja agora mais amena, mas é uma preocupação que tenho e que vou acompanhando durante todo o dia”, disse.

No domingo, António José Seguro e André Ventura foram os mais votados na primeira volta das eleições para o Palácio de Belém e vão disputar a segunda volta, em 08 de fevereiro.

O candidato apoiado pelo PS e, agora, também por Livre, PCP e BE, conquistou 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obteve 23%.

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