Portugal vê com interesse em reforçar ligações aéreas e rotas turísticas com Venezuela

O ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, preside a assinatura de contratos no âmbito do Programa “Crescer com o Turismo”, Porto, 13 de março de 2026. JOSÉ COELHO/LUSA

 O ministro da Economia expressou interesse em reforçar as ligações aéreas entre Portugal e Venezuela, apontando que a compra de parte da TAP pela Lufthansa pode relançar a possibilidade de novas rotas com o país sul-americano.

O reforço e a expansão das ligações aéreas e das rotas turísticas entre Portugal e a Venezuela estiveram em destaque nas conversações oficiais decorridas segunda-feira em Caracas, com Manuel Castro Almeida a manifestar forte interesse em alargar a conectividade bilateral.

“É um assunto que foi conversado durante o dia de hoje [segunda-feira], e encaramos com muito interesse a possibilidade de reforçar as ligações aéreas entre Portugal e a Venezuela”, disse o ministro da Economia e da Coesão Territorial durante uma conferência de imprensa em Caracas, no âmbito de uma visita de três dias à Venezuela.

Castro Almeida respondia aos jornalistas, ao ser questionado sobre a possibilidade de alargar as rotas, ligando Caracas a regiões como a Madeira e outros pontos de Portugal, ou conectando cidades portuguesas a destinos turísticos venezuelanos como Canaima e Margarita.

“A TAP, a companhia de bandeira de Portugal, está num processo de transformação (…) uma parte importante da TAP acabou de ser comprada pela Lufthansa. E, portanto, a ligação da TAP com a Lufthansa torna a Lufthansa a quarta maior companhia aérea do mundo. E isso vai relançar a possibilidade de novas ligações com a Venezuela”, disse.

Apesar de reconhecer constrangimentos operacionais atuais, o ministro garantiu que existem alternativas viáveis no território português.

“Hoje há um problema conjuntural de capacidade no aeroporto de Lisboa, mas há vários outros aeroportos em Portugal capazes de receber voos da TAP, e vemos nisso grande interesse”, frisou.

A declaração surge no momento em que a TAP retomou, no passado dia 27 de outubro, as operações regulares a partir do Aeroporto Internacional de Maiquetía (que serve Caracas). As ligações da companhia de bandeira portuguesa estavam a ser realizadas temporariamente a partir da cidade de Valência devido aos constrangimentos de infraestruturas provocados pelo duplo sismo de 24 de junho.

A falta de programação de operações aéreas frequentes entre a capital venezuelana e o Funchal continua a ser uma das queixas recorrentes da comunidade portuguesa radicada na Venezuela, que se estima ser em mais de 80% originária da Madeira.

O ministro iniciou no domingo uma visita oficial de três dias à Venezuela com o objetivo de reforçar as relações políticas e económicas entre os dois países.

Acompanhado pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, e pela presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Ana Casaca, o ministro Manuel Castro Almeida terá vários encontros com as autoridades venezuelanas, em Caracas, e com representantes da comunidade portuguesa residente no país, de acordo com um comunicado enviado às redações.

A delegação que integra esta visita inclui cerca de 30 empresas portuguesas “representativas de setores-chave da economia nacional”, como energia, construção e equipamentos, banca, saúde e farmacêutica, tecnologia, alimentação, turismo e hotelaria.

Um dos momentos centrais desta deslocação vai ser o Fórum Empresarial Portugal-Venezuela, organizado pela AICEP, que visa identificar oportunidades de negócio e investimento e promover novas parcerias entre empresas dos dois países.

Segundo a nota de imprensa, durante esta deslocação será também anunciada a reabertura da representação da AICEP em Caracas.

O ministro da Economia e da Coesão Territorial enquadra a visita “na nova fase que a Venezuela atravessa e na qual Portugal quer estar presente”, tendo em conta uma proximidade resultante da relação histórica entre os dois países, da importância da comunidade portuguesa e lusodescendente e da capacidade das empresas portuguesas.

“[Esta missão] tem uma forte dimensão política, económica e empresarial, visando reforçar as relações entre os dois países e criar novas oportunidades para as empresas portuguesas em áreas onde temos experiência e capacidades reconhecidas”, refere o ministro, citado no comunicado.

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