Eleições Legislativas: Presidente pede Governo com “horizonte até 2026”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursa durante o 8.º Encontro Anual do Conselho da Diáspora Portuguesa, no Palácio da Cidadela em Cascais, 23 de dezembro de 2021. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Da Redação com Lusa

O Presidente de Portugal apelou a que das eleições legislativas de 30 de janeiro saia um Governo “com horizonte até 2026”, avisando que miniciclos políticos significariam “perder uma oportunidade”, sobretudo na reconstrução econômica e social do país.

No encerramento do 8.º Encontro Anual do Conselho da Diáspora Portuguesa, que decorreu neste dia 23 no Palácio da Cidadela, em Cascais, Marcelo Rebelo de Sousa destacou o fato de as eleições legislativas antecipadas acontecerem num momento decisivo das escolhas que o país tem de fazer sobre os fundos comunitários.

“Os portugueses têm agora a oportunidade, daqui até 30 de janeiro, de ponderar em conjunto as escolhas, quer no que respeito ao pós pandemia, quer no que respeita à gestão econômica e social, tendo presente que o esforço que vai ser exigido é um esforço de fôlego, não pode ser um esforço traduzido em miniciclos”, afirmou.

Para o chefe de Estado, esse cenário de curtos ciclos políticos significaria “perder a oportunidade, quer na gestão do que resta da pandemia, quer sobretudo de reconstrução econômica, seria perder uma oportunidade”

“De alguma maneira, as eleições permitem um horizonte até 2026”, frisou, referindo-se à duração normal de uma legislatura, quatro anos.

Pandemia

O presidente defendeu que a resposta à pandemia em Portugal tem sido “a correta”, e elogiou também o processo da terceira dose de reforço, destacando que Portugal arrancou antes de outros países.

“Quanto à pandemia, penso que a resposta que tem sido dado ao longo dos anos de 2020 e 2021 é a correta – tanto quanto é possível ir acompanhando flutuações e imprevisibilidades – que é o de fazer uma leitura que ao mesmo tempo previna, antecipe, mas não entre em alarmismos injustificados, este equilíbrio é difícil de fazer”, afirmou.

Na vertente da antecipação, o chefe de Estado destacou a vacinação, e salientou que “Portugal percebeu, comparado com vários países europeus, que devia antecipar várias fases” e apontou como exemplo a terceira fase, atualmente em curso.

“O caso sintomático é esta toma de reforço, vemos governantes de países importantes, nossos aliados na Europa, a anunciar para janeiro o arranque do que já está em curso em Portugal, passando de grupos críticos para outros que o não são, há semanas para não dizer quase dois meses”, salientou.

Marcelo Rebelo de Sousa salientou “o apoio fundamental das Forças Armadas” e dos profissionais de saúde e dos cientistas no combate à pandemia, mas sempre com a primazia para o poder político.

“Encontrou protagonistas impressivos para protagonizar um momento importante, sem que o poder político deixasse de tornar claro que caberia ao poder político a última palavra nestas matérias”, afirmou.

O chefe de Estado voltou a destacar em Portugal a “solidariedade institucional” entre os vários órgãos de soberania e a “maioria parlamentar esmagadora” que foi possível encontrar durante os estados de emergência de 2020 e 2021, e a “originalidade” das reuniões dos decisores políticos com os especialistas, depois até transmitidas em direto.

“Estamos a viver hoje um período que é diferente e de gestão sensível”, afirmou, contudo.

Para o Presidente da República, se é fundamental continuar a “reforçar a vacinação”, também é importante explicar que “a letalidade e da pressão sobre as estruturas de saúde” é hoje muito diferente do que foi há um ano em Portugal.

Citando os números da DGS de quarta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa apontou que há um ano havia “três vezes mais internamentos, 3,5 vezes mais internamentos em cuidados intensivos e sete vezes mais mortes”.

Por outro lado, defendeu, “a humanidade tem de se preparar para novas pandemias como esta”.

“Não se pode parar a economia, a sociedade e a política de cada vez que houver a emergência por grave que seja (…) Em democracia, significa que se tem de criar, do ponto de vista da mentalidade e da resposta jurídico-constitucional, um quadro que permita acomodar o que vai ser inevitável no futuro”, defendeu.

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