Polícia realiza buscas contra corrupção nos portos para entrada de cocaína na Europa

Porto de Sines

Atualizado 18h

Neste dia 25, a Polícia Judiciária (PJ) realizou buscas na área metropolitana de Lisboa, e em Setúbal, Sines e Leiria por suspeitas de corrupção nos portos visando a entrada na Europa de cocaína da América Latina, anunciou a instituição.

PJ deteve hoje quatro pessoas, das quais dois funcionários da Autoridade Tributária (AT), e constituiu 15 arguidos no âmbito da ‘Operação Porthos’ de combate ao tráfico de droga através dos portos nacionais.

De acordo com o comunicado da PJ, para além de quatro detidos e 15 arguidos resultantes da operação, foram ainda “apreendidos mais de meio milhão de euros em numerário, 10 viaturas e cinco armas de fogo e outras”.

Fonte judiciária adiantou à Lusa que cinco arguidos são funcionários da AT, dois dos quais foram detidos.

Em comunicado, a polícia informou que a operação Porthos “investiga a beneficiação de organizações criminosas dedicadas à exportação de elevadas quantidades de cocaína a partir da América Latina”.

“Estas organizações criminosas usam os portos marítimos nacionais como porta de entrada de produtos estupefacientes no continente europeu, dissimulados em diversos produtos acondicionados em contentores”, acrescenta a instituição.

A investigação resulta da cooperação policial internacional e em causa estão suspeitas de corrupção ativa e passiva, tráfico de estupefacientes e lavagem de dinheiro.

Segundo a CNN Portugal, a PJ suspeita de que funcionários da Autoridade Tributária nas alfândegas terão sido subornados pelo PCC – Primeiro Comando da Capital, do Brasil, e cartéis colombianos para deixar passar a droga.

No terreno, estiveram 150 inspetores e peritos da PJ e quatro magistrados do Ministério Público.

Contactado pela agência Lusa, o presidente do conselho de Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), José Luís Cacho, disse não ter tido “conhecimento oficial da operação” da PJ no porto alentejano.

“Não tivemos conhecimento oficial da operação no porto e nem deveríamos ter”, afirmou o responsável, acrescentando tratar-se de “uma questão normal”, tendo em conta que os portos “são pontos sensíveis e propícios a este tipo de atividades” ilícitas.

“Infelizmente estas coisas acontecem” e operações deste gênero “são importantes para garantir a segurança de todos”, vincou.

Apreensão

Na segunda-feira, agentes aduaneiros tinham apreendido no porto alentejano de Sines 264,4 quilos de cocaína dissimulada num contentor naval de produtos alimentares proveniente de Paranaguá, no Brasil, anunciou hoje a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).

Segundo a mesma fonte, a droga foi analisada através de testes rápidos que concluíram ser cocaína, transportada em 11 sacos que foram colocados atrás das portas de um contentor, “em cima de mercadoria legalmente declarada” de sacas de feijão transportadas para o porto de Sines.

A cocaína apreendida foi entregue pela AT à Polícia Judiciária, que é o órgão de polícia competente para a investigação criminal do tráfico de estupefacientes, de acordo com a legislação em vigor.

A investigação vai prosseguir, no âmbito de um inquérito dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) do Ministério Público.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também