Da Redação
Com Lusa
Na sexta-feira, o parlamento português aprovou, com a abstenção do deputado único do Chega, um projeto de resolução que recomenda que Aristides de Sousa Mendes seja homenageado no Panteão Nacional, proposto pela deputada Joacine Katar Moreira.
Esta recomendação – que não tem força de lei – pretende homenagear o antigo cônsul português na forma de um túmulo sem corpo, não implicando assim a habitual trasladação para o Panteão Nacional.
Desta forma, a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira propõe que o corpo continue no concelho de Carregal do Sal, terra onde nasceu e viveu Aristides de Sousa Mendes, preservando a importância cultural e econômica que a presença do corpo tem no turismo da região.
Depois de a iniciativa ter sido aprovada por unanimidade, na generalidade, no início de junho, hoje voltou a plenário para votação final global, tendo sido aprovada com a abstenção de André Ventura e votos favoráveis das restantes bancadas e da deputada não inscrita Cristina Rodrigues (ex-PAN).
A autora da recomendação, Jocine Katar Moreira, não participou na votação porque entrou hoje em quarentena voluntária depois de ter contactado com uma pessoa infetada pela covid-19. Numa nota enviada aos jornalistas, a deputada criticou a Assembleia da República por ter impossibilitado a sua participação ‘online’ em plenário.
O projeto recomenda também ao Governo a constituição de um grupo de trabalho, composto por um representante de cada grupo parlamentar, todos os deputados únicos e não inscritos, bem como outras entidades públicas envolvidas, que ficará encarregado de escolher a data, definir e executar o programa de panteonização de Aristides de Sousa Mendes.
Por iniciativa do PSD, aprovada pelos deputados na especialidade, serão também convidados a participar dois elementos da família de Aristides Sousa Mendes.
Esta foi a primeira iniciativa legislativa apresentada por Joacine Moreira, em 2019, quando ainda representava o partido Livre – força que lhe retirou a confiança política em janeiro do presente ano e da qual se desvinculou.

No texto apresentado e submetido à Assembleia da República, a deputada considera que Aristides de Sousa Mendes, “enquanto figura heroica da memória portuguesa, é patrimônio nacional, legado ético de todas e todos, é uma herança da sociedade civil e, sobretudo, um exemplo virtuoso para as gerações vindouras”.
Em meados de junho, o Conselho de Ministros aprovou o Programa Nacional em torno da Memória do Holocausto, intitulado “Projeto Nunca Esquecer”, que tem o objetivo de homenagear Aristides de Sousa Mendes e outros portugueses que salvaram e protegeram milhares de vítimas.
Este programa terá iniciativas do Estado e da sociedade civil, com dimensões de homenagem “cívica, educação e pedagogia, investigação e divulgação, e preservação patrimonial e museológica”.
No Panteão Nacional estão sepultadas figuras como os escritores Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro, Almeida Garrett e Sophia de Mello Breyner Andresen, a fadista Amália Rodrigues, o futebolista Eusébio, e o marechal Humberto Delgado, ex-candidato à Presidência da República.
No panteão estão também a alguns dos antigos Presidentes da República, como Sidónio Pais, Manuel de Arriaga, Óscar Carmona e Teófilo Braga.




