Oito estradas nacionais cortadas em cinco distritos de Portugal

Um bombeiro combate as chamas durante o incêndio na encosta da aldeia de Moura da Serra, Arganil, 14 de agosto de 2025. De acordo com os dados disponíveis no ‘site’ da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), quase 900 operacionais combatiam o fogo que deflagrou na quarta-feira na freguesia de Piódão, no concelho de Arganil, distrito de Coimbra, e se estendeu depois aos municípios de Oliveira do Hospital e Pampilhosa da Serra (Coimbra), e de Seia, já no distrito da Guarda. PAULO CUNHA/LUSA

Os incêndios que atingem o Centro e Norte de Portugal obrigaram hoje ao corte de oito estradas nacionais, nos dois sentidos, nos distritos de Guarda, Castelo Branco, Coimbra, Leiria e Viana do Castelo, segundo a GNR.

Num comunicado relativo ao balanço das 16:20 de hoje, a Guarda Nacional Republicana (GNR) adiantou que estão interditadas à circulação, nos dois sentidos, oito estradas nacionais (EN).

Assim, no distrito de Leiria com Coimbra está cortada a EN236, entre as localidades de Castanheira de Pera (distrito de Leiria) e Alfocheira (concelho de Lousã, distrito de Coimbra), e a EN113, no concelho de Leiria, entre o cruzamento para a Caranguejeira e o entroncamento para a Gordaria.

No distrito da Guarda, estão interditadas a EN233, entre as localidades de Pêga (concelho da Guarda) e Vila do Touro (concelho de Sabugal); a EN230, concelho de Seia, entre as localidades de Pedras Lavradas e Vide, e também a EN231, entre a localidade de Teixeira de Baixo e a EN230, que liga a Castelo Branco.

No distrito de Castelo Branco, está a EN230 com um corte nas proximidades das localidades de Unhais da Serra (concelho de Covilhã) e Pedras Lavradas.

No distrito de Coimbra está interdita a circulação no concelho de Pampilhosa da Será, na EN344, nas proximidades das localidades de Portela de Unhais e Casal da Lapa.

O distrito de Viana do Castelo tem também um corte ao trânsito na EN202, no concelho de Viana do Castelo, entre as localidades de Torre e Vila Mou.

Na nota de imprensa, a GNR lembra que o todo o território continental está sob situação de alerta e estão proibidas as queimas e queimadas, assim como trabalhos rurais com recurso a máquinas.

Portugal continental tem sido afetado por múltiplos incêndios rurais desde julho, sobretudo nas regiões Norte e Centro, num contexto de temperaturas elevadas que motivou a declaração da situação de alerta desde 02 de agosto.

Os fogos provocaram dois mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos, na maioria sem gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.

Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, ao abrigo do qual deverão chegar, na segunda-feira, dois aviões Fire Boss para reforço do combate aos incêndios.

Segundo dados oficiais provisórios, até 17 de agosto arderam 172 mil hectares no país, mais do que a área ardida em todo o ano de 2024.

Douro

O incêndio que deflagrou na sexta-feira em Freixo de Espada à Cinta entrou hoje ao início da tarde em fase de resolução, com os meios de combate a continuar no terreno para prevenir reacendimentos, disse à lusa a Proteção Civil.

“O incêndio está em fase de resolução. Vamos entrar em trabalho de consolidação e rescaldo do perímetro do incêndio ao longo da tarde. Ainda há vários pontos quentes para os quais temos de ter atenção para evitar reacendimentos”, explicou à agência Lusa o comandante sub-regional da Terras de Trás-os-Montes, João Noel Afonso.

Segundo o comandante, as próximas horas vão requerer “muita atenção” para evitar reacendimentos, consolidação do perímetro e rescaldo e os meios de combate ao fogo vão permanecer no local.

“Este fogo atingiu uma vasta área do território de três concelhos, em trabalho com condições muito adversas, com temperaturas elevadas, ventos fortes e o fumo e as poeiras não deixaram atuar os meios aéreos. A orografia do terreno também é muito complicada e com difíceis acessos. Foi uma tarefa muito complicada, devido a estes fatores”, indicou o comandante.

Segundo João Noel Afonso, o concelho de Freixo de Espada à Cinta foi o mais afetado, seguido do de Torre de Moncorvo, sendo Mogadouro o que menos sofreu.

O fogo deflagrou ao início da tarde de sexta-feira, nas localidades de Poiares, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, em pleno Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), e depressa se alastrou aos concelhos vizinhos de Mogadouro e Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança.

De acordo com o comandante sub-regional das Terras de Trás-os-Montes, o fogo já consumiu mais de 10 mil hectares de terreno.

Segundo as autoridades, este número ainda poderá aumentar.

Os fogos provocaram dois mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos, na maioria sem gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.

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