Ministério da Justiça do Brasil completa 197 anos e inicia comemorações de 200 anos

Da Redação

Completando 197 anos de criação, em 03 de julho o ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) celebrou a data prestando homenagem aos ex-ministros Torquato Jardim e Raul Jungmann em Brasília. A foto oficial de ambos foi anexada à galeria oficial de ex-ministros, na Sala de Retratos da pasta. Na solenidade, o ministro Sergio Moro destacou o trabalho dos ex-titulares e reforçou a atuação de ambos na promoção da justiça, da cidadania e da ordem jurídica na sociedade brasileira.

“Este ministério é um alicerce da própria República e da democracia. É uma honra muito especial participar deste ato. Homenageamos a República, a coisa pública, e cada um contribui, com a sua história, para uma nação mais justa”, frisou Jungmann, ressaltando o papel difícil de gerenciar um órgão de complexas atribuições e demandas diárias.

Jardim, por sua vez, ressaltou a relação com ex-ministros da Justiça, que vão desde referências políticas como o relator da Constituinte, Bernardo Cabral, ao jurista Paulo Brossard. “Agradeço ao ministro Sergio Moro por esta cerimônia. É uma honra fazer parte desta galeria de memória. Somos todos devotados à República”, destacou, lembrando de outros estadistas que chefiaram o ministério, como Rui Barbosa.

Raul Jungmann e Torquato Jardim também enfatizaram o trabalho dos servidores públicos do ministério, no que foram seguidos por Moro. O ministro ressaltou a forte presença da pasta no governo do país e ressaltou a biografia dos colegas homenageados.

“É uma data especial a comemoração de 197 anos do ministério. Claro que qualquer ministro que ingressa busca imprimir projetos, mas, acima de tudo, é importante continuar as boas políticas públicas, continuar a tradição de respeito ao Estado de Direito. O MJSP é um dos pilares do Estado brasileiro dentro da República brasileira. Ficamos honrados em chama-los aqui para uma homenagem singela, mas muito merecida a ambos os senhores”, pontuou Moro.

Rumo à celebração do bicentenário em 2022, a pasta inicia uma programação que envolverá a sociedade e os servidores para registrar o marco histórico e institucional, no mais antigo ministério do país. O Ministério também vai divulgar uma série especial de podcasts, com a história e as metas do ministério.

História

A criação do ministério no ano de 1822 foi uma das primeiras manifestações políticas do processo de independência do país. Aquele ano começou com a declaração do príncipe regente D. Pedro I de que não cumpriria as ordens da Corte portuguesa, que exigia sua volta a Lisboa. Era o fim do Brasil Colônia e início do Brasil Império que durou 67 anos. Em julho daquele ano, D. Pedro, em decreto referendado por José Bonifácio de Andrada e Silva, criava a Secretaria de Estado de Negócios da Justiça, dando início à longa história do Ministério da Justiça.

O Ministério da Justiça é uma instituição tão importante que foi o primeiro a ser criado, pois buscava institucionalizar a autonomia do governo instalado no Rio de Janeiro frente à administração portuguesa, antes mesmo do príncipe declarar a  independência do Brasil em 7 de setembro daquele ano.

Nomes como Ruy Barbosa, Oswaldo Aranha, Nereu Ramos, Tancredo Neves e Saulo Ramos estiveram à frente da pasta. Após a redemocratização do país, Paulo Brossard, Nelson Jobim e Márcio Thomaz Bastos foram alguns dos expoentes que marcaram as gestões do Ministério.

Importantes políticas públicas e marcos reguladores, oriundos do Ministério, têm funções transformadoras junto à sociedade, como a Lei da Mediação, o Marco Civil da Internet e o Código de Defesa do Consumidor.

Faz parte das tarefas do Ministério investigação de grandes crimes pela Polícia Federal; políticas contra as drogas e o narcotráfico; combate à lavagem de dinheiro e à corrupção; apoio a imigrantes refugiados; administração do sistema prisional federal; cooperações jurídicas e acordos internacionais; combate à pirataria e à evasão de divisas; controle de fronteiras; combate ao tráfico de pessoas; garantia da segurança nas rodovias pela Polícia Rodoviária Federal; ações da Força Nacional de Segurança Pública em apoio local aos Estados e a outros países; defesa do consumidor; classificação indicativa de faixa etária para programas de TV, propagandas e filmes.

Período Colonial

No período imperial, os “ministérios” eram denominados de secretarias de Estado. Essas instituições foram instaladas no Brasil a partir da transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro. Em agosto de 1821, Portugal criou a Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça, o que seria confirmado pelo príncipe regente d. Pedro por decreto de 3 de julho de 1822, referendado por José Bonifácio de Andrada e Silva. E foi assim que começou a história do hoje Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

À secretaria dos Negócios da Justiça competia todos os objetos de justiça civil e criminal, os negócios eclesiásticos, a expedição das nomeações de todos os lugares da magistratura, ofícios e empregos sob sua jurisdição, a inspeção das prisões e tudo quanto fosse relativo à segurança pública, bem como a promulgação de todas as leis, decretos, resoluções e demais ordens sobre assuntos de sua alçada, sua comunicação às esferas competentes e sua fiscalização.

Seu primeiro ministro e secretário de Estado foi Caetano Pinto de Miranda Montenegro, doutor em direito pela Universidade de Coimbra e dono de ampla experiência administrativa, tendo governado diferentes capitanias ainda no período colonial.

Com a declaração da maioridade de d. Pedro II começa o Segundo Reinado, época de grande progresso cultural e de grande significância para o país, com o crescimento e a consolidação da nação brasileira como um país independente, e como importante membro entre as nações americanas.

Ao longo da Regência e nos primeiros anos do Segundo Reinado, inúmeros relatórios dos titulares da Justiça expressaram a urgência de se elaborar o primeiro Código Comercial para o Brasil. À sua promulgação seguiu-se a aprovação de inúmeros decretos sugeridos pelo então ministro da Justiça, Eusébio de Queirós. A mais importante foi a lei n. 584, de 4 de setembro de 1850, que, frente ao recrudescimento da repressão inglesa ao comércio internacional de escravos, sob a forma da lei Bill Aberdeen, transferiu para auditores da Marinha os processos dos comerciantes ilegais de escravos, tornando a repressão ao comércio negreiro muito mais eficaz.

Na década de 1880, destacaram-se alguns atos da secretaria, como o decreto que aprovou os estatutos do Instituto dos Advogados Brasileiros e outros que procuraram organizar diversos serviços, como o Asilo de Mendicidade da Corte, o presídio de Fernando de Noronha e o Corpo Militar de Polícia da Corte, segundo informações da publicação “O Império brasileiro e a Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça (1821-1891)”, de Rodrigo de Sá Netto, editado pelo Arquivo Nacional.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Carris apresenta solução para futuro elevador da Glória

Futuro ascensor terá “novo sistema” a conceber após concurso internacional. O futuro ascensor da Glória, em Lisboa, contará com um “novo sistema” que garantirá “toda a segurança”, prevendo-se um concurso público internacional de conceção até ao final março de 2027

Leia mais »

Países Africanos, FMI, Banco Mundial e o Sistema da Dívida

Por José Menezes Gomes Esse artigo pretende abordar como países distantes geograficamente, que aparentemente teriam características diferentes poderiam ter algo em comum com grande impacto sobre suas dimensões econômicas e sociais. Recentemente enviei um artigo, que tratava da divida pública

Leia mais »