Mais de 40 concelhos de oito distritos em perigo máximo de incêndio

Um popular observa um incêndio perto da Aldeia de Galegos da Serra no concelho de Vila Real, 5 de agosto de 2025. Cinco reativações no incêndio de Vila Real registaram-se hoje à tarde, com o de Galegos da Serra a causar mais preocupações por se aproximar da aldeia onde foi feito o confinamento da população. PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

 Mais de 40 concelhos dos distritos de Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro estão hoje em risco máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Vários concelhos do interior norte e centro e Algarve estão também em perigo muito elevado de incêndio rural, de acordo com o IPMA.

Segundo o instituto, o perigo de incêndio rural vai manter-se elevado pelo menos até sexta-feira em alguns concelhos do interior norte e centro e Algarve.

Este perigo, determinado pelo IPMA, tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

O IPMA prevê para hoje no continente céu pouco nublado ou limpo, vento forte por vezes com rajadas até 60 quilómetros por hora na faixa costeira ocidental, em especial durante a tarde, e nas terras altas e pequena descida da temperatura mínima.

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 14 graus Celsius (em Viana do Castelo e Braga) e os 22 (em Portalegre) e as máximas entre os 25 (em Viana do Castelo) e os 35 (em Santarém).

Lagos

O incêndio que deflagrou no domingo, em Aljezur, no Algarve, e que passou para o concelho vizinho de Lagos, está dominado em 70%, mantendo-se uma linha de fogo “preocupante” com cerca de oito quilómetros, disse hoje a Proteção Civil.

Em conferência de imprensa nas Alfambras, o segundo-comandante regional da Proteção Civil do Algarve, Abel Gomes, explicou que nos cerca de 30% que restam do fogo “existem pontos preocupantes e que podem ser uma complicação”.

“São zonas que não arderam, as designadas ilhas, que podem resultar em reacendimentos e provocar projeções devido ao vento moderado a forte que se regista”, apontou.

No balanço das operações de combate ao incêndio, o responsável referiu que o fogo teve uma velocidade de desenvolvimento “muito acentuada”, progredindo de 52 hectares por hora para 236 hectares, “colocando grandes desafios aos bombeiros”, desconhecendo-se ainda a área ardida.

“Além do vento, as acessibilidades têm sido também um problema para o combate (…), o que obrigou a que fossem abertos caminhos para aceder à frente de fogo”, notou.

Segundo Abel Gomes, o fogo continua a evoluir na mata nacional de Barão de São João, no concelho de Lagos, “mas sem colocar para já casas em risco”.

O responsável adiantou que “a preocupação agora é tentar que o fogo não derive para Oeste, o que colocaria grandes desafios aos bombeiros”.

Questionado sobre danos pessoais ou materiais, Abel Gomes disse que se registaram nove feridos ligeiros, a maioria por inalação de fumos e há o registo da destruição de uma casa de segunda habitação no concelho de Aljezur.

Nas operações estão envolvidos um total de 518 elementos das várias entidades que integram a Proteção Civil, com o apoio de 181 veículos e sete meios aéreos.

O segundo-comandante regional do Algarve prevê “ainda muito trabalho” até que o fogo seja extinto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também