Um terço dos estrangeiros residentes em Portugal são brasileiros – relatório

Brasileiro no Parque Eduardo VII, na Abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no palco Colina do Encontro, centro de Lisboa, Portugal, 29 de julho de 2023. MIGUEL A. LOPESLUSA

Metade dos residentes de Odemira são estrangeiros, em Lisboa são 30%.

 Dos 1.585.854 cidadãos estrangeiros residentes em Portugal, 493.622 têm nacionalidade brasileira (31,1%), anunciou hoje a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), no seu relatório anual.

No “Relatório de Migrações e Asilo 2025”, que foi hoje divulgado e que contabiliza o trabalho da AIMA e a distribuição dos estrangeiros por nacionalidade, tipo de documentação e distribuição geográfica, o número de Brasileiros está em destaque, com quase meio milhão de pessoas.

Seguem-se Angola (99.050), Índia (91.405), Ucrânia (84.889), Cabo Verde (71.005), Nepal (53.304), Bangladesh (55.579), Guiné-Bissau (51.935), Reino Unido (47.726), Itália (42.418), Paquistão (42.042) e São Tomé e Príncipe (41.800) na lista dos países com maiores comunidades residentes em Portugal.

Em comparação com o ano anterior, há mais quase dez mil brasileiros a viver em Portugal, com uma redução da população indiana, que foi ultrapassada na tabela pelos angolanos, enquanto o aumento de cidadãos italianos (mais duas mil pessoas) colocou a Itália a fechar o top-10, ultrapassando Paquistão e São Tomé e Príncipe.

No total, os cidadãos dos países lusófonos (Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste) perfazem quase 50 por cento da população estrangeira a residir em Portugal.

“No contexto europeu, destacam‑se as comunidades de Itália, Reino Unido e Ucrânia, que continuam a representar uma parcela significativa da população estrangeira residente”, uma situação que “reflete tanto a mobilidade intraeuropeia como a procura de Portugal enquanto destino seguro, estável e atrativo para viver, trabalhar e investir”, refere o relatório anual da AIMA.

Em comparação com 2024, a América do Norte e central, com os EUA à cabeça, foi a região que contribuiu para maior crescimento de imigrantes, com mais 10%, enquanto a Ásia teve uma redução de 4,1%.

A maioria dos estrangeiros são homens (55,6%) e 84,6% estão em idade ativa (entre os 18 e 64 anos) e 135.750 são menores (maioria do sexo feminino).

“A população jovem, entre os 0 e os 17 anos, representa 9,1% do total” de estrangeiros residentes em Portugal, contribuindo “para a vitalidade das escolas e para a construção de trajetórias de integração de longo prazo”, enquanto quem tem “65 ou mais anos representa 6,3%, um valor relativamente reduzido”.

A “leitura conjunta destes dados confirma que a população estrangeira residente em Portugal é jovem, ativa e socialmente dinâmica, desempenhando um papel central na vitalidade económica, na inovação e na coesão social”, pode ler-se no relatório.

Já no que diz respeito à distribuição no território, o distrito de Lisboa tem 605.895 estrangeiros residentes (cerca de 40% do total), seguindo-se Setúbal (173.885), Porto (167.498) e Faro (166.124).

Estes quatro distritos, “em conjunto representam 1.114.402 residentes estrangeiros, correspondendo a 70,3% do total nacional”, uma realidade que “traduz, maioritariamente a atratividade económica e social destas regiões, condicionada à capacidade instalada de acolhimento, integração e oferta de oportunidades”.

No que respeita aos concelhos, Lisboa é o que tem mais estrangeiros residentes (200.073), seguindo-se Sintra (98.652), Porto (60.351), Cascais (53.683), Amadora (55.457), Loures (51.134), Odivelas (50.082) e Almada (39.098).

No que respeita aos pedidos de proteção internacional, que baixaram de 2.677 em 2024 para 1.765 em 2025, a maioria proveio da Colômbia (246), seguida da China (169), Angola (159), Venezuela (104) e Gâmbia (100).

O relatório adianta que “em 2025, registou‑se ainda uma redução muito significativa no número de menores não acompanhados requerentes de asilo, com uma diminuição de 69,6% face ao ano anterior”, passando de 204 em 2024 para 62 em 2025, com a maioria destes casos com origem na Gâmbia, Marrocos e Guiné-Conacri.

“Portugal participou igualmente no Programa de Reinstalação da União Europeia, uma via legal e segura que permite a transferência de refugiados a partir de países terceiros para Estados‑Membros que se comprometem a conceder proteção”, tendo sido reinstaladas 258 pessoas, a maioria da Síria (97), seguida do Afeganistão (50).

Dos quase 85 mil ucranianos residentes em Portugal, perto de 65 mil beneficiam de proteção temporária em Portugal, “um mecanismo excecional previsto no direito europeu e nacional, concebido para dar uma resposta rápida, eficaz e humanitária a fluxos massivos de pessoas deslocadas que não podem regressar em segurança ao seu país de origem”, pode ainda ler-se no relatório hoje divulgado.

Em Lisboa são 30%

Pouco mais de metade da população de Odemira é estrangeira, segundo um relatório hoje divulgado, que indica também Lisboa como o concelho com mais residentes não nacionais (200 mil, 30,4% do total).

Numa análise por concelho ao «Relatório de Migrações e Asilo 2025», há uma forte pressão de população estrangeira no Algarve e na Grande Lisboa, com Odemira é ser caso extraordinário no Alentejo.

Portugal tinha no final de 2025 um total de 1.585.854 cidadãos estrangeiros a residir no país, mais 38 mil que no ano anterior, segundo o relatório que data de 31 de dezembro de 2025.

No total, os estrangeiros correspondem a 13,9% dos 11.424.031 residentes em Portugal, contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no final de dezembro de 2025 (658.236), o mesmo momento referido no relatório hoje divulgado.

Odemira tem uma população total de 44.043 residentes, dos quais 22.038 (50,04%) são estrangeiros, mas numa análise à lista, Albufeira é outro dos municípios que apresenta maior percentagem de população estrangeira (41,6% dos residentes), 26.371 estrangeiros em relação aos 63.375 residentes.

No que respeita aos valores absolutos por concelho, Lisboa é o que tem mais estrangeiros, num total de 200.073, que correspondem a 30,4% da população estimada pelo INE.

Segue-se Sintra (98.652 estrangeiros em 449.456, correspondente a 22%), Porto (60.351 estrangeiros, 22,1%), Cascais (53.683, 22,1%), Amadora (55.457, 30% do total), Loures (51.134, 21,6%), Odivelas (50.082, 27%) e Almada (39.098, 19,3%), Seixal (35.633, 18%), Braga (29.842, 14%), Loulé (29.721, 31,5%), Gaia (29.626, 9,2%).

A grande maioria dos concelhos tem uma quantidade de estrangeiros inferior à média nacional, com exceção da grande Lisboa, alguns concelhos do grande Porto e locais de destino de expatriados, com forte oferta turística ou produção agrícola, que têm sido destino laboral de muitos não nacionais.

Numa análise ao documento, encontram-se concelhos com forte presença percentual de estrangeiros como são os casos de Lagos (39,6%), Portimão (29,6%), Lagoa (26%), Ferreira do Alentejo (23%) ou Monchique (21,7%).

Nas ilhas, a percentagem de estrangeiros é inferior ao continente, sendo Ponta Delgada o concelho que tem mais não nacionais residentes (11.719), um número que corresponde apenas a 10,3% do total da população, 3,5 pontos percentuais abaixo da média nacional.

Mas a dispersão pelo território é evidente: dos 308 concelhos portugueses, 171 têm mais de mil estrangeiros residentes e 36 têm mais de 10 mil.

Entre os concelhos com menos estrangeiros está o município açoriano do Corvo, com apenas 18 pessoas (4,1% da população total. No continente, esse é o caso de Barrancos, com 28 estrangeiros (2% do total).

No que respeita aos distritos, é o Algarve o que tem maior percentagem de estrangeiros (34,5%) sobre o total, apesar de ser apenas o quarto com maior número absoluto (167.124 residentes não nacionais).

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