Jorge Jesus confirma saída do Al Nassr que foi o desafio “mais difícil” da carreira

Foto @AlNassrFC

O treinador português Jorge Jesus confirmou que vai deixar o comando técnico do Al Nassr, após conquistar o campeonato saudita de futebol, admitindo que pretende “desfrutar do outro lado” antes de decidir o próximo passo da carreira.

“É verdade que eu não vou continuar na Arábia Saudita”, afirmou Jorge Jesus, em declarações à SportTV, no final da partida que garantiu o título do Al Nassr, revelando que a decisão já estava prevista desde o início do projeto.

Jesus, que nesta quinta-feira conseguiu o 24.º título da carreira, explicou que recusou assinar um contrato superior a uma temporada quando foi abordado pelo clube saudita.

“Quando falei com o Cris [Cristiano Ronaldo], eles convidaram-me a fazer um contrato de dois anos e eu disse que só fazia um ano”, contou.

Segundo Jorge Jesus, o desgaste físico e emocional acumulado ao longo da época pesou na decisão de sair: “Foi um campeonato muito duro, há um desgaste muito grande. Acho que foi um ano maravilhoso e agora tenho de ir desfrutar do outro lado”.

O treinador considerou ainda que o desafio no Al Nassr foi “o mais difícil” da sua carreira, devido ao investimento dos principais rivais sauditas, destacando o crescimento do futebol no país.

“Sabia que do outro lado o Al Hilal esteve dois anos a montar uma grande equipa, com grandes jogadores. Para vencermos este campeonato tínhamos de ser muito melhores do que os nossos adversários”, afirmou.

Jorge Jesus sublinhou a importância de Cristiano Ronaldo na sua decisão de aceitar o projeto: “Eu disse-lhe: só aceito este projeto do Nassr por ti. Vamos ganhar os dois campeões e vais sair daqui com um título. Foi o que aconteceu”.

Questionado sobre o futuro, o treinador admitiu que o Fenerbahçe, da Turquia, é uma das hipóteses em cima da mesa, revelando que recebeu propostas de dois dos três grandes clubes turcos.

“Tenho uma história ainda para acabar se calhar no Fenerbahçe. Já houve uma parte interessada, não só o Fenerbahçe, outra equipa da Turquia também me fez um convite”, assumiu.

Sobre um eventual regresso ao futebol português, Jorge Jesus afastou essa possibilidade, incluindo uma nova passagem pelo Luz.

“O Benfica é um grande clube, tenho um grande orgulho de ter treinado o Benfica, sou o treinador com mais títulos no Benfica, mas neste momento está fora de questão”, afirmou, revelando que a decisão sobre o futuro deverá ficar fechada durante o mês de junho.

O Al Nassr, treinado por Jorge Jesus, sagrou-se neste dia 21 campeão de futebol da Arábia Saudita, ao vencer o Damac, por 4-1, na última jornada, com um ‘bis’ de Cristiano Ronaldo e uma assistência de João Félix.

Com a conquista, Jorge Jesus, de 71 anos, voltou a festejar um título saudita, tal como já tinha feito pelo Al Hilal, que liderou por duas vezes, a última das quais entre 2023/24 e 2024/25.

Nos quase 40 anos de carreira como treinador, que se iniciou em 1989/90, no Amora, o Al Nassr foi o 16.º clube que Jorge Jesus orientou, numa lista em que se destacam os ‘grandes’ lisboetas Benfica, em duas passagens (2009-2015 e 2020-2021), e Sporting (2015-2018), e os brasileiros do Flamengo.

De resto, em nove épocas e meia nos ‘encarnados’, conquistou 10 troféus, todos na primeira passagem, com três títulos de campeão, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e cinco Taças da Liga, enquanto pelos ‘leões’ venceu uma Supertaça e uma Taça da Liga.

No Brasil, em cerca de ano e meio ao comando do Flamengo, entre 2019 e 2020, venceu um campeonato brasileiro, uma Supertaça do Brasil, um campeonato estadual carioca, uma Taça Libertadores e uma Supertaça sul-americana, além de ter atingido a final do Mundial de clubes de 2019, perdida pelo ‘mengão’ frente ao Liverpool, no prolongamento (1-0).

O currículo do técnico inclui ainda passagens pelos bancos de Felgueiras, União da Madeira, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Vitória de Guimarães, Moreirense, União de Leiria, Belenenses, Sporting de Braga e Fenerbahçe.

Sucesso português

Campeão em 2023/24 com o Al Hilal, Jesus conquistou novamente o campeonato da Arábia Saudita e passou a ser o treinador luso com mais sucesso no país, num caminho que começou a ser trilhado no arranque do século.

Em 2001/02, o já desaparecido Artur Jorge, também com o Al Hilal, foi o primeiro técnico português a ter sucesso na Arábia Saudita, mas só passadas quase duas décadas voltaram a acontecer festejos lusos.

Numa temporada que arrancou com Hélder Cristóvão e acabou com Rui Vitória, em 2018/19, o Al Nassr festejou o título, num livro que teve mais capítulos com 2020/21, com José Morais, e 2021/22, com Leonardo Jardim, ambos pelo Al Hilal.

Antes do sucesso de Jesus, foi a vez de Nuno Espírito Santo com Al Ittihad, em 2022/23.

Os técnicos portugueses já prevaleceram nos escalões principais de 46 nações, com o principal protagonista desse cenário a ser José Mourinho, atual treinador do Benfica, que ainda é o único a vencer em Espanha, no Real Madrid (2011/12), em Inglaterra, onde foi tricampeão com o Chelsea (2004/05, 2005/06 e 2014/15), e em Itália, ‘bisando’ pelo Inter Milão (2008/09 e 2009/10).

Esta época, Vítor Campelos sagrou-se campeão na Eslovénia pelo Celje, Filipe Coelho guiou Universitatea Craiova ao título na Roménia, Daniel Portela impôs-se com o Floriana em Malta e João Sacramento participou no sucesso do LASK Linz na Áustria, apesar de ter sido demitido ao fim de sete jornadas.

Com esses triunfos, há marca registada lusa em 17 nações na Europa, tais como Arménia, Áustria, Bulgária, Chipre, Eslovénia, Espanha, Grécia, França, Inglaterra, Israel, Itália, Luxemburgo, Malta, Roménia, Rússia, Suíça e Ucrânia, faltando a Alemanha para completar a senda vitoriosa nos cinco campeonatos mais mediáticos daquele continente.

Com seis títulos egípcios pelo Al Ahly, Manuel José também merece destaque, acima dos cinco angolanos de Bernardino Pedroto – três no ASA e dois com o Petro Luanda.

Na América do Sul, Bolívia e Equador já tiveram um técnico português a conquistar o campeonato, assim como o Brasil, que nos últimos anos teve uma aposta forte nos treinadores portugueses, num percurso que começou com Jesus, seguindo-se sucessos de Abel Ferreira, ainda no Palmeiras, e Artur Jorge, vencedor no Botafogo e agora no Cruzeiro.  

Na Ásia, além da Arábia Saudita, Bahrain, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Hong Kong, Indonésia, Líbano, Macau, Malásia, Maldivas, Qatar e Vietname também receberam sucesso luso.

Se não há qualquer êxito na Oceânia, o historial na América do Norte resume-se ao ‘bis’ de Guilherme Farinha na Costa Rica, em representação do Alajuelense, em 1999/00 e 2000/01, e ao triunfo de Pedro Caixinha no México, com o Santos Laguna, em 2014/15.

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