Incêndios: Cerca de 3.000 portugueses e lusodescendentes transferidos em França

Meios aéreos combatem o incêndio na zona de São Teotónio no concelho de Odemira, 8 de agosto de 2023. O incêndio que deflagrou no sábado em São Teotónio, concelho de Odemira, é aquele que continua a merecer maior atenção da Proteção Civil e a área ardida é já de cerca de 7.000 hectares. LUÍS FORRA/LUSA

Cerca de 3.000 portugueses e lusodescendentes foram transferidos para centros de acolhimento devido ao fogo que ameaça várias regiões perto da cidade francesa de Bordéus, disse à Lusa o conselheiro português Filipe Dantas.

O fogo de grandes proporções obrigou à retirada de 220 mil pessoas, entre as quais cerca de 3.000 portugueses e lusodescendentes, que residem essencialmente em Le Porge, uma comuna francesa na Gironda, onde o fogo queimou várias casas.

Foram também transferidos portugueses e lusodescendentes que vivem em Ares, Marcheprime, Mios, Cestas, Biscarrosse, Le Haillan e Saint-Médard-en-Jalles.

Estes portugueses e lusodescendentes foram transferidos para o Centro de Exposições de Bordéus.

Segundo Filipe Dantas, as autoridades portuguesas têm seguido a situação e o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, já falou telefonicamente com o conselheiro.

O consulado português em Bordéus também tem acompanhado o fogo e o impacto na comunidade, disse.

Filipe Dantas afirmou que, para já, não há registo de vítimas e que os danos materiais não estão contabilizados.

Em relação a uma eventual necessidade de ajudar estes portugueses e lusodescendentes, o conselheiro referiu que as cidades perto dos centros de acolhimento têm providenciado a ajuda imediata.

“Estamos aqui para ajudar e se for necessária alguma ajuda iremos dela dar conhecimento”, disse.

O incêndio começou na quarta-feira na região turística da Baía de Arcachon e desde sexta-feira que portugueses e lusodescendentes estão a ser transferidos para centros de acolhimento.

No total, este ano foram já queimados em França 115 mil hectares de terrenos, um máximo histórico, confirmou o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, na última noite.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, preside hoje a uma reunião de crise para avaliar a situação dos incêndios florestais no país.

Ajuda

Portugal já destacou 134 operacionais e 41 viaturas para combater os incêndios florestais em Espanha, em coordenação com a União Europeia, que também mobilizou seis aviões da Grécia, Itália e Turquia, foi hoje divulgado em Bruxelas.

Segundo informação da Comissão Europeia, para França foram também mobilizados sete aviões e quatro helicópteros de Portugal, Alemanha, Croácia, República Checa, Alemanha, Eslováquia, Suécia e Turquia, com a maioria das aerovanes a integrarem a frota de combate a incêndios rescEU.

Os incêndios florestais em curso nestes dois países desencadearam uma das maiores operações de retirada de pessoas na Europa, tendo sido desalojadas mais de 325 mil em França e Espanha.

Fonte comunitária reconheceu que o mecanismo está atualmente a funcionar sob pressão mas sem risco de colapso.

O Centro de Coordenação de Resposta a Emergências da UE permanece em contacto próximo com as autoridades francesas e espanholas para avaliar que apoio adicional pode ser potencialmente mobilizado, estando um oficial de ligação da Comissão Europeia em Bordéus para ajudar as autoridades nacionais a coordenar a assistência da UE.

Bruxelas considera que a situação nos incêndios é muito volátil e exigem monitorização constante.

A situação em Portugal, que está novamente sob alerta máximo de incêndios devido a uma nova vaga de calor, está também sob a vigilância europeia.

Espanha e França pediram na semana passada ajuda através do Mecanismo de Proteção Civil da UE, tendo a resposta incluído ainda a monitorização de incêndios pelo satélite Copernicus da UE, que também fornece mapas para apoiar a resposta no terreno.

O rescUE tem atualmente uma frota de 22 aviões e cinco helicópteros, que se soma às capacidades de cada país.

Com mais de um milhão de hectares ou 10 mil quilómetros quadrados de terra ardida na Europa por incêndios florestais em 2025, a UE mobilizou a maior resposta a incêndios florestais de sempre para o verão de 2026, com o pré-posicionamento de 777 bombeiros de 14 países europeus em zonas de alto risco (Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Chipre).

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