Governo aprova suplemento extraordinário para pensionistas

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, faz uma declaração ao país, depois da reunião do Conselho de Ministros, na residência oficial em São Bento, Lisboa, 17 de setembro de 2026. Luís Montenegro anunciou na semana passada, no debate da moção de censura do Chega ao Governo, que o Conselho de Ministros aprovaria esta semana a atribuição de um novo suplemento extraordinário para os pensionistas que recebem até 1.611 euros, a ser pago em dezembro, e um alívio fiscal até ao sexto escalão do IRS. TIAGO PETINGA/LUSA

 O Governo português aprovou hoje, em Conselho de Ministros, o suplemento extraordinário que será atribuído aos pensionistas que recebem até 1.611,39 euros, num apoio que varia entre 100 e 200 euros e será pago em dezembro.

O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, numa declaração ao país, sem direito a perguntas, a partir da residência oficial, em São Bento, em Lisboa.

Segundo o primeiro-ministro, para “reforçar a resposta” à crise provocada pelo aumento do custo de vida, o Governo aprovou hoje um conjunto de medidas.

Entre as medidas aprovadas consta a atribuição de um suplemento extraordinário para os pensionistas com reformas mais baixas, medida que tinha sido anunciada em 08 de setembro, durante o debate no parlamento da moção de censura do Chega ao Governo.

Tal como já tinha sido adiantado pelo ministro das Finanças, Luís Montenegro explicou que o suplemento extraordinário “será de 200 euros para quem recebe uma pensão até 537,13 euros” (o equivalente a um IAS), de 150 euros para quem recebe entre 537,13 euros e 1.074,26 euros (o equivalente a entre um e dois IAS) e de 100 euros para quem recebe entre 1.074,26 euros e 1.611,39 euros (o equivalente a entre dois e três IAS).

“Será pago com a pensão de dezembro e vai abranger mais de dois milhões de pensionistas”, acrescentou.

Nos anos anteriores, o apoio foi atribuído por pensionista e não por pensão, pelo que quem recebia várias pensões viu estes montantes somados para se apurar se têm ou não direito.

O Governo estima gastar 400 milhões de euros com esta medida e, segundo já tinha sido transmitido pelo ministro das Finanças, o apoio será pago entre 07 e 08 de dezembro em conjunto com a pensão desse mês.

Na declaração, o primeiro-ministro afirmou que o dia-a-dia dos portugueses “é carregado por uma legitima e justificada preocupação com o aumento do custo de vida”, e, apesar de sublinhar que o país não tem “influência na origem desta crise”, reconheceu que é sentido “o seu impacto”.

“Por isso, e para bem de todos, temos de equilibrar a responsabilidade social com a responsabilidade financeira”, acrescentou.

Além do suplemento extraordinário para os pensionistas, o Governo aprovou um conjunto de outras medidas, entre as quais a proposta de lei para baixar as taxas de IRS do 1.º ao 6.º escalão, que irão baixar entre 0,3 e 0,5 pontos e o alargamento do passe ferroviário verde aos serviços de transporte urbano de Lisboa e do Porto, incluindo a linha da Fertagus.

O primeiro-ministro defendeu a política seguida pelo Governo de apoio aos combustíveis e aumento do custo de vida, recusando trocá-la por “leilão de medidas avulsas e descoordenadas” que poderiam “reeditar tragédias”.

“Não contem comigo para ilusões hoje, que sejam pesados preços a pagar amanhã”, afirmou Luís Montenegro. Na conferência de imprensa, o primeiro-ministro insistiu que “o Estado ganha zero euros com a subida do preço dos combustíveis, conforme provado pelo Conselho das Finanças Públicas”.

“Quem diz o contrário está a faltar à verdade”, afirmou.

Combustível

O Governo prolongou até ao final do ano o apoio de 10 cêntimos por litro ao gasóleo profissional e reeditou apoios a táxis, bombeiros e setor social, num pacote de 38 milhões de euros para setores mais afetados pelos combustíveis.

“Vamos reeditar este apoio com o objetivo de diminuir o impacto do aumento do custo dos combustíveis”, anunciou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, numa declaração ao país após a reunião do Conselho de Ministros.

As medidas retomam apoios extraordinários que vigoraram entre abril e junho para setores particularmente expostos à subida dos combustíveis, incluindo transportes, táxis, bombeiros e entidades do setor social.

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