Eleições: Casa do Brasil em Lisboa incentiva imigrantes a votarem nas presidenciais

Brasileiros indo votar em Lisboa - 2022. Foto Miguel Lopes/LUSA

A Casa do Brasil de Lisboa vai intensificar a mobilização dos imigrantes para participarem nas eleições presidenciais brasileiras, com a primeira volta agendada para 04 de outubro, apesar do distanciamento e do desencanto provocado pela crise institucional no país.

“A nossa mensagem é simples. É cidadania. Todos somos cidadãos e isto implica num dever com o seu país”, disse à Lusa Carlos Vianna, dirigente e cofundador da Casa do Brasil de Lisboa, que na segunda-feira iniciou um ciclo de debates na instituição cujo objetivo é mobilizar a grande comunidade brasileira a residir em Lisboa e que no dia 04 de outubro, na primeira volta das eleições, vai ser chamada às urnas para escolher o próximo Presidente do Brasil.

A Casa do Brasil de Lisboa pretende realizar novos debates até às eleições, intensificando as iniciativas após a primeira volta, quando a disputa ficar reduzida aos dois candidatos mais votados e os diferentes campos políticos voltarem a concentrar-se.

Um dos nomes que a Casa do Brasil espera receber é o escritor e frade dominicano Frei Betto, antigo assessor do primeiro Governo de Lula da Silva e um dos responsáveis pelo programa Fome Zero, para um debate ainda sem data confirmada.

Segundo Carlos Vianna, muitos brasileiros mudaram-se para Portugal precisamente para escapar a problemas existentes no país de origem, sobretudo à violência, o que pode contribuir para um afastamento em relação à realidade política brasileira.

O dirigente salientou, contudo, que a comunidade brasileira em Portugal é muito diversificada, incluindo trabalhadores, estudantes e empresários que investem e transferem recursos para o país de acolhimento.

Apesar disso, o cofundador da associação, construir uma vida noutro país não significa abandonar os direitos e os deveres relacionados com o Brasil.

“Infelizmente muitos imigrantes desanimam com essa crescente crise institucional no Brasil, o nível baixo da política, dos diálogos, da brigalhada”, disse, referindo-se, entre outros, ao escândalo do Banco Master, no qual se misturam suspeitas de corrupção, conflitos de interesses e guerras de bastidores, que abalou a campanha eleitoral no Brasil e abriu uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Carlos Vianna, a associação promove há vários anos campanhas para incentivar os brasileiros residentes em Portugal a transferirem o título eleitoral e a participarem nas eleições, nas quais, no estrangeiro, apenas podem votar para a Presidência da República.

“Mais uma vez, faço um apelo aos que têm título e poderão votar para que não deixem de escolher o candidato da sua preferência”, declarou, manifestando-se otimista quanto à participação em Lisboa e no Porto.

O número de brasileiros recenseados em Portugal para votar nas eleições gerais do Brasil em outubro subiu 66,63% para 134.797, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lisboa é o maior colégio eleitoral, com o Porto em terceiro, apenas atrás da cidade norte-americana de Boston.

“O nosso objetivo é sempre cívico, a gente gosta de participação cívica de todos. A Casa do Brasil é a apartidária, mas não é apolítica. Ela posicionou-se contra o ‘impeachment’ da Presidente Dilma”, recordou o dirigente.

Carlos Vianna sublinhou que a associação também assumiu publicamente uma posição contra Jair Bolsonaro durante o seu mandato (2019-2022), o que levou a um afastamento em relação à embaixada brasileira em Portugal, à época.

“A Casa do Brasil não nega que é contra Bolsonaro. Nós assumimos essa posição política durante o Governo Bolsonaro. A Casa do Brasil deixou praticamente de ter relação com a embaixada”, declarou.

Apesar das posições políticas assumidas pela associação, Carlos Vianna defendeu que os eleitores devem escolher livremente o candidato da sua preferência.

“Façam a sua convicção, leiam. Não votem porque A ou B vos diga para votar num candidato. Votem com a vossa convicção”, apelou.

A primeira volta das eleições decorre em 04 de outubro, com as sondagens a mostrarem uma luta acirrada entre o atual Presidente brasileiro, Lula da Silva, e o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro.

Caso nenhum candidato consiga alcançar pelo menos 50% dos votos, os eleitores serão chamados novamente às urnas para uma segunda volta agendada para 25 de outubro.

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