O Exército português já mobilizou quase três mil militares para o combate aos incêndios no país, tendo atualmente 34 patrulhas diárias empenhadas na vigilância e deteção de fogos, divulgou hoje fonte daquele ramo das Forças Armadas.
Numa nota enviada às redações, o Exército destaca a presença, neste momento, de três destacamentos de engenharia nas regiões de Trancoso e Tabuaço, para criar faixas de contenção, melhorar acessos e apoiar o combate direto, e de equipas de rescaldo em Vila Real e Ribeira de Pena para eliminar “combustão viva” e isolar “material em combustão lenta”.
O Exército tem ainda equipes de vigilância e deteção “distribuídas por todo o território nacional, monitorizando riscos e atuando preventivamente para salvaguardar vidas e bens”.
No total acumulado, este ramo das Forças Armadas mobilizou, este ano, 2.985 militares, e ainda 1.291 viaturas, tendo já percorrido perto de 225 mil quilómetros e acumulado 7.655 horas de missão distribuídas por 16 distritos.
Neste momento, o Exército tem empenhadas, diariamente, 16 patrulhas de vigilância de deteção no âmbito do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, outro no âmbito municipal e dez no âmbito do Plano Revelles, totalizando 34 patrulhas diárias no terreno.
Na nota enviada às redações, o Exército salienta o seu “esforço constante e determinado no combate aos grandes incêndios que assolam o país, atuando em múltiplas frentes para apoiar as populações e proteger o património natural”.
A 18 de julho, o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) anunciou que cerca de seis mil militares vão estar este ano envolvidos em operações de vigilância, dissuasão de incêndios rurais e sensibilização das populações.
Ativo
Os esforços dos operacionais estão hoje concentrados na frente ativa que lavra na serra do Alvão, Vila Real, onde o combate se faz com o apoio dos meios aéreos, mas as preocupações estão também centradas nas reativações.
Este é já o 11.º dia deste incêndio que começou às 23:45 do dia 02 de agosto, já esteve em conclusão e, desde sábado, sofreu duas reativações no sábado e na segunda-feira à tarde.
Miguel Fonseca, comandante sub-regional do Douro, disse que, pelas 13:15, o fogo se desenvolvia numa área de montanha, “sem perigo imediato para as localidades mais próximas”.
“Daí estamos a concentrar todos os nossos esforços, todas as nossas operações nesta frente principal”, frisou, acrescentado que, em consequência das condições meteorológicas, acontecem reativações junto de algumas localidades que obrigam a dispersar alguns meios.
O incêndio, esta manhã, tem-se desenvolvido na zona das aldeias de Cravelas, Testeira e Paredes.
No entanto, realçou que, com a colaboração dos meios aéreos (dois aviões, um helicóptero pesado e um helicóptero ligeiro) se tem conseguido resolver as reativações
“Mas o que faz com que, temporariamente, tenhamos que interromper alguns trabalhos que estamos a desenvolver nesta frente ativa”, apontou.
Com o incêndio a desenvolver-se há mais de uma semana, o perímetro é “muito grande” e, segundo Miguel Fonseca, “com área muito sensível e de esforço”.
“Parte da sensibilidade desta operação deve-se à grande quantidade de localidades que existem na linha de produção do incêndio”, referiu.
No terreno estavam, pela hora do ‘briefing’ feito à comunicação social, 323 operacionais, das diferenças forças como bombeiros, GNR, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e Exército, apoiados por 111 veículos terrestres e quatro meios aéreos. Durante a manhã chegaram a atuar seis meios aéreos.
“Vão-se manter dentro da disponibilidade, da capacidade da estrutura operacional ir alimentando este teatro de operações como os demais grandes teatros de operações que temos nesta área do norte do país”, referiu.
É que, segundo realçou o comandante, ao fogo na serra do Alvão acrescenta-se outro que se desenvolve na sub-região do Douro, em Tabuaço, e novas ignições que acontecem diariamente neste território, algumas em período noturno.
“Temos neste momento dois teatros de operações considerados grandes na sub-região do Douro, mas continuamos a ter que dar resposta inicial às novas ativações”, afirmou.
Na segunda-feira, exemplificou, foram contabilizadas cerca de uma dúzia de novas ocorrências, cerca de metade das quais aconteceram “durante o período da noite”.
Miguel Fonseca referiu que é difícil gerir recursos que “são finitos” e que, neste momento, “estão sujeitos a um estado de cansaço extremo” em consequência dos incêndios que têm acontecido.
Através de uma mensagem de telemóvel enviada esta manhã, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) fez saber que se mantém, neste território, o risco extremo de incêndio.
A serra do Alvão abrange Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena, Vila Real e Mondim de Basto, e, no espaço de uma semana, já ardeu área dos quatro concelhos, em três incêndios diferentes (Sirarelhos, Pinduradouro e Alvadia).




