Da Agencia Lusa
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"Um golpe publicitário", "um plano que não discrimine" os países mais vulneráveis e de "redução da carga fiscal" é o que os economistas contatados pela Lusa esperam do plano de relançamento econômico que a Comissão Européia (braço executivo do bloco europeu) apresenta quarta-feira, 26 de novembro. "Penso que este plano será mais um golpe publicitário que uma verdadeira política econômica", disse o economista João César das Neves à Lusa, frisando, contudo, que "isso não é má idéia, dado que se pretende eliminar a falta de confiança". Já o ex-ministro luso das Finanças António Bagão Félix espera "um plano coordenado, consistente e que não discrimine (nos efeitos) contra os países mais vulneráveis da União". Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI, defende que do plano resultará uma "redução de carga fiscal às famílias e empresas quer por redução de impostos quer por apoios sob a forma de reembolsos fiscais, programas de financiamento específicos, incentivos fiscais". Quanto às medidas concretas que o plano deverá ter, os economistas destacam aspectos diferentes. Bagão Félix defende que "há espaço para descer impostos em Portugal, principalmente no que se refere à taxa social única a cargo das empresas" e que, na opinião do ex-governante, é "um imposto indireto sobre novas contratações de pessoal". Em vésperas de apresentação do plano europeu, o Executivo britânico anunciou uma descida da taxa do IVA. O professor da Universidade Católica, César das Neves, prefere a criação de "redes de apoio", defendendo que se "deve apoiar mais as famílias que as empresas". O economista argumenta que o plano deve ser um "programa flexível". O economista aconselha, porém, alguma moderação. "Esta crise não é uma catástrofe e não se deve exagerar na reação". Cristina Casalinho salienta que os apoios devem ser dirigidos às famílias, privilegiando "os agregados de maior risco de desemprego e de insolvência". Isto para garantir "resultados imediatos" do plano da Comissão Européia. Além disso, a economista-chefe do BPI defende que sejam apoiadas as empresas para que façam "investimentos reprodutivos". Casalinho defende ainda a necessidade de se "proceder a investimento público em infra-estruturas", nos países que têm algumas lacunas, como são os casos de Espanha (rede elétrica) e Reino Unido (rede ferroviária), exemplifica. No entanto, Cristina Casalinho avisa que qualquer que seja o plano é necessário reconhecer que este estímulo "tem de ser temporário" além de ser preciso "concretizar as formas de financiamento do aumento da despesa pública aprovada: aumento de imposto brevemente ou acréscimo de dívida pública". A economista-chefe do BPI lembra ainda que nem Portugal nem o Reino Unido "dispõem de margem de manobra para descer impostos".
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