Agualusa diz à Rádio ONU que o maior país de língua portuguesa não promove o idioma como deveria, durante um seminário no Parlamento em Lisboa sobre internacionalização da língua.
Por Mônica Villela Grayley Da Rádio ONU em Nova Iorque
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O escritor angolano, José Eduardo Agualusa, afirmou que o Brasil precisa fazer mais para divulgar a língua portuguesa no mundo. A declaração foi dada à Rádio ONU na terça-feira, 17 de junho, antes da sua participação num seminário sobre o idioma na Assembleia da República em Lisboa. De acordo com o escritor angolano, o Brasil deveria seguir o exemplo de Portugal na difusão da língua. No ano passado, o Parlamento luso aprovou uma política de promoção do idioma no mundo. A iniciativa foi depois endossada pela CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Mas de acordo com José Eduardo Agualusa, o Brasil ainda não se deu conta da relação entre língua e poder político na hora de divulgar o seu próprio idioma. "O Brasil não está a fazer o que Portugal está a fazer, por exemplo. Portugal tem o Instituto Camões cujo objetivo é exatamente o de promover a língua portuguesa no mundo e o Brasil não tem nada equivalente. O Brasil, por exemplo, não dá apoio às traduções de seus autores no estrangeiro. Portugal tem uma política eficiente de apoiar tradução, apoiando inclusive autores africanos também e o Brasil não tem esta política". De vez em quando, a Biblioteca Nacional apoia uma ou outra tradução, mas não há uma política definida. "O Brasil tem que fazer isso. O Brasil tem que entender que a cultura traz muito dinheiro ao país" diz o escritor. "A Música Popular Brasileira hoje está trazendo muito dinheiro ao país através do turismo, por exemplo. A literatura brasileira também. Então o Brasil tem que compreender isso. Tem que compreender que sua afirmação no mundo passa também pela língua portuguesa e tem que criar estruturas de promoção da língua e tem que começar a apoiar seus escritores, seus cantores e seus músicos", afirmou. Seminário O seminário sobre Internacionalização da Língua Portuguesa reuniu além do escritor angolano, José Eduardo Agualusa, representantes da comunidade diplomática, especialistas e os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, e da Cultura, José António Pinto Ribeiro. O papel do português nas Nações Unidas também foi tema de uma das apresentações realizada pela encarregada da editoria de Português no Centro de Informação da ONU em Bruxelas, Mafalda Tello.
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