[Atualizado 19h]
Em Belém do Pará, neste 06 novembro, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que Portugal vai contribuir com um milhão de euros para o Fundo Florestas Tropicais.
“Decidimos integrar os países fundadores deste movimento que vai criar o fundo para a proteção da floresta tropical. Vamos dar uma contribuição financeira de um milhão de euros para este arranque”, frisou o primeiro-ministro, à margem do primeiro dia da cimeira de líderes que antecede a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), na cidade amazônica brasileira de Belém.
“É com muito entusiasmo e com o sentido de podermos dar um contributo que é decisivo para o futuro da humanidade, para o futuro de todos nós, conscientes de que tudo aquilo que fizermos a favor da preservação da biodiversidade, dos ecossistemas, do equilíbrio ambiental, seja em que parte do planeta for, terá repercussão nas nossas vidas”, frisou Luís Montenegro, aos jornalistas.
O primeiro-ministro enalteceu o fato de Portugal estar ligado desde o início ao Fundo Florestas Tropicais, num projeto que Luís Montenegro espera que “seja implementado e possa corresponder a maior capacidade de preservação no futuro”.
“Para que todos possamos viver melhor e, sobretudo, para que possamos deixar àqueles que cá estarão a seguir a nós um mundo sustentável com todas as condições para poder ter desenvolvimento económico e social”, sublinhou.
Na tarde de hoje, o Brasil lançou o fundo global para a proteção das florestas tropicais, com o qual pretende pôr fim ao conceito de “doação” e promover investimentos e financiamentos que ajudem a manter as selvas.
O Brasil já anunciou cerca de mil milhões de euros para o começo do projeto. A proposta encabeçada pelo Brasil pretende remunerar países pela conservação das florestas tropicais, reservando 20% para povos indígenas e comunidades tradicionais.
Questionado sobre o fato de a União Europeia ter chegado a um acordo político para reduzir as emissões de CO2 em 90% até 2040, em relação a 1990, embora diluindo os objetivos com medidas que concedem maior flexibilidade aos estados-membros, Luís Montenegro avançou que Portugal teve um grande incremento e impulso juntos dos países europeus para que esta meta fosse acordada.
“Mas quero dizer que Portugal, para além desta posição que assume em termos europeus, tem efetivamente muito trabalho para apresentar em termos individuais”, frisou o chefe do Governo português.
Em concreto, Luís Montenegro recordou o “esforço enorme ao nível da produção de energias renováveis”, tendo Portugal encerrado 2024 “com 71% da energia produzida ser de fonte renovável”.
A cidade amazônica brasileira de Belém acolhe entre hoje e sexta-feira cerca de 60 chefes de Estado e de Governo que irão discutir o combate às alterações climáticas e demonstrar o que estão dispostos a fazer.
Ausência
Montenegro lamentou hoje a ausência dos Estados Unidos na cimeira de líderes e na Conferência das Nações Unidas para o clima (COP30), mas considerou que as negociações não ficam comprometidas. “Com certeza, com muito lamento”, disse Montenegro aos jornalistas, à margem do primeiro dia da cimeira de líderes.
Ainda assim, Luís Montenegro frisou que a ausência da delegação norte-americana “não compromete a COP porque ela é muito impactante do ponto de vista da participação transversal de todos os continentes, de todas as geografias do mundo”.
O chefe do Governo português, sublinhou, contudo, que Portugal vai continuar a “sensibilizar todos e sobretudo os Estados Unidos da América para voltarem a estes objetivos”.
“Os Estados Unidos são necessários neste percurso de salvaguarda coletiva e universal que é gerirmos as alterações climáticas, preservarmos a sustentabilidade ambiental para aqueles que se seguirão a nós e não é com trocas mais acesas de argumentos que nós vamos conseguir aproximar”, considerou.
O encontro tem ausência confirmada dos três líderes dos países mais poluidores do mundo (China, Estados Unidos e Índia). Ainda assim, apesar da ausência Xi Jinping, a China está representada pelo vice-primeiro-ministro, Ding Xuexiang, já a Índia, segundo disse à Lusa fonte da presidência brasileira, estará representada pelo seu corpo diplomático no país.
Falhanço mundial
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lamentou hoje o fato de o mundo ter falhado a limitar o aquecimento global a 1,5°C, a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris.

“Nunca estivemos tão bem equipados” para o conseguir, acrescentou Guterres na abertura da cimeira de líderes mundiais sobre o clima (COP30), referindo-se ao crescimento das energias renováveis, como a eólica e a solar.
Ao abrir a sessão plenária da Cimeira do Clima de Belém, Guterres apelou a mais ambição climática e pediu aos países desenvolvidos que liderem o financiamento, ajudando a mobilizar os 1.300 mil milhões de dólares (1.130 milhões de euros) anuais em financiamento climático prometidos pelos signatários do Acordo de Paris para 2035.
“Os combustíveis fósseis continuam a receber enormes subsídios públicos. Muitas empresas obtêm lucros recorde à custa da devastação climática, gastando milhares de milhões em lóbis, enganando a opinião pública e travando o progresso. E demasiados líderes continuam reféns desses interesses instalados. Muitos países não dispõem dos recursos necessários para se adaptarem e estão excluídos da transição para a energia limpa”, lamentou Guterres.
O secretário-geral da ONU instou as nações reunidas em Belém, capital do Pará (nordeste), a acertarem um plano de resposta “audaz e credível” para “fechar o fosso da ambição” entre os planos nacionais de redução de emissões e o objetivo de manter o aquecimento global abaixo dos 1,5 °C.
“Isto implica maximizar as energias renováveis e a eficiência energética, construir redes modernas e sistemas de armazenamento em larga escala, travar e inverter a desflorestação até 2030, reduzir as emissões de metano e definir calendários de eliminação progressiva do carvão a curto prazo”, sublinhou o secretário-geral da ONU.
“Cada dólar destinado a subsidiar os combustíveis fósseis é um dólar desviado da nossa saúde e do nosso futuro comum”, destacou, frisando que apostar em fontes de energia fóssil é “autodestrutivo para a humanidade e para as próprias economias”.
E concluiu Guterres: “Apoiem a ciência. Defendam a justiça. Defendam as gerações futuras.”
Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). Durante o almoço oferecido pelo governo brasileiro, o presidente convidou outras nações a apoiarem a iniciativa.
“As florestas valem mais em pé do que derrubadas. Elas deveriam integrar o PIB dos nossos países. Os serviços ecossistêmicos precisam ser remunerados assim como as pessoas que protegem as florestas. Os fundos verdes internacionais não estão à altura do desafio “, disse o presidente.
De acordo com Lula, o TFFF é uma ferramenta de financiamento inovadora para auxiliar países a conservarem as florestas tropicais, presentes em mais de 70 nações, entre elas, o Brasil.
A proposta, desenhada pelo governo brasileiro, pretende alcançar inicialmente US$ 25 bilhões com as adesões dos países e chegar a US$ 125 bilhões com o capital privado, segundo inforamções da Agencia Brasil.
Até ao final desta tarde, o fundo já contava com US$ 5,5 bilhões, com apoios também da Noruega, Indonésia, e França.




