Por Eulália Moreno
Para Mundo Lusíada

Alguns imprevistos obrigaram a substituição, quase em cima da hora, da apresentação do Grupo Folclórico Espanhol da Sociedade Hispano-Brasileira pelo Rueda Flamenca e, Conceição Lemos, secretaria executiva da Casa de Portugal, explicou: “Temos um relacionamento muito cordial com o pessoal da Sociedade, são nossos amigos e nos prestigiamos mutuamente mas, nem sempre tudo corre como o previsto e eu recebi um telefonema da responsável pelo grupo que, em prantos, me explicou as razões do contratempo e pediu que eu os desculpasse perante a nossa Comunidade”.
Com a apresentação do diretor social da Casa de Portugal, Vasco Frias Monteiro, o Festival de Folclore teve início com a apresentação do Grupo Raízes da Casa dos Açores da Nova Inglaterra, que no dia 14 se apresentou na Casa dos Açores do Rio de Janeiro e no dia seguinte, 21, se apresentaria no evento comemorativo dos 31 anos de fundação da Casa dos Açores de São Paulo. Formado por açorianos emigrantes dos anos 50/60 para aquela região da costa leste americana, o Raízes tem a sua sede na cidade de Fall River, Massachusetts, e foi fundado, em 2007, pelo músico Mario Ventura a partir de encontros musicais familiares dos Lourenços e dos Jeronimos. “A saudade das nossas Ilhas é muita, só a música para nos reconfortar”, diz Raul Rodrigues, natural de Furnas, São Miguel e que há 40 anos reside nos Estados Unidos e é o responsável pelo grupo formado por mais 8 componentes (Diogo Ventura, Olívia Lourenço, Kasey, Neil Jerônimo e Nela Jerônimo, Bela Ventura, Carlos Silva e Carlos Pimentel), dentre eles alguns já luso-açorianos descendentes.
O Grupo Raízes já gravou 3 cds, um com temas açorianos de Natal, outro com canções tradicionais folclóricas das nove ilhas e o mais recente com canções originais e já se apresentaram em vários festivais, dentre eles na “Semana do Mar”, na Horta, Faial e na cidade de Montreal, província de Quebec, no Canadá .O repertório é composto por música tradicional do Continente, dos Açores, da Madeira e da Diáspora. “Escolhemos músicas de compositores que vivem na Diáspora, por enquanto já temos compositores do Canadá e dos Estados Unidos e gostaríamos muito de conhecer algum compositor descendente de açorianos que viva na Diáspora brasileira e nos queira confiar alguma das suas composições”, diz Raul.
O Grupo Folclórico da Casa de Portugal trouxe as suas componentes ricamente vestidas de noivas e mordomas, com adereços compostos por velas coloridas e flores. “Que alegria ! Sinto-me na Festa da Agonia em Viana do Castelo”, repetia Florinda Nunes, natural de Ponte de Lima e pela primeira vez comparecendo a um evento na Casa de Portugal. “Enviuvei há pouco, e os meus filhos me trouxeram para me distrair”, tenta explicar enquanto enxuga as lágrimas.
O Rueda Flamenca trouxe todo o vigor da dança e do canto de Andaluzia, sul da Espanha. De inspiração cigana, com os compassos marcados por fortes batidas dos pés, acompanhadas por palmas, foram muito aplaudidos. “É a primeira vez que nos apresentamos na Casa de Portugal, estávamos receosos, não sabíamos que tipo de público encontraríamos mas fomos recebidos de forma tão carinhosa que nos surpreendemos”, afirma Carlos , responsável pelo grupo que se apresenta dos restaurantes El Colmal, no bairro do Belém e nos Los Molinos, do bairro do Ipiranga, nesta capital.
O Cantares e Dançares do Minho que a cada apresentação se mostram mais esmerado trouxe os garridos trajes minhotos para o palco da Casa de Portugal com os seus “viras” e “chulas” que levam sempre parte do público presente a dançar com eles.
Seguiu-se o Rancho Folclórico Amigos da Casa de Viseu do Rio de Janeiro em São Paulo que é formado por pares de grupos folclóricos irmãos: Ilha da Madeira, Veteranos do Folclore, Casa de Portugal, Português da Cidade de Campinas, Pedro Homem de Melo, Aldeias de Portugal, e Vilas de Portugal. O ensaiador José Correia há 14 anos foi o idealizador do grupo que foi criado para homenagear a Casa de Viseu do Rio de Janeiro. O repertório contempla apenas músicas tradicionais daquela região de Portugal, com a sua coreografia característica e foram muito aplaudidos.
Para finalizar, a Associação Cultural Grupo Volga do Folclore Russo, da Vila Zelina, cuja responsável há 30 anos é Tâmara Gers Dimitrov. Para além do grupo de dança, a Associação tem um grupo coral e promove várias atividades esportivas, dentre elas o futebol sub-17 que se sagrou campeão em recente competição realizada em Moscou.
Não possuindo sede própria, os ensaios acontecem no Colégio São Miguel Arcanjo e todos os componentes da Associação são naturais da Rússia ou então descendentes. Os seus ricos trajes foram idealizados e confeccionados por Serafima Plotz e para o público presente na Casa de Portugal, a Associação apresentou várias músicas do cancioneiro tradicional russo, bem como canções de trabalho, dentre elas canções populares entoadas nos campos durante as colheitas.
Os convites para o Festival custaram dois quilos de alimentos não perecíveis: 850 quilos foram recolhidos e de imediato encaminhados para o Lar da Provedoria da Comunidade Portuguesa de São Paulo. Na semana anterior, o evento comemorativo do décimo aniversário do programa “Você é Curioso” apresentado por Marcelo Duarte e Silvana Alves na Radio Bandeirantes recolheu 739 quilos de alimentos.





