Comunidade de Trás-os-Montes lança estratégia para internacionalização de produtos

Da Redação
Com Lusa

A Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) apresentou em Vimioso uma estratégia de internacionalização e abordagem a mercados prioritários para o escoamento dos produtos endógenos do território através de uma marca conjunta.

“A estratégia para internacionalização de produtos endógenos e produtos turísticos é composta para várias fases e começa pela capacidade produtiva e exportadora da região, onde foram analisados vários produtos como o azeite, a castanha, os queijos que integram uma conjunto de produtos classificados com Denominação de Origem Protegida (DOP) ou indicação Geográfica Protegidas (IGP)”, disse à Lusa um dos mentores da estratégia da CIM-TTM, João Medina.

O especialista indicou que estes produtos serão comercializados com a chancela DOP ou IGP, porque são aqueles que oferecem melhores garantias ao mercado nacional e internacional.

“Com estas chancelas [DOP ou IGP], conseguimos garantir que os produtos são produzidos em Trás-os-Montes e por outro lado têm características diferentes daqueles feitos em outras regiões do país” concretizou o analista.

Segundo João Medina, a castanha é o produto de Trás-os-Montes que tem maior valor para exportação, seguida do azeite e da amêndoa.

“Outros produtos como o vinho, o mel, as carnes, ou enchidos apresentam valores mais oscilantes dentro do mercado”, indicou.

Depois da apresentação desta estratégia de internacionalização dos produtos endógenos, a CIM-TTM, escolheu quatro mercados para potenciar o crescimento dos produtos da região, entre eles o mercado da saudade (França), a Alemanha, Brasil e mercado chinês a explorar via Macau.

O estudo de internacionalização da CIM-TTM, a que Lusa teve acesso, indica que a sub-região das Terras de Trás-os-Montes apresenta um conjunto significativo de produtos endógenos de qualidade reconhecida.

“No entanto, com reduzidas exceções, a diversidade e qualidade destes produtos não se tem refletido no desenvolvimento das atividades econômicas que lhes estão associadas”, lê-se no estudo.

Ciente desta realidade, a CIM TTM tem vindo a promover diferentes iniciativas no sentido de potenciar, não só o aproveitamento econômico, mas também social, cultural e ambiental dos recursos endógenos da sub-região.

Por seu lado, o presidente da CIM-TTM, Artur Nunes, disse que não havia uma estratégia para a internacionalização dos produtos e turismo provenientes das Terras de Trás-os-Montes.

“Este estudo é um ponto de partida para que possamos identificar os produtos, convidar novos produtores para se juntarem a esta estratégia. Nós até podemos dizer que todos os nossos produtos são bons, mas temos de ter garantias como DOP ou IGP, porque é esta certificação que nos dá garantias de qualidade para entramos nos mais diversos mercados internacionais”, vincou o também autarca de Miranda do Douro.

Neste enquadramento, a Comunidade Intermunicipal avançou com a preparação do projeto “Estratégia de Internacionalização e Abordagem a Mercados Prioritários para os Recursos Endógenos e Produtos Turísticos das Terras de Trás-os-Montes” e com a respetiva candidatura ao Sistema de Apoio às Ações Coletivas “Internacionalização e que foi hoje apresentado no Parque Ibérico Natureza e Aventura, em Vimioso, onde marcaram presença algumas dezenas de produtores regionais para se inteirarem da nova estratégia.

Para Francisco Pavão, presidente da Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes, este é o caminho a seguir para o reconhecimento dos produtos mais emblemáticos do território trasmontano.

“Estamos satisfeitos com o trabalho apresentado e esperamos que daqui possa sair a ideia de congregar os produtos do território e que a sua qualidade seja reconhecida através de uma marca chapéu que seja capaz de se internacionalizar”, enfatizou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Países Africanos, FMI, Banco Mundial e o Sistema da Dívida

Por José Menezes Gomes Esse artigo pretende abordar como países distantes geograficamente, que aparentemente teriam características diferentes poderiam ter algo em comum com grande impacto sobre suas dimensões econômicas e sociais. Recentemente enviei um artigo, que tratava da divida pública

Leia mais »