Governo português diz que empresas devem aproveitar para investir agora em Moçambique

Moçambique. Foto Lusa

 O secretário da Economia de Portugal apelou hoje às empresas portuguesas para aproveitarem as oportunidades de investimento em Moçambique, defendendo que o país oferece condições para servir também de plataforma de expansão na África austral.

“Moçambique vai ter aqui oportunidades excecionais do ponto de vista da criação de infraestruturas”, afirmou João Rui Ferreira, em declarações à Lusa à margem da inauguração da 61.ª Feira Internacional de Maputo (Facim), que conta com cerca de 100 empresas portuguesas, entre quase 3.000 expositores.

“Eu não tenho dúvidas, o Governo português não tem dúvidas, das oportunidades que existem. Conhecemos também algumas das dificuldades, estamos a trabalhar nelas, elas são conhecidas. Eu penso que o clima também de tranquilidade ou de alguma normalidade, de estabilidade, permite aqui alguma melhoria da confiança e do otimismo”, afirmou.

Questionado sobre o momento atual da economia moçambicana, com megaprojetos de gás a avançarem, e o interesse crescente das empresas portuguesas neste mercado, o governante considerou que o contexto é favorável ao investimento.

O governante disse acreditar que “o timing vai ser importante”, acrescentando que vê maiores oportunidades na aposta produtiva local do que apenas no aumento das exportações para Moçambique.

“Eu olho aqui mais numa perspetiva de facto do investimento das empresas portuguesas localmente para poderem expandir e criar em Moçambique a sua atividade, o seu modelo de negócios”, explicou, garantindo que a aposta no país pode ser também uma “porta” para entrada no mercado da África austral.

“Venho trazer uma mensagem de otimismo e de uma confiança que sentimos também nesta vontade de transformação da economia moçambicana, também o espírito reformista de Moçambique, olhar para as grandes transformações mundiais e ter um foco naquilo que é o investimento português enquanto um investimento de confiança, de qualidade”, disse.

Segundo o secretário de Estado, a presença institucional portuguesa na Facim pretende reforçar a confiança dos empresários num momento em que Moçambique procura consolidar o crescimento económico e captar mais investimento estrangeiro.

“Essa mensagem que venho trazer [é] também dar esse espírito e essa vontade, esse otimismo às empresas portuguesas, não só para olhar para Moçambique enquanto mercado interno, mas para, a partir de Moçambique, expandirem as suas relações em toda esta região”, declarou.

João Ferreira considerou que o país reúne condições para assumir um papel relevante na África austral, destacando setores que poderão concentrar novas oportunidades de negócio nos próximos anos.

“Há uma aposta claríssima que Moçambique está a querer fazer e que é uma oportunidade para Portugal na área do turismo”, afirmou ainda, sublinhando que o potencial do mercado moçambicano deve ser encarado numa lógica de longo prazo, baseada na instalação e crescimento local das empresas.

O secretário de Estado defendeu ainda que a relação económica entre os dois países beneficia da proximidade política e institucional existente entre Lisboa e Maputo.

“É esta mensagem também desta continuação da excelente relação diplomática institucional que há entre os dois governos, reforçar esta mensagem, esta transmissão de confiança, no reforço também do nosso apoio às empresas portuguesas”, disse.

O governante apontou igualmente a formação profissional e a capacitação de recursos humanos como áreas onde as empresas portuguesas têm desenvolvido cooperação relevante com Moçambique.

“As empresas têm feito aqui um trabalho de cooperação grande”, afirmou.

A 61.ª Feira Internacional de Maputo (Facim) decorre entre 31 de agosto e 5 de setembro no Centro Internacional de Feiras e Exposições de Ricatla, no distrito de Marracuene, província de Maputo. Considerada a principal montra de negócios de Moçambique, a edição deste ano tem como lema “Transformação digital e energética para uma economia sustentável” e foi oficialmente aberta pelo Presidente moçambicano, Daniel Chapo.

A organização prevê a participação de quase 3.000 expositores provenientes de 29 países, incluindo cerca de 600 empresas estrangeiras e 2.300 expositores nacionais, esperando igualmente receber cerca de 55 mil visitantes ao longo dos seis dias do certame. O Brasil participa como país convidado de honra.

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