Mundo Lusíada
Com Lusa

“Estamos confiantes de que temos argumentos sólidos para demonstrar que estamos plenamente em conformidade com as regras de comércio multilateral”, afirmou o ministro brasileiro, durante conferência de imprensa, em Brasília.
O comentário foi feito após a União Europeia ter questionado, junto da Organização Mundial de Comércio (OMC), as medidas adotadas pelo Governo brasileiro nos últimos anos com vista a manter favorecer a indústria nacional, fazendo frente aos efeitos da crise internacional.
Entre os programas contestados, estão estímulos ao setor automóvel, que inclui um aumento de 30% dos impostos de importação para automóveis estrangeiros; além de ações para fomento da indústria tecnológica, com incentivos fiscais para fábricas de computadores e smartphones.
As duas partes terão agora 60 dias para negociar uma solução, findos os quais, caso não se tenha chegado a um acordo, poderá levar à abertura de um painel de disputa.
Em outro evento, o presidente da Confederação Nacional da Indústria do Brasil (CNI), Robson de Andrade, também saiu em defesa dos programas, a garantir que as ações não são protecionistas. “O Brasil não é um país protecionista”, afirmou Andrade.
UE
A União Europeia solicitou em 19 de dezembro a realização de consultas com o Governo brasileiro, ao abrigo da resolução de litígios da OMC, por considerar que o Brasil tem intensificado a prática de tributação discriminatória ilegal.
Segundo a Comissão Europeia, “nos últimos anos, o Brasil intensificou o recurso ao sistema fiscal de forma incompatível com as suas obrigações no âmbito da OMC, conferindo vantagens às indústrias nacionais”, protegendo-as assim da concorrência, apontando Bruxelas que “estas medidas consistem sobretudo em isenções seletivas ou reduções da tributação sobre os produtos nacionais”.
O executivo comunitário indicou que a União Europeia suscitou a questão em conversações bilaterais com Brasília mas que não houve progressos.
Em setembro de 2011, indica Bruxelas, “o Governo brasileiro decidiu um grande aumento da tributação sobre veículos a motor (mais 30% sobre o seu valor), combinado com uma exceção para veículos automóveis ligeiros e pesados produzidos internamente”, uma tributação discriminatória que deveria ter expirado em dezembro de 2012, mas que, em setembro de 2012, foi substituída por um regime fiscal igualmente problemático, denominado «Inovar-Auto», instituído para mais cinco anos.
“Paralelamente, as autoridades brasileiras tomaram medidas que afetam outros bens, que vão de computadores e telefones inteligentes aos semicondutores. Ao abrigo de outros programas similares, são concedidos benefícios fiscais a bens produzidos em determinadas regiões do Brasil, independentemente do setor. As autoridades brasileiras também tornaram extensivos aos exportadores brasileiros os sistemas de isenções fiscais em vigor, aumentando o número de potenciais beneficiários”, prossegue o executivo comunitário.
Para a Comissão, “estas medidas fiscais têm um impacto negativo nos exportadores da UE, cujos produtos estão sujeitos a uma tributação mais elevada do que os concorrentes brasileiros” e, “além disso, as medidas restringem as trocas comerciais, porquanto favorecem a localização da produção e dos fornecimentos, e conferem uma vantagem aos exportadores brasileiros”.




