Da Redação
A Sociedade Portuguesa de Beneficência reafirmou sua identidade lusitana ao promover, na noite de 24 de abril, no Salão Nobre do Hospital Santo Antônio em Santos, uma cerimônia em celebração aos 52 anos da Revolução dos Cravos, movimento deflagrado na madrugada de 25 de abril de 1974 e considerado o marco inicial da democracia em Portugal, país de origem dos fundadores da instituição, mantenedora dos hospitais Santo Antônio e Santa Clara.
A solenidade contou com saudação do escritor e poeta Flávio Viegas Amoreira, participação do professor e geógrafo Luiz Paulo Nunes, apresentações do Coral do Centro Cultural Português de Santos, sob regência do maestro Mário Tirolli, além das exibições do Rancho Folclórico Verde Gaio (que é também do Centro Cultural Português) e do Grupo Folclórico Cruz de Malta.
Na ocasião, a direção da entidade, presidida por Ademir Pestana, homenageou instituições portuguesas que mantêm vivas as tradições lusitanas na cidade e na região, entre elas a Associação Luso Brasileira de Cubatão, Associação Atlética Portuguesa, Casa da Madeira, Casa de Portugal de Praia Grande, Centro Cultural Português, Clube de Regatas Saldanha da Gama, Clube de Regatas Vasco da Gama, Coral do Centro Cultural Português, Elos Clube de Santos, Elos Clube de São Vicente, Escola Portuguesa, Escritório Consular de Portugal, Fundação Lusíada, Grupo Folclórico Cruz de Malta, também três Ranchos Folclóricos: Madeirense, Verde Gaio e o Veteranos.
A exaltação à lusitanidade foi conduzida pelo presidente Ademir Pestana, com participação especial do mestre em Educação, escritor e poeta Maurílio Tadeu de Campos, reforçando o objetivo da celebração de enaltecer as raízes portuguesas e, ao mesmo tempo, reavivar na memória coletiva — especialmente das novas gerações — a importância da luta pela democracia e sua preservação.
O evento também destacou o contexto histórico da Revolução dos Cravos, um dos mais importantes acontecimentos do século XX, marcada pela união entre civis e militares contra o regime autoritário instaurado por António de Oliveira Salazar e mantido por 41 anos, incluindo os impactos das guerras coloniais na África.
Na ocasião, foi lembrado que, na noite de 24 de abril de 1974, a canção “E Depois do Adeus”, transmitida às 22h55, serviu como primeira senha para o levante, seguida, já na madrugada do dia 25, pela execução de “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, pela Rádio Renascença, sinal definitivo para a mobilização que culminou, ao final daquele dia, na deposição do então governante Marcelo Caetano e na explosão de alegria popular nas ruas.
Encerrando a programação, os convidados participaram de uma degustação do “Patê de Abril em 3 tempos”, criação do chef José Nascimento, à base de bacalhau, inspirada nas três etapas da revolução — o avanço das tropas, a preparação nos quartéis e a celebração popular —, traduzidas na iguaria por diferentes intensidades de sabor, como forma simbólica de homenagear um dos episódios mais marcantes da história contemporânea portuguesa.




