52 anos da Revolução dos Cravos: Comunidade luso-brasileira na Alesp lembra marco histórico da luta por liberdade

Foto: Rodrigo Costa/ Alesp

Da Redação

Um ato solene em homenagem à Revolução dos Cravos foi realizado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na noite de quarta-feira (22), que comemorou também o Dia da Comunidade Luso-brasileira. O movimento histórico em Portugal marcou o fim de 48 anos de ditadura, em 25 de abril de 1974, data considerada até hoje como o “Dia da Liberdade”.

25 de abril simboliza a transição para a democracia portuguesa, liderada pelos chamados Capitães de Abril. O cravo vermelho utilizado pelo exército português e por civis tornou-se o símbolo da revolução, representando um protesto pacífico e de esperança.

“É com grande honra que comemoramos esta data. Homenageamos um marco histórico da luta pela liberdade e da democracia que ressoou não só em Portugal, mas em todos os países de língua portuguesa e no mundo”, afirmou o deputado Paulo Fiorilo (PT), proponente do evento.

Ao abrir a cerimônia, Fiorilo ressaltou o significado histórico e contemporâneo da data, reiterando que o 25 de Abril ultrapassa o caráter comemorativo e se consolida como inspiração permanente para a defesa da democracia. “Este dia é uma fonte de inspiração que nos encoraja a lutar por uma sociedade mais justa e igualitária”, afirmou o parlamentar.

O ato solene contou com a presença da comunidade luso-brasileira, entre eles o cônsul-geral de Portugal em São Paulo, Antonio Pedro Rodrigues da Silva; a presidente da Casa de Portugal em Campinas, Ana Calvinho; o 1º vice-presidente da Casa de Portugal em São Paulo, Antonio de Almeida e Silva. A cantora Heloisa Costa fez uma interpretação à capela da canção “Grândola, Vila Morena”, composta por Zeca Afonso e que tornou-se símbolo maior da liberdade portuguesa.

A solenidade reuniu importantes lideranças, entre os homenageados durante o Ato Solene estiveram representantes de entidades tradicionais, como Renato Afonso Gonçalves e Antônio Almeida e Silva, da Casa de Portugal de São Paulo. 

Representando a Casa de Portugal de São Paulo na mesa dos trabalhos da solenidade, Almeida e Silva lembrou o fato da homenagem ocorrer exatamente em 22 de abril, Dia da Comunidade Luso-Brasileira.

“É para nós dirigentes desta comunidade em São Paulo um privilégio participar de tão importante comemoração. São Paulo, na geografia sentimental dos portugueses, representa uma espécie de utopia realizada, um sonho consumado. Sem dúvida, São Paulo é, nesta geografia, o grande espaço por excelência do mundo lusíada, que portugueses e brasileiros criaram, e é o testemunho eloquente da nossa participação contínua em seu desenvolvimento, desde Piratininga até os projetos atuais de seu desenvolvimento”. Sobre a Revolução dos Cravos, Almeida e Silva enfatizou que Portugal até hoje vem experimentando os benefícios que esta liberdade e democracia trouxeram. “Uma data que tem que ser festejada mesmo, pois como disse o poeta Vinícius de Moraes, era preciso desengravatar Portugal. E a Revolução dos Cravos fez isso, desengravatou nosso país”, afirmou.

Ainda representando a Casa de Portugal, esteve presente Ernesto de Lemos, do Grupo Folclórico, simbolizando a preservação das raízes culturais portuguesas no estado. A homenagem proposta contou ainda com as participações de Luiza Moura, do Centro Cultural 25 de Abril; Antero José Pereira, do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo; e Leandro Teixeira Duarte, da Associação Portuguesa de Desportos, evidenciando a diversidade de áreas em que a comunidade portuguesa atua e contribui para a sociedade paulista.

A presença diplomática na atividade foi marcada pelo embaixador António Pedro Rodrigues da Silva, Cônsul Geral de Portugal em São Paulo, reforçando o caráter institucional e internacional da homenagem. Ao lado dele, lideranças como Ana Cristina Calvinho, da Casa de Portugal de Campinas; José Duarte de Almeida Alves, do Centro Cultural Português da cidade de Santos; Paulo Augusto de Freitas, da Casa de Portugal do Grande ABC, e Karene Vilela, da Câmara de Comércio Portuguesa em São Paulo, compuseram o conjunto de homenageados.

Legado

Durante 48 anos, Portugal foi governado por uma ditadura conhecida como “Estado Novo” (1933-1974), liderada por António de Oliveira Salazar. O regime caracterizou-se pela repressão política, censura à imprensa e limitação das liberdades civis.

O advogado e ex-secretário da Justiça e Cidadania de São Paulo, Belisário Santos Júnior, considera que a atmosfera de descontentamento entre a população foi fundamental. “O povo é quem mais ordena”, enfatizou.

A ruptura abrupta que derrubou o Estado Novo em um único dia teve forte e imediato apoio popular. As forças do regime não estavam preparadas para algo tão amplo e essa força, para Belisário, transformou o movimento em revolução política e social pacífica, mesmo tendo quatro baixas.

Para o advogado, o dia 25 de abril será sempre importante por trazer reflexões sobre Portugal e o Brasil. “São 52 anos, mas é preciso sempre lembrar: verdade e memória são fundamentais para a construção da democracia”, afirmou.

Semelhanças com o Brasil

Belisário ainda destacou as semelhanças entre a ditadura militar portuguesa e a brasileira (1964-1985). Enquanto em Portugal houve desmantelamento imediato das estruturas centrais da ditadura salazarista, no Brasil houve uma transição gradual e negociada iniciada ainda sob a ditadura militar.

“Aqui, os militares tiveram preponderância na condução do processo preservando parte das elites políticas e institucionais do regime militar”, disse.

Nesse sentido, o vice presidente da Casa de Portugal em São Paulo, Antônio de Almeida e Silva, disse que o evento não é apenas um reconhecimento entre Brasil e Portugal, mas “o empenho em contribuir para que no futuro se possa melhor usufruir do patrimônio de valores humanistas e de experiência vivida das nações lusófonas”.

Antes do encerramento, foram entregues as homenagens da noite, à Associação Portuguesa de Desportos, Casa de Portugal de São Paulo, Centro Cultural 25 de Abril, Conselho da Comunidade Luso-brasileira do Estado de São Paulo, Consulado Geral de Portugal em S.Paulo, Casa de Portugal de Campinas, Centro Cultural Português de Santos, Casa de Portugal do Grande ABC, e Câmara de Comércio Portuguesa em SP, homenagens recebidas por seus representantes.

Encerrando a solenidade, Fiorilo reforçou a importância de manter viva a memória histórica. Para o deputado, recordar o 25 de Abril é essencial para fortalecer os valores democráticos. “Que essa luz continue a guiar todos aqueles que acreditam na liberdade”, concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também