UE é um trunfo num mundo polarizado – António Costa

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu hoje que a visão global da União Europeia (UE) é um trunfo num mundo polarizado.

“Em tempos de polarização e fragmentação no mundo, a visão global da Europa é um verdadeiro trunfo estratégico”, disse, falando na conferência anual de embaixadores da UE.

“Conhecemos a nova realidade: uma realidade em que a Rússia viola a paz, a China perturba o comércio e os Estados Unidos desafiam a ordem internacional baseada em regras”, referiu ainda.

Perante esta “nova realidade”, considerou, é preciso “defender a ordem internacional baseada em regras”, sublinhando ainda que as violações do direito internacional não podem ser admitidas “seja na Ucrânia, Gronelândia, América Latina, África, em Gaza ou no Médio Oriente”.

António Costa salientou ainda que “as violações dos direitos humanos não podem ser toleradas – seja no Irã, no Sudão ou no Afeganistão”.

Referindo que a guerra no Médio Oriente é a principal preocupação, o líder do Conselho Europeu apontou responsabilidades ao Irã pelas causas da situação e referiu que os ataques de Teerão e dos seus ‘proxies’, como o grupo xiita libanês Hezbollah, a países vizinhos têm de acabar.

Costa salientou ainda que o conflito no Médio Oriente favorece a Rússia, nomeadamente com o aumento dos preços da energia que ajudam a economia deste país exportador de petróleo e a redução da atenção internacional à guerra na Ucrânia.

Os EUA e Israel lançaram a 28 de fevereiro uma campanha de ataques militares contra o Irã.

Em resposta, o Irã lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registrados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.

Petróleo

Nesta terça-feira, a presidente da Comissão Europeia anunciou uma garantia de 200 milhões de euros para apoiar investimento privado em tecnologias nucleares inovadoras, visando evitar “as vulnerabilidades” verificadas com a importação de gás e petróleo do Médio Oriente.

“Precisamos de mobilizar investimento e hoje posso anunciar que criaremos uma garantia de 200 milhões de euros para apoiar o investimento privado em tecnologias nucleares inovadoras. Os recursos virão do Sistema de Comércio de Emissões [para] não só reduzirmos o risco dos investimentos nestas tecnologias de baixo carbono, como também queremos enviar um sinal claro para que outros investidores se juntem”, declarou Ursula von der Leyen.

Intervindo na Cimeira sobre Energia Nuclear, em Paris, a responsável lembrou que “a Europa não é produtora de petróleo nem de gás”.

“Para combustíveis fósseis, dependemos completamente de importações caras e voláteis, o que nos coloca numa desvantagem estrutural em relação a outras regiões. A atual crise no Médio Oriente lembra-nos de forma clara as vulnerabilidades que isso cria”, acrescentou.

Observando que os “preços da eletricidade na Europa são estruturalmente demasiado elevados”, Ursula von der Leyen defendeu que “a eletricidade acessível não é apenas importante para o custo de vida dos cidadãos, como também decisiva para a competitividade da indústria”.

A alternativa, a seu ver, passa pela energia nuclear, que “é fiável, fornecendo eletricidade durante todo o ano, 24 horas por dia”.

“O sistema mais eficiente combina energia nuclear e energias renováveis, apoiado por armazenamento, flexibilidade e redes elétricas”, acrescentou.

O executivo comunitário entende que a combinação entre energia nuclear e energias renováveis poderá reforçar a independência energética do bloco comunitário.

Irã encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.

O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.

Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.

Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia – especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial – tende a gerar choques nos mercados energéticos internacionais e a elevar os preços.

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