A União Europeia e os Estados Unidos chegaram hoje a um acordo comercial que prevê a imposição de tarifas aduaneiras de 15% sobre os produtos europeus.
O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os EUA traz estabilidade, referiu hoje, em Bruxelas, o comissário europeu para o Comércio, Maros Sefcovic, salientando estar 100% seguro de que é melhor do que uma guerra comercial.
Feitas as contas, garantiu hoje Sefcovic, “tenho 100% de certeza que este acordo é melhor do que uma guerra comercial com os EUA”.
“Se eu tivesse de resumir este acordo UE-EUA numa frase, diria que traz uma estabilidade renovada e abre a porta à colaboração estratégica”, referiu ainda o comissário, em conferência de imprensa, um dia depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente dos Estados unidos, Donald Trump, terem fechado na Escócia (Reino Unido) um acordo que prevê a taxa de 15% sobre produtos europeus e o compromisso da UE sobre a compra de energia norte-americana no valor de 750 mil milhões de dólares (643 mil milhões de euros) e o investimento de 600 mil milhões (514 mil milhões de euros) adicionais, além de aumentar as aquisições de material militar.
O acordo, explicou Sefcovic, inclui a proposta de uma “aliança metalúrgica”, para gerir o aço, o alumínio e o cobre, com contingentes pautais e tratamento preferencial e inclui igualmente aquisições estratégicas de chips de energia e de inteligência artificial para reforçar a competitividade tecnológica.
O comissário para o Comércio sublinhou também que o executivo comunitário (que tutela a política comercial europeia) fez tudo para manter os 27 Estados-membros informados a cada passo das negociações.
Portugal
Num comunicado, o governo português disse que “o entendimento alcançado entre a União Europeia e os Estados Unidos da América representa um passo essencial para a previsibilidade e estabilidade” de que as empresas precisam.
Segundo o Ministério da Economia e da Coesão Territorial, “num momento marcado por tensões e incerteza no comércio internacional” foi evitada “a escalada de medidas protecionistas, garantindo condições mais claras” para a atuação das empresas exportadoras.
“Ainda assim, nada substitui a liberdade de comércio”, destacou, salientando que “é precisamente por isso que Portugal manterá uma postura ativa na promoção da eliminação gradual de tarifas e outras barreiras ao comércio”.
O Governo lembrou que, neste âmbito, aprovou em abril o Programa Reforçar, com “um conjunto de medidas de apoio às empresas, com o objetivo de mitigar eventuais efeitos adversos”.
De acordo com a tutela, “no âmbito das linhas BPF INVEST EU, foram recebidas 14 mil candidaturas, totalizando 3,2 mil milhões de euros, dos quais 2,5 mil milhões foram já aprovados e 1,6 mil milhões pagos às empresas”.
O ministério recordou que “foi também lançada a linha BPF INVEST EXPORT PT, dedicada às PME exportadoras, que conta já com 2.600 candidaturas, no valor de 1.300 milhões de euros”, salientando que, deste montante, 600 milhões já foram aprovados.
Já no quadro do novo Programa de Incentivos PT2030 foi “lançada uma linha de subvenções não reembolsáveis para apoio à internacionalização, direcionada a projetos conjuntos, promovendo uma abordagem colaborativa nos mercados externos” e antecipado “o calendário dos avisos para ações coletivas de internacionalização, com abertura já a 31 de julho”.
Os EUA e os países da UE trocam diariamente cerca de 4,4 mil milhões de euros em bens e serviços.




