Neste dia 10, o partido da oposiçao PS acusou o Governo de “retrocesso deliberado” que agrava ainda mais a vida dos portugueses, considerando que naquilo que importa “Portugal está mesmo pior” e que os “estadistas prometidos”, como Luís Montenegro, são “afinal falsos profetas”.
Nas declarações políticas que decorrem esta tarde na Comissão Permanente da Assembleia da República, a deputada e secretária-geral da Juventude Socialista, Sofia Pereira, interveio para fazer, segundo disse, “um teste do algodão” à governação do PSD/CDS-PP.
“Ouvir as intervenções do PSD e CDS nesta casa, quase nos fazem crer que Luís Montenegro e Hugo Soares são os nossos estadistas prometidos. Uma espécie de D. Sebastião, que, vindos do nevoeiro que nos assombrava, resgataram, de forma abnegada, o país para o caminho do desenvolvimento”, ironizou.
Sofia Pereira fez um conjunto de perguntas, comparando a situação atual com aquela que existia na governação socialista sobre temas como as propinas, o alojamento local, o luto gestacional e os contratos a prazo ou contratação coletiva, entre outras questões laborais.
“Cada uma destas perguntas tem a mesma resposta: infelizmente com vocês, com a vossa bancada, estamos cada vez piores. A vida está mais cara e este Governo escolhe sempre o mesmo caminho, agravar as suas vidas”, criticou.
Para a deputada do PS, “este é o retrocesso deliberado de um Governo que decide piorar ainda mais a vida dos portugueses”.
“Os vossos estadistas prometidos revelam-se afinal falsos profetas: anunciam uma redenção e entregaram retrocesso, prometeram luz e trouxeram escuridão, falaram em futuro, mas o que nos devolvem é o passado”, condenou.
A agenda do Governo liderado por Luís Montenegro, segundo Sofia Pereira, é “regredir para beneficiar poucos, sempre a rir-se de quem paga o preço”.
Pelo Livre, Isabel Mendes Lopes referiu-se ao acidente do elevador da Glória, em Lisboa, reiterando o pesar e solidariedade do partido e também o “agradecimento sentido” a todos os profissionais que trabalharam nesta tragédia.
Aguardando pelo relatório das causas do acidente e recusando especular sobre o caso em concreto, Isabel Mendes Lopes focou-se na necessidade de haver uma “administração pública robusta, capacitada, resiliente e motivada”.
“Sabemos hoje que o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários tem apenas um investigador designado para poder fazer a perícia do acidente do elevador da Glória e que há meses pediu ao Governo que se abrisse uma vaga para um segundo investigador, ainda sem resposta”, exemplificou.
Para o Livre, “a falta de recursos e a dificuldade em reter quadros especializados são queixas constantes das entidades públicas”, sendo “um problema real que afeta depois todo o funcionamento do país”.
“O funcionamento e a segurança dos sistemas depende sempre das pessoas que nele trabalham, do conhecimento que têm e dos meios que têm à sua disposição”, referiu, lamentando que ao longo dos últimos anos se esteja a assistir “a uma descapitalização do Estado no que toca aos seus trabalhadores e, sobretudo, à capacidade de produção, retenção, transferência e partilha de conhecimento”.
Falhas
Também o deputado do Chega Pedro Frazão acusou hoje o executivo de Luís Montenegro de falar muito e fazer pouco e de falhar “em todas as frentes”, considerando que “basta de governos que não governam”.
“Portugal está cansado dos que falam muito e fazem pouco, e o Governo de Luís Montenegro é especialista nisso mesmo”, afirmou, na Assembleia da República.
O vice-presidente do partido equiparou o Governo PSD/CDS-PP a um carro sem travões: “Prometeu muita velocidade, mas estatelou-se de frente contra o muro da verdade. O Governo de Montenegro falhou em todas as frentes e nós estamos aqui para dizer, em voz alta, aquilo que a rua diz, aquilo que o povo já grita nas ruas”.
“Basta de promessas e mentiras, basta de Governos que não governam”, afirmou, recomendando aos membros do executivo que “saiam da frente” se “não sabem como bem fazer”, e deem lugar ao seu partido.
Entre os “graves falhanços do Governo”, Pedro Frazão apontou os incêndios que afetaram vários pontos do país durante o verão ou o acidente com o elevador da Glória, em Lisboa, a crise na habitação, e deixou críticas em áreas como justiça, imigração, segurança e agricultura.
“Passando para o Serviço Nacional de Saúde, uma promessa que o PSD fez em virar a página em 60 dias, pois esse virar de página transformou-se num virar de cara do primeiro-ministro. Faltam médicos, faltam enfermeiros, faltam as urgências, mas sobra propaganda. O Governo diz que está tudo melhor, que está tudo quase bem, mas oiçam as ruas, senhores deputados, perguntem às famílias que esperam meses por uma consulta, que procuram lugar para os seus bebés nascerem, que percorrem centenas de quilómetros para encontrar uma urgência aberta”, sustentou.
No que toca aos incêndios, o deputado do Chega assinalou que “desde 2007 já foram gastos 3.100 milhões de euros”, e criticou a falta de meios aéreos próprios de combate aos incêndios.
“Quando se gastam 3.100 milhões de euros em oito anos e nada muda, isto não vos cheira a corrupção? Sim, a corrupção, esse maior buraco negro da nossa democracia, todos os dias mais um escândalo, mais uma vergonha, mais o nome ligado ao PS ou ao PSD”, acusou, considerou que os portugueses se perguntam se “vale a pena trabalhar, vale a pena pagar impostos neste país, vale a pena ficar aqui quando os poderosos vivem impunes”.
Governo
O líder parlamentar do CDS-PP pediu hoje ao Chega e ao PS responsabilidade e “sentido de Estado” na discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2026, advertindo que “a incerteza internacional” assim o exige.
“Estamos no caminho certo. A economia está bem e recomenda-se. E agora há que manter o rumo e o caminho no próximo Orçamento de Estado para 2026. Cabe agora às oposições, designadamente do Chega e do PS, mostrar responsabilidade e sentido de Estado. A incerteza internacional e o bom senso assim o exigem”, apelou Paulo Núncio.
O deputado centrista falava na reunião da Comissão Permanente – órgão que funciona quando os trabalhos da Assembleia da República estão suspensos -, numa intervenção na qual defendeu que apesar de alguma instabilidade internacional, com a queda do Governo francês e a continuação das guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, “a economia portuguesa continua a crescer”.
“Portugal já viu duas vezes o ‘rating’ da dívida pública subir por parte das agências internacionais e o governo português prepara-se mesmo para reduzir a dívida pública para próximo de 90% do PIB, quiçá abaixo dos 90% do PIB”, afirmou.
“Eu lembro-me de ouvir deputados nesta Assembleia dizerem que se o Governo cumprisse o seu programa que isso iria pôr em causa a estabilidade das contas públicas. Ouvi outras pessoas fora da Assembleia e sob a sombra do regulador a prever mesmo que em 2025 Portugal iria ter um défice orçamental. A todos esses eu quero dizer que se enganaram e que se continuarão a enganar”




