Portugal e Ucrânia acordam produção conjunta de drones subaquáticos.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, chegou nesta manhã a Kiev para uma visita de um dia à Ucrânia, que inclui uma reunião com o Presidente da República Volodymyr Zelensky.
O primeiro-ministro afirmou que a visita de hoje a Kiev tem “um significado especial”, por se tratar de um país em guerra, e quer trazer “a expressão de um apoio” português desde o primeiro minuto e também afeto.
“Esta visita é sobretudo a expressão – e não propriamente um anúncio – de um apoio que tem sido continuado desde o primeiro minuto em que a agressão injustificada, injusta da Rússia se iniciou, que Portugal tem estado ao lado da Ucrânia e dos ucranianos”, afirmou.
Montenegro admitiu que apesar de já ter feito várias viagens neste ano e meio à frente do Governo PSD/CDS-PP esta visita à Kiev tem “um significado muito especial” por se tratar de “um país que foi agredido, está a ser agredido, invadido, está sob guerra”.
“Mais do que qualquer outro, está naturalmente mais carente da nossa solidariedade e da nossa proximidade, para não dizer mesmo do nosso afeto, é isso que nós também trazemos”, afirmou.
O primeiro-ministro português acrescentou que nesta altura “a Ucrânia precisa de apoio financeiro, não vale a pena ignorá-lo”.
“Portugal tem-no feito do ponto de vista bilateral, Portugal tem ajudado a Ucrânia em múltiplos programas da mais variada índole: do ponto de vista humanitário, do ponto de vista social, do ponto de vista militar, do ponto de vista político, mas Portugal tem também uma relação que é uma relação de proximidade entre as nossas comunidades e os governos também têm a obrigação de representar e expressar pelo povo aquilo que o povo todo sente”, afirmou.
O primeiro-ministro salientou que vivem em Portugal várias dezenas de milhares de ucranianos, “uns que procuraram em Portugal uma oportunidade independentemente das circunstâncias de guerra e outros que, em virtude dela, encontraram em Portugal também o país que os acolheu e que os integrou”.
Drones
Portugal e a Ucrânia celebraram hoje um acordo para produção conjunta de drones subaquáticos e a realização de um fórum económico entre os dois países, anunciou o primeiro-ministro português.
“Portugal e a Ucrânia têm, ao nível dos veículos não tripulados, um conhecimento que é hoje a vanguarda do mundo”, destacou.
O primeiro-ministro anunciou a disponibilidade para produzir em Portugal “drones com tecnologia e conhecimento científico ucraniano”, bem como disponibilidade do país para levar a experiência e conhecimento científico a sua “capacidade produtiva para a Ucrânia”.
“É mesmo esse o objetivo do acordo que nós celebrámos”, disse.
Luís Montenegro disse ainda que Portugal e Ucrânia querem que este encontro signifique “um ponto de viragem” nas relações económicas entre os dois países, anunciando a realização de um fórum económico bilateral no próximo ano.
O primeiro-ministro afirmou ainda que “nada obsta” a que Portugal possa enviar militares para a Ucrânia em tempo de paz, e reiterou que o país não terá soldados no terreno neste país enquanto durar a guerra.
“Nada vai obstar a que militares portugueses possam fazer na Ucrânia o que já estão a fazer aqui ao lado, na Eslováquia, na Roménia, na Letónia, na Lituânia, em tantos outros países onde as nossas Forças Nacionais Destacadas no âmbito da União Europeia, no âmbito da NATO, participam em missões de paz e participam em missões de dissuasão e de segurança”, afirmou.
Montenegro disse querer ser muito claro: “Hoje, isso não está previsto e, portanto, ao dia de hoje, a nossa participação não envolve nenhum tipo de empenhamento terrestre. Já envolve participação a nível marítimo e a nível aéreo”.
“No futuro, tudo estará em aberto ao abrigo daquelas que são as nossas responsabilidades”, assegurou.
O líder do executivo português, acompanhado pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, viajou num comboio noturno para Kiev a partir da estação ferroviária de Medyka (Polónia), tendo desembarcado na estação ferroviária de Kiev às 08:13 (menos duas horas em Lisboa).
Durante a sua presença na capital ucraniana, no plano institucional, além da reunião com Volodymyr Zelensky, o primeiro-ministro português tem também um encontro com a sua homóloga ucraniana, Yulia Svyrydenko, e com o presidente do parlamento, Ruslan Stefanchuk.




