Presidente de Portugal defende que “só pode ser unânime” premiar Chico Buarque

Da Redação
Com Lusa

O Presidente português felicitou o músico e escritor brasileiro Chico Buarque, vencedor do Prêmio Camões 2019, defendendo que “só pode ser unânime” esta distinção da sua obra como romancista, dramaturgo, mas também como escritor de canções.

Numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa considera que, ao premiar Chico Buarque, o júri do Prêmio Camões reconheceu “naturalmente também o extraordinário escritor de canções, um dos maiores da língua portuguesa”.

Esta decisão vem “na continuidade de uma marcante decisão da Academia Sueca” de atribuir o Nobel da Literatura ao músico norte-americano Bob Dylan, dando “à canção, gênero ancestralmente ligado à poesia, um estatuto de dignidade literária”, refere o chefe de Estado.

“Premiar ‘letristas’ pode ser sujeito a discussão, mas premiar Chico Buarque só pode ser unânime, porque, tal como Bob Dylan para a língua inglesa, as canções de Chico traduzem um profundo conhecimento da tradição poética e um alargamento das fronteiras da linguagem musicada, trazendo um grau de sofisticação inédito à música que se diz, e bem, popular”, defende Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República saúda, por isso, o júri do Prêmio Camões que, “por unanimidade, lhe concedeu esta distinção, reconhecendo o romancista de ‘Estorvo’ ou ‘Budapeste’, o dramaturgo e argumentista, mas também o extraordinário escritor de canções”.

“Por outro lado, a obra de Chico Buarque, conquistou, ao longo de várias gerações, um incomparável respeito e emoção no mundo lusófono, nomeadamente pelos seus empáticos retratos femininos, pela afinidade com os bons malandros, pelo empenhamento político, pelo amor ao Rio de Janeiro e ao Brasil, pelo trabalho sobre uma língua que, atravessando tanto mar, nos une”, acrescenta Marcelo Rebelo de Sousa.

Chico Buarque, de 74 anos, foi anunciado na terça-feira como o vencedor do Prêmio Camões 2019, após reunião do júri na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

O músico e escritor brasileiro declarou que ficou “muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar”, o seu compatriota distinguido com o prêmio em 2016.

“Fiquei muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar”, refere a curta declaração divulgada pela assessoria de Chico Buarque.

Festa pá

O primeiro-ministro português, António Costa, também enalteceu a atribuição do Prêmio Camões ao escritor e músico brasileiro Chico Buarque por ser “o maior reconhecimento da literatura em língua portuguesa”.

“Saiba que estamos em festa, pá”, afirmou António Costa na rede social Twitter, descrevendo Chico Buarque como “o poema de sambas e canções” que os portugueses sabem de cor, “romancista que reserva à linguagem a sua maior atenção”.

“Junto-me à alegria de ver Chico Buarque ganhar o Prêmio Camões 2019”, escreveu o primeiro-ministro português.

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