O Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto vai mostrar, a partir de quarta-feira, parte do seu espólio na exposição “Maravilhário”, que celebra o ato de doar, foi hoje revelado.
São milhares de insetos, plantas, aves, peixes, mamíferos, fósseis e rochas, bem como vestígios arqueológicos, peças de arte, fotografias, arquivos científicos e objetos doados por gerações de investigadores, estudantes, colecionadores, naturalistas, arqueólogos, artistas e cidadãos.
Em declarações à agência Lusa, a diretora de comunicação do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, Maria João Fonseca, adiantou que esta é primeira vez que a instituição organiza uma exposição inteiramente constituída por objetos e espécimes que decorrem de doações.
“Na verdade, muitas destas doações começaram a ser feitas às instituições que antecedem aquilo que é hoje o Museu de História Natural e da Ciência. As pessoas vão poder ver elementos que normalmente não estariam acessíveis. Temos uma grande diversidade de objetos que basicamente multiplicam as oportunidades de deslumbramento que este museu oferece”, disse a também diretora da Galeria da Biodiversidade do Porto.
A exposição “Maravilhário – Doações ao Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto” abre quarta-feira e ficará patente até 20 de setembro no polo central do museu situado no edifício da Reitoria da Universidade do Porto, com entrada pelo Jardim da Cordoaria.
A iniciativa “celebra e reconhece o ato de doar como peça fundamental na construção, consolidação e ampliação das coleções do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto”, lê-se no resumo enviado à agência Lusa.
Há doações de pessoas diretamente envolvidas na história do museu e da universidade, como funcionários, professores e familiares destas pessoas, mas também algumas que “decorrem da atividade de colecionismo de privados, pessoas que dedicaram a sua vida a fazer coleções de insetos ou coleções de exemplares de herbário e mesmo de forma completamente amadora, mas revelando um profundo conhecimento daquelas áreas disciplinares”.
“Aquilo que nós hoje chamamos de cientistas cidadãos, os naturalistas modernos que na realidade são naturalistas idênticos àqueles que existiam numa fase em que o conhecimento científico ainda não estava institucionalizado”, acrescentou à Lusa Maria João Fonseca.
Convicta de que as coleções foram doadas “com muita generosidade” e na expectativa de que “as equipas do museu se responsabilizassem pela sua preservação, estudo e salvaguarda”, a diretora confessou alguma “angústia” na escolha dos objetos que estarão em exposição e contou que a par desses haverá “uma longa lista de nomes de pessoas que, num momento ou outro, se associaram à história do museu”.
“Nós tivemos de fazer uma seleção. São infinitas as doações que temos. Esta é uma forma de agradecer e de fazer este reconhecimento”, resumiu, sobre doações que começaram ainda no século XIX.
Entre os destaques da exposição encontram-se o esqueleto de uma baleia-azul juvenil que deu à costa na Praia do Paraíso, em Matosinhos, em 1937, parte da coleção neotropical reunida por José Teixeira da Silva Braga Júnior, que integrou milhares de aves, ninhos, mamíferos, répteis, peixes e invertebrados provenientes do Brasil, ou a coleção de aracnídeos dedicada ao estudo dos escorpiões, doada em 2025 pelo biólogo neerlandês Arie van der Meijden.
Há também objetos arqueológicos recolhidos em monumentos megalíticos portugueses no final do século XIX, um exemplar da bússola/pantómetro Wyssen, utilizada em trabalhos topográficos em Moçambique durante a década de 1960, a peça “Rei a cavalo”, da ceramista Rosa Ramalho, integrada numa relevante coleção de cerâmica popular portuguesa.
Na informação remetida à agência Lusa lê-se que os itens doados totalizam mais de 125.000 insetos, 40.000 moluscos, 1.650 objetos etnográficos, 1.550 objetos arqueológicos, 600 peixes, 500 anfíbios e répteis, 198 mamíferos, 4.450 aves, 1.150 fósseis, 300 rochas e minerais, 39.000 espécimes de herbário, bem como 5.500 exemplares de árvores e arbustos.
A exposição celebra, por isso, cerca de 200 mil doações recebidas em três séculos.
“No preciso momento em que estamos a falar podem estar a ocorrer mais doações (…). Consideramos que era o momento oportuno para fazermos um reconhecimento público do generoso ato de doar”, disse Maria João Fonseca.
Para além dos objetos expostos, há “uma segunda camada de complexidade nesta exposição, que são fotografias de grande formato de peças ilustrativas destas coleções e de outras, como por exemplo as que estão no Jardim Botânico ou na Galeria da Biodiversidade, que não poderão ser deslocadas, mas que estarão presentes sob a forma de imagens de grande qualidade estética”, contou.
A diretora, que confessou também “muito entusiasmo” pela possibilidade de as próprias famílias, os descendentes, os discípulos dos doadores poderem ver o trabalho dos doadores, seus familiares ou professores, acrescentou que também estará patente nesta exposição outra vertente.
“Que as pessoas percebam que é a partir destes materiais que se estuda a biodiversidade, a história de várias populações, de vários grupos culturais, e que se estuda a tecnologia, o avanço científico, que se estuda também a expressão cultural e artística”, concluiu.




