Norte homenageia pioneiros que há 25 anos levaram o Douro a Patrimônio Mundial

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) homenageia os autores do dossiê da candidatura do Douro a Patrimônio Mundial e apresenta as comemorações dos 25 anos da classificação pela UNESCO na sexta-feira, no Porto.

 “Este é um momento de justiça e de memória. Estamos a homenagear quem acreditou que o Douro era muito mais do que uma paisagem, era uma obra coletiva, única no mundo, construída pela determinação das suas gentes”, afirma hoje, citado em comunicado, o presidente CCDR-N, Álvaro Santos.

O Alto Douro Vinhateiro (ADV) foi classificado a 14 de dezembro de 2001 pela UNESCO como paisagem cultural, viva e evolutiva, abrangendo uma área de 24.600 hectares de 13 municípios.

O processo teve início em 1998, por iniciativa da Fundação Rei Afonso Henriques.

Fernando Bianchi de Aguiar, engenheiro agrónomo, professor universitário e antigo secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, coordenou o processo de inscrição do ADV na lista do Património Mundial da UNESCO.

A equipa multidisciplinar coordenada por Bianchi de Aguiar construiu o corpo técnico, científico e histórico do dossiê de candidatura que permitiu, segundo a CCDR-N, consagrar “o Douro como uma paisagem cultural de valor universal”.

Em fevereiro de 2001, a avaliação internacional no terreno reconheceu, nos socalcos e nos muros de xisto, o esforço acumulado de gerações que transformaram um território difícil numa paisagem produtiva, identitária e de exceção.

A inscrição formal aconteceu a 14 de dezembro de 2001, em Helsínquia, na Finlândia, um reconhecimento que, para Álvaro Santos, “não consagra um museu, mas uma paisagem em permanente construção, que só faz sentido se continuar viva, habitada e economicamente ativa”.

A homenagem “aos pioneiros” que levaram o Douro à classificação acontece na sexta-feira, na Alfândega do Porto, durante a sessão oficial de apresentação das comemorações dos 25 anos da classificação do ADV.

“A grande questão hoje não é apenas celebrar o que foi alcançado, mas decidir que Douro queremos deixar às próximas gerações”, afirma o presidente da CCDR-N.

Para Álvaro Santos, “preservar o Douro não significa congelá-lo no tempo, significa garantir que permanece sustentável, competitivo e capaz de oferecer futuro”.

A sessão deverá contar com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, bem como de Mário Ferreira, presidente da Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações, António Fontaínhas Fernandes, presidente da Liga dos Amigos do Douro, João Gonçalves, presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro, Francisco Lopes, presidente do Conselho Regional do Norte, e Raquel Seabra, administradora executiva da Sogrape.

O programa inclui a mesa-redonda “Alto Douro Vinhateiro: 25 Anos de Património Mundial – Desafios e Futuro”, na qual, segundo a CCDR-N, se procurará refletir sobre os principais desafios da região, demográficos, climáticos e económicos e sobre as respostas necessárias para as próximas décadas.

“Nenhum território prospera sem pessoas. Nenhuma paisagem sobrevive sem comunidade. É por isso que o futuro do Douro depende da nossa capacidade de criar condições para viver, trabalhar e investir no interior”, realçou Álvaro Santos.

Para o responsável, o “maior tributo” que se pode prestar a quem construiu o Douro “é assegurar que ele continua vivo daqui a 25 anos, com a mesma força, identidade e esperança”.

Em 2021, a propósito dos 20 anos da classificação, Fernando Bianchi de Aguiar afirmou à Lusa que a principal consequência da distinção pela UNESCO foi a “preservação do bem”, mostrando-se preocupado com a “desertificação progressiva” e a “sustentabilidade económica” da região.

A sessão de sexta-feira assinala o arranque de um ciclo comemorativo promovido pela CCDR-N, em parceria com a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e a CIM Douro, com o ponto alto das celebrações a acontecer a 14 de dezembro de 2026.

O programa prolongar-se-á até junho de 2027.

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