Milhares de pessoas assistiram hoje ao eclipse total do Sol no aeródromo de Bragança com palavras de surpresa e espanto quando o céu ficou escuro.
Quando o dia se tornou noite, às 19:32, a população aplaudiu, gritou e bateu palmas, exclamando palavras como “que lindo” ou “já está”.
O espanto, o contentamento e a emoção eram sentimentos transversais entre as milhares de pessoas que, com óculos adaptados, presenciaram o momento, que foi acompanhado de um vento que não se sentia pouco antes.
Houve até quem dissesse que viu estrelas e quem, para o ano, equacione ir ao sul de Espanha assistir, mais uma vez, a um eclipse total do sol.
A lua escondeu o sol e encantou alguns dos peregrinos que hoje estavam no Santuário de Fátima para a tradicional Peregrinação dos Emigrantes, mas acabaram a tarde de olhos postos no céu a testemunhar um histórico eclipse solar.
A escadaria da Basílica de Nossa Senhora do Rosário foi o “palco” escolhido por uma família de nove pessoas, natural de Braga, mas que se encontra emigrada no Mónaco.
Sempre que regressam de férias a Portugal, a passagem por Fátima é obrigatória e, este ano, por coincidência, “é dia de um fenómeno raro”.
“Conseguimos comprar óculos para todos e quem sabe não assistimos hoje a um milagre”, atirou Laura Costa, enquanto olhava para o céu.
A curiosidade e a ansiedade entre os mais novos era grande e, à medida que o tempo ia passando, iam partilhando que “a bola amarela” ia ficando cada vez “mais pequenina”.
“Isto é muito bonito! Também quero ver a chuva de estrelas!”, referiu Mia Alves Martins, de nove anos, momentos antes de ficar visível apenas “uma pequena linha laranja”, numa altura em que a temperatura baixou ligeiramente.
Já entre os mais velhos, o eclipse lunar trouxe à conversa o “Milagre do Sol”, que aconteceu a 13 de outubro de 1917, em Fátima, perante milhares de pessoas.
Na altura, as testemunhas relataram que o astro começou a girar como uma roda de fogo, mudando de cor, e pareceu cair em ziguezague em direção à Terra, espalhando um calor que secou instantaneamente o chão e as roupas molhadas, num dia que tinha sido de chuva.
Esta tarde assistiu-se, pela primeira vez desde 1912 a um eclipse do sol, que total (100%) foi apenas no Parque Natural de Montesinho, no nordeste transmontano, sendo parcial (entre 92% e 99%) na maior parte do continente.
O próximo será só em 2144 e “nessa altura já não estaremos cá”.
“Tivemos a oportunidade estar aqui hoje, num local maravilhoso, onde se respira paz. Não foi planeado, mas quis o destino que tivesse sido aqui: só pode ter sido um sinal”, acrescentou Carla Martins.
Da zona de Lisboa veio também, ao Santuário de Fátima, um grupo de oito mulheres para “ter o privilégio de levar o andor” da Nossa Senhora de Fátima, porque “servir a Nossa Senhora é uma missão”.
Nem todas trouxeram óculos certificados para assistir ao eclipse lunar, mas a Ana Luzia, de Pinhal Novo, não quis desperdiçar a oportunidade de acrescentar este fenómeno à fé que carrega.
“É a fé que nos salva e foi uma sorte o eclipse calhar no dia desta peregrinação”, concluiu.
Faro
Mais de 300 pessoas concentraram-se hoje na praia do Arraial, em Tavira, para observar o eclipse solar, numa iniciativa que superou as expectativas de participação, disse Filipa Vargas, do Centro de Ciência Viva de Tavira, promotora da observação.
Antes do início do eclipse, Filipa Vargas disse à Lusa que as mais de 300 pessoas que estavam na fila teriam que se revezar para fazer a observação do fenómeno astronómico através do telescópio montado pelo Centro de Ciência Viva de Tavira e adiantou que iriam também ser distribuídos cerca de uma centena de óculos para fazer a observação em segurança, sem ferir a vista.
“A expectativa é maior do que o que estávamos à espera”, reconheceu Filipa Vargas em declarações à agência Lusa, confessando-se “entusiasmada” por poder assistir a um fenómeno raro e que “suscita tanta expectativa”.
Junto ao antigo forte existente no local, os participantes aguardavam na fila que chegasse a sua vez de observar o eclipse pelo telescópio ou que tivessem a sorte de ainda receber um dos pares de óculos disponíveis, insuficientes em número para chegar a toda a gente.
Entre os participantes estava Carlos Torres, 45 anos, do Porto, que disse à Lusa estar de férias em Tavira e ter aproveitado a iniciativa do Centro de Ciência Viva para assistir, com o filho, à cobertura parcial do sol pela lua.
“Viemos mais pelo miúdo, que é a primeira vez que tem a oportunidade de ver um eclipse e estava muito curioso”, justificou Carlos Torres, enquanto o filho Eduardo, de sete anos, dizia ter gostado muito de “ver o sol ficar tapado pela lua”, embora lamentando haver muita gente e não poder ficar mais tempo no telescópio.
Carla Santos tem 20 anos e contou à Lusa que viu na Internet a informação sobre a ação do Centro de Ciência Viva de Tavira na praia do Arraial, mas “não pensava que houvesse tanta gente a querer participar”.
“Mas foi bom, deu para ver pelo telescópio uma vez e agora temos os óculos para ir partilhando até às 20:00”, disse, pouco antes das 19:30, hora a que estava previsto que o fenômeno atingir o clímax.
Luís Galrito, 35 anos, de Lisboa, também estava entre as 300 pessoas que se encontravam junto ao antigo forte da praia do Arraial e mostrou-se satisfeito por ter conseguido receber um dos óculos distribuídos pela organização da ação.
“Lá conseguimos uns óculos para poder ver o eclipse, sem ter que estar na fila para ver pelo telescópio. Não se vê tão próximo, mas podemos acompanhar mais facilmente, porque não temos que dar lugar a tantas pessoas, somos só cinco a partilhar os óculos no grupo”, disse, acompanhado da mulher e de um casal amigo e o filho.
Joana Santos foi outra das pessoas que, embora em férias, não quis perder a oportunidade de observar “um fenómeno astronómico tão raro, que só se repete daqui a uns 100 anos”, salientou.
“Foi um espetáculo, havia muita gente, mas valeu a pena esperar, porque não é todos os dias que se assiste a um eclipse de sol como este”, concluiu.




